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‘Risco de falta de diesel em abril é preocupante’, diz presidente da Abicom
Publicado 20/03/2026 • 20:28 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/03/2026 • 20:28 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O presidente executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sergio Araújo, afirmou que o Brasil pode enfrentar um cenário de falta pontual de diesel nas próximas semanas, especialmente em abril, diante da disparada dos preços internacionais do petróleo e das dificuldades de importação do combustível.
Segundo ele, a combinação entre o aumento global dos preços e a política de preços da Petrobras tem dificultado a atuação de importadores e refinarias privadas. “A gente tem uma elevação do preço do petróleo no mundo inteiro e, no Brasil, dificuldade de comercialização dos produtos importados”, disse, em entrevista nesta sexta-feira (20), ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Araújo destacou que a estatal ainda pratica valores abaixo do mercado internacional, o que cria distorções. “A Petrobras está praticando um preço extremamente defasado, que hoje supera 70%, quase R$ 2,70 por litro no caso do diesel”, afirmou.
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De acordo com ele, o setor espera um ajuste para normalizar o abastecimento. “O que os importadores e refinarias privadas esperam é que a Petrobras alinhe os preços, para que as operações voltem à normalidade e o abastecimento seja garantido”, disse.
O executivo também comentou as medidas adotadas pelo governo, como o reforço na fiscalização do frete, mas avaliou que o problema central continua sendo o preço do combustível. “Estamos falando de uma commodity que subiu no mundo inteiro e vai continuar subindo”, afirmou.
Para ele, cabe ao governo atuar por meio de políticas públicas para reduzir o impacto sobre os consumidores, sem interferir diretamente na estatal. “Não pode usar a Petrobras para reduzir artificialmente o preço, porque isso desorganiza o mercado e cria essa confusão”, disse.
Araújo citou efeitos práticos dessa distorção, como o aumento da logística e dos custos operacionais. “Distribuidoras estão rodando mais de mil quilômetros para buscar produto mais barato em refinarias da Petrobras”, afirmou, destacando impactos como maior consumo de diesel e aumento das emissões.
Apesar de o abastecimento de março estar garantido, com a chegada de volumes importados, o cenário para abril é considerado crítico. “Para março, o abastecimento está ok, mas para abril é preocupante”, disse.
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Segundo ele, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, houve retração nas negociações de importação. “Os navios carregados hoje apontam para um volume de apenas 30% a 40% do normal para abril”, afirmou.
A situação é agravada pelo aumento da demanda, impulsionado pela safra agrícola e pela antecipação de compras por parte de consumidores com capacidade de estocagem. “A demanda está aquecida, tanto pela safra quanto pela antecipação de compra”, explicou.
Mesmo com esforços da Petrobras para elevar a produção – com refinarias operando acima de 100% da capacidade – o executivo alerta para riscos regionais. “Há maior probabilidade de falta de produto no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que dependem mais de importação”, disse.
Araújo ressaltou que os estoques no Brasil são limitados e variam conforme a região. “Tem lugar onde o estoque nas distribuidoras é de dois a três dias; em áreas portuárias pode chegar a 10 ou 15 dias”, afirmou.
Diante desse cenário, ele evita prever uma data para eventual escassez, mas reforça o alerta. “É difícil dizer até quando há produto, porque depende da demanda e da logística, mas a situação é preocupante”, concluiu.
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