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Tarifaço de Trump: quais setores brasileiros são atingidos pelas novas restrições dos EUA?

Publicado 04/06/2026 • 08:00 | Atualizado há 3 meses

KEY POINTS

  • As novas tarifas anunciadas pelo governo Donald Trump voltaram a pressionar parte das exportações brasileiras para os EUA.
  • Setores importantes da economia brasileira seguem expostos às medidas americanas.
  • O tarifaço também pode afetar investimentos, produção industrial e negociações comerciais entre os dois países.
Bandeira dos EUA e Brasil

Foto: Magnific

As novas tarifas anunciadas pelo governo Donald Trump voltaram a pressionar parte das exportações brasileiras para os EUA. Embora diversos produtos tenham ficado fora da cobrança adicional, outros setores importantes da economia brasileira seguem expostos às medidas.

Além disso, é possível que os impactos possam ir além das exportações diretas. O tarifaço também pode afetar investimentos, produção industrial e negociações comerciais entre os dois países. Veja os setores atingidos.

Leia também: Aço brasileiro é pressionado por novo tarifaço apesar de escapar da tarifa de 25% 

Autopeças

O mercado automotivo é uma das categorias que aparece entre os setores mais vulneráveis. Peças e componentes produzidos no Brasil podem enfrentar a tarifa de 25% prevista na Seção 301. 

Como consequência, montadoras instaladas nos Estados Unidos podem rever fornecedores e reorganizar suas cadeias produtivas. Além disso, a medida pode reduzir a demanda por aços especiais usados na fabricação de veículos.

Suco e máquinas

Entre os produtos agroindustriais, os sucos de frutas e vegetais aparecem entre os mais afetados. O setor exportou US$ 1,61 bilhão para os Estados Unidos em 2025, o equivalente a 4,28% do brasileiro.

As exceções divulgadas pelos americanos incluem frutas frescas, congeladas, secas e polpas, mas não liberam os sucos industrializados.

Outro segmento sob pressão reúne equipamentos para obras e infraestrutura. As exportações somaram US$ 1,38 bilhão e responderam por 3,67% das vendas brasileiras aos EUA.

Demais setores

Além dos setores citados, diversos produtos relevantes ficaram fora da lista de exceções. Entre eles estão:

  • Motores de pistão e partes com US$ 435 milhões e participação de 1,15%;

  • Alumina com US$ 463 milhões e participação de 1,23%;

  • Máquinas de energia elétrica com US$ 660 milhões e participação de 1,75%;

  • Cal cimento e materiais de construção com US$ 794 milhões e participação de 2,11%;
  • Pneus de borracha com US$ 536 milhões e participação de 1,42%;

  • Madeira compensados folheados e aglomerados com cerca de US$ 360 milhões e participação de 0,95%;

  • Óleos e gorduras animais com US$ 450 milhões e participação de 1,19%.

Produtos que escaparam das tarifas

Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil permaneceram fora da nova cobrança. A lista inclui:

  • Petróleo bruto

  • Aeronaves

  • Motores e componentes aeronáuticos

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  • Café

  • Carne bovina

  • Celulose

  • Fertilizantes

  • Medicamentos

  • Produtos químicos

  • Minério de ferro

  • Frutas

  • Castanhas

  • Cacau

  • Especiarias

  • Chás

  • Semicondutores

  • Ouro

  • Prata

  • Platina

Leia também: Trump diz que o Irã concordou em não ter armas nucleares, mas ‘eles podem mudar de ideia’

Política da reciprocidade

O governo brasileiro elevou o tom contra as novas tarifas propostas pelos Estados Unidos e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade caso Washington avance com medidas contra produtos brasileiros.

Além disso, o Palácio do Planalto contestou as acusações apresentadas na investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e classificou a iniciativa como injustificada.

Ao mesmo tempo, Brasília reforçou que pretende manter as negociações até 15 de julho, prazo previsto para o encerramento da investigação baseada na Seção 301.

O governo também argumentou que 76% das importações dos EUA entraram no mercado brasileiro em 2025 sem pagamento de imposto e com tarifa média efetiva de apenas 3,1%.

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