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Como Trump e as guerras comerciais deixaram Rússia e Ucrânia de lado
Publicado 27/07/2025 • 11:14 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 27/07/2025 • 11:14 | Atualizado há 10 meses
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Com as guerras comerciais ocupando todo o espaço nos jornais, fica fácil esquecer que soldados russos e ucranianos continuam disputando cada metro da linha de frente na Ucrânia.
O conflito em Gaza, a instabilidade econômica nos EUA e na Europa, e o cenário geopolítico em mutação — com o fortalecimento de “polos de poder” rivais — também estão no centro das atenções dos líderes mundiais, deixando a guerra na Ucrânia, que já dura mais de três anos e meio, cada vez mais em segundo plano.
Parece cada vez mais que Rússia e Ucrânia estão sendo deixadas de lado, com até mesmo as negociações desta semana em Istambul — que reuniram representantes dos dois lados — recebendo pouca atenção da imprensa. O clima é de incerteza tanto sobre os rumos da guerra quanto sobre a chance de paz.
Trump demonstrou impaciência quando declarou, em 14 de julho, que a Ucrânia poderia receber mais armas americanas — desde que os aliados da OTAN pagassem por elas — e deu à Rússia um prazo de 50 dias para fechar um acordo de paz com a Ucrânia. Caso não chegasse a um acordo, afirmou Trump, a Rússia enfrentaria sanções “muito severas” e tarifas “secundárias” de até 100%.
Essas medidas podem afetar fortemente a Rússia e também seus poucos parceiros comerciais restantes, como Índia e China, que compram petróleo, gás e outras commodities russas.
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Por enquanto, a Rússia tem até 2 de setembro para mostrar que está realmente disposta a negociar um cessar-fogo e um plano de paz — algo que pouco avançou, apesar de alguns acordos de troca de prisioneiros.
Especialistas duvidam que a ameaça de novas sanções vá convencer o presidente russo, Vladimir Putin, a negociar de verdade, muito menos sentar para conversar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.
Segundo Mykola Bielieskov, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos da Ucrânia, existe uma distância grande entre a exigência de Trump por um acordo de paz e a aplicação de novas sanções.
“O Kremlin aposta, no geral, que os Estados Unidos sob Trump não têm capacidade de manter uma política consistente de apoio à Ucrânia e pressão sobre a Rússia,” disse Bielieskov à NBC News no início de julho.
“Sanções secundárias sérias exigem disposição para bater de frente com China e Índia, que compram matérias-primas da Rússia,” observou ele.
“Da mesma forma, quando se fala em armas, o que importa agora é a velocidade e o volume das entregas. Por isso, há muita coisa incerta. E eu acho que a Rússia acredita que os EUA não vão ter coragem de impor sanções secundárias aos parceiros comerciais russos,” acrescentou.
Dependendo da boa vontade dos EUA e da Europa para receber armamentos, a Ucrânia tem se mostrado mais aberta à negociação nos últimos meses, pedindo, junto com Trump, um cessar-fogo com a Rússia — proposta que segue sem resposta.
O país também já sinalizou disposição para ceder territórios ocupados pela Rússia, caso isso garantisse à Ucrânia o seu tão sonhado ingresso na OTAN.
Mas não há indícios de que a Rússia, que conquista avanços modestos no campo de batalha graças ao grande número de soldados convocados e ao uso intenso de drones, esteja disposta a aceitar garantias de segurança prometidas pelo Ocidente para a Ucrânia, em qualquer formato.
Para piorar a situação de Kiev, cresce o descontentamento interno, com críticas à lei marcial em vigor, à ausência de eleições e ao comando de guerra de Zelenskyy.
Na semana passada, protestos tomaram as ruas de Kiev após o governo tentar limitar a autonomia de dois órgãos anticorrupção. Líderes da União Europeia manifestaram preocupação ao site Politico, dizendo que a medida demonstra falta de compromisso com os valores democráticos europeus. Combater a corrupção, problema antigo na Ucrânia, é visto como pré-requisito para a entrada do país na UE, que Kiev tanto deseja.
Uma mudança no governo, em meados de julho, também gerou acusações de que Zelenskyy estaria concentrando poderes entre aliados próximos, o que pode preocupar ainda mais os apoiadores internacionais da Ucrânia.
A Ucrânia vive “uma fase crítica de reorganização interna em meio a uma crescente incerteza externa”, segundo Tatiana Stanovaya, pesquisadora sênior do Carnegie Russia Eurasia Center e fundadora da consultoria R. Politik.
“Os últimos acontecimentos no campo de batalha coincidem com uma nova postura americana: Donald Trump optou por ganhar tempo em vez de partir para o confronto, recuando nas ações e transferindo responsabilidades políticas e financeiras para a Europa,” afirmou Stanovaya em comentários por e-mail nesta semana.
“Kiev, por sua vez, está aproveitando esse intervalo para se reorganizar internamente. A recente troca no governo… mostra a intenção da administração Zelenskyy de reforçar o controle político e manter a coesão diante do pessimismo crescente, da lentidão institucional e de uma crise de mão de obra cada vez mais grave,” completou.
Apesar do desconforto crescente do Ocidente com a situação interna da Ucrânia, Stanovaya observou que “o apoio internacional está ficando cada vez mais pragmático, focado em manter a linha de frente, e não em promover reformas democráticas.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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