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Operações da PF

‘Preciso dele feliz’: Mensagens de Vorcaro e ex-presidente do BRB no Whatsapp falam de negócios e propina na mesma conversa; veja

Publicado 16/04/2026 • 15:09 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mensagens de WhatsApp mostram Vorcaro e Paulo Henrique Costa negociando propina em imóveis e carteiras do BRB na mesma conversa.
  • Ex-presidente do BRB cobrava andamento dos imóveis de luxo por WhatsApp enquanto acelerava compras para o Banco Master.
  • Vorcaro ordenou paralisação dos pagamentos em maio de 2025 ao saber de investigação sigilosa do MPF sobre a propina.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça que decretou a prisão preventiva do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa traz um conjunto de mensagens de WhatsApp que expõe, com rara clareza, o funcionamento do esquema investigado pela Polícia Federal. Nos diálogos, negócios do banco público e pagamento de propina em imóveis aparecem misturados na mesma conversa, como se fossem partes de um único acordo.

As mensagens foram extraídas dos celulares dos investigados durante as fases anteriores da Operação Compliance Zero e reproduzidas na decisão do ministro André Mendonça como fundamento para as prisões decretadas nesta quinta-feira (16).

Leia também: Veja os seis imóveis de luxo que foram pagos como propina por Vorcaro ao ex-presidente do BRB

Negócios do banco e apartamento para a esposa

Em uma das trocas mais reveladoras, Paulo Henrique Costa escreve a Daniel Vorcaro anunciando o lançamento de uma operação no BRB e, no mesmo texto, pede para levar a esposa visitar um apartamento de luxo que seria parte do pagamento da propina.

“Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira”, escreveu Costa a Vorcaro. Em seguida, no mesmo parágrafo, pediu: “Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando. Dia 01/03 está logo aí.”

Vorcaro respondeu: “Fala amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto.” Costa respondeu: “Fechado! Obrigado.”

A esposa nos apartamentos

As mensagens mostram que a esposa de Costa foi levada a visitar os imóveis que seriam transferidos ao casal. Em uma troca subsequente, Costa informa a Vorcaro o resultado da visita com um tom de negociação:

“Estive no outro hoje de manhã. A esposa ainda está meio cismada. Seria ótimo olhar outro para construir uma referência.”

Vorcaro pergunta o motivo. Costa explica que o imóvel estava com a região fechada e que seria bom ter um parâmetro de comparação. Vorcaro então oferece outra opção: “Esse outro é uma cobertura. Já pensando trazer família.”

Costa responde: “Eu venho na frente mesmo e elas vêm depois. Boa.”

Quando Costa ficou decepcionado por não conseguir visitar um dos apartamentos com a corretora indicada por Vorcaro, o banqueiro entrou em contato com ela diretamente. Segundo a decisão do STF, Vorcaro disse à corretora, referindo-se a Costa: “Preciso dele feliz. Reverte isso aí.”

Fazendo as contas da propina

Em outro momento, Costa deixa explícito que fez cálculos para chegar ao valor combinado com Vorcaro. A mensagem é direta: “Fiz as contas para chegar no valor que combinamos. Dependendo dos valores finais, sairia o Casa Lafer, que está no contrapiso. Apagando algumas mensagens.”

A instrução para apagar mensagens, registrada na própria conversa, é tratada pela PF como indício de consciência sobre o caráter ilícito do arranjo.

Vorcaro responde perguntando sobre um imóvel específico, e os dois discutem qual apartamento seria melhor, como se estivessem negociando uma compra comum.

As cobranças pelo andamento

As mensagens também registram Costa cobrando o avanço das transferências de imóveis, tratadas como pendências de um acordo a ser cumprido.

“Amigo, pessoal esperando seu de acordo sobre os imóveis de São Paulo. Pode ajudar?”, escreveu Costa. Vorcaro respondeu que havia dado carta branca e perguntou onde estava travado. Costa disse que o problema era na equipe de Daniel Monteiro, mas que seria simples resolver.

Em seguida, Costa reforça que estava cumprindo sua parte: “Desculpe dar trabalho. É que estou focado na agenda que combinamos e fico em cima de todos os assuntos até resolver.” Vorcaro responde: “Nada. Isso não é trabalho. Eu sou resolvedor de problemas.”

Costa então acrescenta: “Estou tratando de carteira de outro lado.” A referência às carteiras de crédito do BRB, inserida logo após a cobrança pelos imóveis, é interpretada pela PF como confirmação da relação de troca entre os dois lados do esquema.

“Continuo no deal mode”

Em dado momento, Vorcaro pergunta diretamente a Costa se ele ainda tinha interesse no negócio e ressalta a trajetória de parceria entre os dois, mencionando “um negócio de continuidade” e “centenas de ajustes ao longo da trajetória.”

Costa responde sem hesitar: “Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver.”

Por que Vorcaro parou de pagar

O fluxo de pagamentos foi interrompido de forma abrupta em maio de 2025. A PF identificou que, em 30 de abril de 2025, o Ministério Público Federal autuou um procedimento sigiloso para investigar exatamente o pagamento de propina a Paulo Henrique Costa por meio de imóveis.

Dez dias depois, em 10 de maio de 2025, Vorcaro ordenou ao advogado Daniel Monteiro que “travasse tudo” e que não realizasse mais nenhum pagamento nem prosseguisse com o registro formal das transações.

A hipótese investigada é que Vorcaro teve acesso antecipado ao procedimento sigiloso por meio de Felipe Mourão, que repassou cópias dos documentos por WhatsApp em 24 de junho de 2025. A PF aponta que Vorcaro provavelmente soube da investigação antes mesmo de receber as cópias formais, o que explicaria a mudança abrupta de comportamento em maio.

Próximos passos

Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Lopes Monteiro serão submetidos a audiências de custódia em até 24 horas. O juiz responsável poderá verificar apenas aspectos formais das prisões, sem poder rever os fundamentos nem determinar soltura. Qualquer liberação depende de decisão do próprio relator André Mendonça. As prisões preventivas ainda serão submetidas ao referendo da Segunda Turma do STF em sessão virtual.

As defesas de Costa e de Monteiro não se manifestaram sobre o mérito das acusações até a publicação desta reportagem.

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