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Tarifas dos EUA elevam percepção de risco e reforçam necessidade de previsibilidade

Publicado 13/07/2026 • 15:53 | Atualizado há 6 horas

KEY POINTS

  • Prazo para decisão da Casa Branca sobre tarifas amplia incerteza para empresas e investidores.
  • Especialista avalia que aumento das barreiras comerciais pode reduzir competitividade e pressionar margens das exportadoras.
  • Diálogo entre Brasil e Estados Unidos é apontado como principal caminho para reduzir a volatilidade dos mercados.

A possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros aumenta a percepção de risco entre investidores e reforça a importância da previsibilidade institucional para a atração de capital, afirmou nesta segunda-feira (13) o portfolio manager da GCB, Rafael Espinoso, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a reta final das negociações será decisiva para evitar novos impactos sobre a economia e o ambiente de negócios.

“Os investidores já estão olhando bastante para o risco fiscal no Brasil, e essa questão das tarifas também entra no radar. Não seria um ambiente favorável neste momento, por isso a capacidade de diálogo faz total diferença”, disse Espinoso.

Na avaliação do gestor, um aumento das tarifas reduziria a competitividade das empresas brasileiras exportadoras, pressionaria margens de lucro e ampliaria o prêmio de risco exigido pelos investidores em um cenário já marcado por juros elevados e desafios fiscais.

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Previsibilidade pesa nos investimentos

Segundo Espinoso, investidores avaliam cada vez mais a estabilidade regulatória e institucional antes de alocar recursos em um país.

“Investimento é previsibilidade. Se você tiver uma nova tarifa, algumas empresas que já enfrentam um momento ruim em seus balanços terão ainda mais dificuldade para buscar bons resultados”, afirmou.

O gestor destacou que o ambiente econômico brasileiro já inspira cautela por causa do elevado endividamento público e da manutenção dos juros em patamar elevado, fatores que podem ser agravados por novas barreiras comerciais.

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Ele acrescentou que a combinação entre incertezas fiscais e tensões comerciais tende a elevar a aversão ao risco e dificultar a recuperação de alguns setores da economia.

Negociação vai além das tarifas

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Ao comentar os motivos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a investigação comercial contra o Brasil, Espinoso afirmou que a disputa envolve interesses mais amplos do que os temas oficialmente citados.

Segundo ele, questões como terras raras, propriedade intelectual e a competição estratégica entre Estados Unidos e China também fazem parte do contexto das negociações.

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“É uma guerra diferente. O Brasil está no centro das atenções, enquanto Estados Unidos e China disputam interesses estratégicos. O diálogo é o melhor caminho para tirar essa pressão dos mercados”, disse.

Na avaliação do gestor, reduzir a tensão comercial permitiria que investidores voltassem a concentrar suas atenções em fundamentos econômicos, como juros, câmbio e desempenho das empresas.

China pode ganhar espaço

Caso as barreiras comerciais avancem, Espinoso acredita que o Brasil poderá intensificar a busca por novos mercados, especialmente na Ásia e no Oriente Médio.

Ele ressaltou, porém, que uma eventual perda de espaço nos Estados Unidos teria impacto relevante para o comércio exterior brasileiro, dada a importância do mercado americano para diversos setores.

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“É ruim perder os Estados Unidos como parceiro comercial, mas o Brasil precisa ter plano B e plano C. Colocar a bola no chão e conversar continua sendo o melhor caminho”, concluiu.

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