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Europa compra pouco em volume, mas paga mais: por que o mercado importa para a carne brasileira
Publicado 12/05/2026 • 23:00 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 12/05/2026 • 23:00 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: Freepik
Exportações de carne
A conta parece estranha à primeira vista. Em 2025, a União Europeia (UE) foi apenas o quarto maior destino da carne bovina brasileira em volume, comprando menos que China, Estados Unidos e Chile. Em receita, porém, o bloco subiu para o terceiro lugar, com US$ 1,06 bilhão, superando os US$ 754,5 milhões pagos pelos chilenos, que embarcaram mais toneladas.
O que explica essa inversão é o que o setor chama de mercado premium. A UE paga cerca de US$ 8.220 por tonelada, contra uma média geral de US$ 5.150 nas exportações brasileiras, uma diferença de 59%.
Parte das exportações para a Europa passa pela chamada Cota Hilton, um mecanismo histórico que reserva espaço no mercado europeu para cortes nobres (traseiro, filé, contrafilé) com condições tarifárias vantajosas. Com o acordo Mercosul-UE em vigor desde 1º de maio, essa tarifa, que era de 20%, foi reduzida a zero. O resultado é que o produto que chega à Europa já parte de uma seleção de qualidade.
“Exportações para a Europa têm uma primeira questão que chama cota, é a Cota Hilton, que são carnes de altíssima qualidade, que têm um preço diferenciado”, explica Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio fundador da BMJ.
Leia também: UE compra US$ 1 bi em carne bovina do Brasil; veja o que está em jogo na disputa sanitária
Mas a Cota Hilton é só parte da resposta. O restante está nas próprias exigências sanitárias europeias, que funcionam como uma barreira de entrada que valoriza quem consegue cruzá-la.
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Siga o Times | CNBC“A Europa em geral, justamente porque é um mercado mais exigente, que tem mais exigências sanitárias, tem um preço médio mais alto. É um mercado chamado de premium, até porque o preço da carne na Europa e as barreiras são muito altas. Então isso eleva o preço médio da carne exportada”, diz Barral. Em outras palavras, a dificuldade de acessar o mercado europeu é, ao mesmo tempo, o que justifica o prêmio pago por quem consegue entrar.
Os principais compradores dentro do bloco são Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica, mercados com alta renda per capita e cultura consolidada de consumo de proteína bovina de qualidade. E é justamente porque eles pagam mais que a exigência é maior. Rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, controle de resíduos e ausência de determinadas substâncias veterinárias são requisitos que elevam o custo de produção da carne destinada a esse destino, e que, consequentemente, justificam o preço mais alto na ponta.
É essa lógica que torna a decisão da Comissão Europeia, anunciada nesta terça-feira (12), especialmente custosa do ponto de vista estratégico. A exclusão do Brasil da lista de países habilitados a exportar não ameaça apenas o fluxo imediato de US$ 1,06 bilhão registrado em 2025, mas também o posicionamento do país num mercado que recompensa quem tem capacidade de cumprir padrões elevados.
Leia também: Brasil tenta reverter decisão da UE que pode barrar exportações de carne
O acordo Mercosul-UE havia criado uma janela de expansão. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projetava crescimento de até 7% nas exportações ao bloco após a entrada em vigor do tratado, aproveitando tanto a redução tarifária quanto a nova cota de 99 mil toneladas criada para os países do Mercosul. As compras europeias de carne bovina brasileira já vinham crescendo 132,8% em volume entre 2024 e 2025 — o maior salto entre os principais destinos.
Agora, a disputa sanitária coloca em risco uma trajetória que levou décadas para ser construída e que, pela primeira vez, estava prestes a ficar mais barata de percorrer.
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