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Brasil mira mercado de US$ 2,2 bi dominado pelos EUA e com carne 40% mais barata

Publicado 28/07/2026 • 22:39 | Atualizado há 32 minutos

KEY POINTS

  • Estados Unidos forneceram 220 mil toneladas, ou 47% da carne bovina importada pela Coreia do Sul em 2025.
  • Após 17 anos de negociação, técnicos da Coreia do Sul virão ao país em agosto para inspecionar frigoríficos e avaliar o sistema brasileiro de defesa agropecuária.
  • Em um encontro com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e representantes de grandes empresas dos dois países, como JBS, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a carne brasileira tem custo 40% menor e disse estar otimista com a inspeção sanitária.

O Brasil tenta transformar a competitividade de sua carne bovina em acesso a um dos mercados mais disputados da Ásia. Após 17 anos de negociação, técnicos da Coreia do Sul virão ao país em agosto para inspecionar frigoríficos e avaliar o sistema brasileiro de defesa agropecuária.

A expectativa do governo é que a missão sanitária represente um passo decisivo para a liberação das exportações brasileiras. O mercado sul-coreano é liderado pelos Estados Unidos, mas o Brasil aposta em um produto com custo menor para disputar espaço entre os fornecedores.

O tema esteve no centro de uma reunião de alto nível realizada nesta terça-feira (28), no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo. O encontro reuniu o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes de grandes empresas dos dois países, como JBS.

“A carne brasileira é 40% de custo menor, qualidade excepcional. Nós poderemos voltar a exportar carne para a Coreia do Sul”, afirmou Alckmin após o encontro. 

A Coreia do Sul importou 468 mil toneladas de carne bovina em 2025. Os Estados Unidos responderam por 220 mil toneladas, ou 47,1% do total, e mantiveram a liderança do mercado pelo nono ano consecutivo. 

As exportações americanas de carne bovina ao país asiático movimentaram US$ 2,23 bilhões no ano passado, quinto ano seguido acima de US$ 2 bilhões.

Leia também: ‘Brasil retomou presença na Ásia’, diz Lula após reunião com presidente da Coreia do Sul

Inspeção sanitária em agosto

A visita representa um avanço em negociações iniciadas em 2008. Segundo o presidente Lula, a missão será um “passo decisivo” para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado sul-coreano.

Autoridades do país asiático já realizaram uma auditoria no sistema sanitário brasileiro em 2023, com foco em saúde pública. A inspeção prevista para agosto deverá avaliar aspectos ligados à saúde animal.

A missão, porém, não significa uma liberação automática. Após a auditoria, as autoridades sul-coreanas deverão analisar as condições sanitárias brasileiras e definir se autorizam as compras e quais frigoríficos poderão exportar.

O Brasil aposta no tamanho de sua produção, na competitividade dos preços e no novo status sanitário para acelerar o processo.

“O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário. Somos um dos poucos países do mundo liberados de febre aftosa sem vacinação. Então, estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto”, disse Alckmin. 

A abertura também ajudaria o setor brasileiro a diversificar destinos diante das restrições e cotas impostas por grandes compradores. A Coreia do Sul é considerada um mercado de alto valor agregado e está entre os principais importadores mundiais de carne bovina.

O país já possui uma presença relevante no mercado sul-coreano de proteína animal. Em 2024, o Brasil respondeu por 86% das importações de carne de frango da Coreia do Sul, embora essa fatia correspondesse a cerca de 20% do consumo total do produto no país. 

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A relação já estabelecida com importadores e distribuidores pode facilitar a entrada da carne bovina, caso o processo sanitário seja concluído.

Minerais críticos e inteligência artificial

A aproximação entre Brasília e Seul também avança nas áreas de tecnologia, minerais críticos e inteligência artificial.

A Coreia do Sul abriga algumas das principais empresas mundiais de semicondutores, memórias e baterias. O Brasil, por sua vez, possui reservas de minerais críticos e terras raras usados na fabricação de chips, equipamentos eletrônicos, baterias e infraestrutura tecnológica.

O objetivo brasileiro é atrair investimentos que permitam processar esses recursos no país, em vez de exportar apenas a matéria-prima.

“Não queremos apenas exportar minério bruto: queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia. Nesse mesmo eixo estão a inteligência artificial e os centros de dados”, afirmou Alckmin. 

A mesa-redonda empresarial foi organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, e pela Federação das Indústrias da Coreia, a FKI. 

“A Coreia do Sul tem profundo interesse em explorar e agregar valor aos minerais críticos com o Brasil e atender ao mercado de inteligência artificial”, afirmou o presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller.

Leia também: Brasil e Coreia do Sul fecham acordo de energia para acelerar transição energética

Comércio bilateral ainda está abaixo do recorde

A corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul alcançou US$ 10,8 bilhões em 2025. As exportações brasileiras somaram cerca de US$ 5,5 bilhões, enquanto as importações de produtos sul-coreanos ficaram em US$ 5,3 bilhões.

O resultado permanece abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011. A estratégia dos dois governos é ampliar e diversificar as trocas, hoje concentradas em petróleo, minério de ferro, celulose, soja e carnes nas vendas brasileiras, e em semicondutores, eletrônicos, máquinas, veículos e autopeças nas exportações sul-coreanas.

“Nosso objetivo não é apenas vender mais: é agregar valor, integrar cadeias produtivas e investir em conjunto”, afirmou Alckmin. 

Brasil e Coreia do Sul também decidiram criar um grupo de trabalho para acelerar as negociações de um possível acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático.

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