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Cabotagem pode reduzir custos logísticos em até 20%

Publicado 14/08/2026 • 17:27 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Plano Nacional de Logística 2050 é considerado factível, mas depende de investimentos em infraestrutura e maior integração entre diferentes modais.
  • Cabotagem pode ganhar espaço na logística nacional por aproveitar a extensa costa brasileira e reduzir custos em relação ao transporte rodoviário.
  • Conexões com os portos e integração de sistemas e documentos estão entre os principais gargalos para combinar transporte marítimo e rodoviário.

O Plano Nacional de Logística 2050 é factível, mas sua execução dependerá de avanços em infraestrutura e, principalmente, na integração entre os diferentes modais de transporte, na avaliação de Fernando Balbino, diretor internacional de comércio exterior do Grupo IBL Logística.

Em entrevista nesta sexta-feira (14) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Balbino afirmou que o planejamento pode oferecer ao setor uma visão mais clara sobre os caminhos para enfrentar os gargalos históricos da cadeia logística brasileira, apesar do tamanho dos desafios envolvidos.

“O plano é factível, é algo que já estava faltando no mercado, essa clareza de como seria esse planejamento”, afirmou. Segundo Balbino, além das deficiências de infraestrutura, um dos principais obstáculos está na integração entre as diferentes partes da cadeia. “Tem o desafio de infraestrutura, mas principalmente tem um desafio de integração. Então, integração sistêmica, integração documental”, destacou.

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Para o executivo, o plano pode estabelecer um direcionamento mais claro para os investimentos e para a organização do setor. “É factível, é trabalhoso, mas dá para fazer”, resumiu.

Cabotagem pode ganhar espaço

Embora o transporte rodoviário tenha papel central na logística brasileira, Balbino considera que a cabotagem deveria receber maior atenção na estratégia de integração dos modais, principalmente diante das características geográficas do país.

“Hoje, no Brasil, se fala muito no modal rodoviário, mas todos nós já entendemos que o modal rodoviário tem a sua importância para a cadeia logística”, explicou. Para ele, porém, a navegação por cabotagem faz sentido diante da extensão da costa brasileira e das possibilidades existentes especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Além da questão geográfica, o executivo destacou a diferença de custos. Segundo Balbino, a cabotagem pode proporcionar uma redução de 10%, 15% e até 20% nos custos quando comparada ao transporte rodoviário.

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“Além de ser sustentável, quando você avalia a questão de custo entre o modal de cabotagem e o modal rodoviário, a gente vê ali 10%, 15%, até 20% de redução no custo”, afirmou. Por isso, na avaliação do diretor, o transporte marítimo doméstico deveria estar mais conectado ao rodoviário na logística nacional.

Ferrovias têm papel nos portos

O modal ferroviário também é considerado importante por Balbino, mas atualmente apresenta uma atuação mais direcionada às operações relacionadas ao comércio exterior.

“O ferroviário nós entendemos que também é importante, mas ele é muito mais voltado para exportação, importação, então conexões com os portos”, explicou. Para a movimentação de cargas dentro do país, ele reforçou que a combinação entre cabotagem e transporte rodoviário apresenta grande potencial.

Balbino explicou que a cabotagem corresponde à navegação realizada ao longo da costa brasileira entre os portos nacionais, sem se tratar de uma operação marítima de longo curso.

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“São navegações que acontecem entre os portos em toda a costa brasileira. Então nós pegamos ali do Rio Grande do Sul até Manaus, toda essa costa nós conseguimos fazer via cabotagem”, afirmou. Segundo ele, essas rotas já existem e a infraestrutura portuária brasileira é atualmente muito boa.

Conexões são o principal gargalo

O maior problema, segundo Balbino, aparece justamente quando a carga precisa deixar o transporte marítimo e seguir viagem por outro modal. As conexões de entrada e saída dos portos ainda apresentam ineficiências que dificultam a movimentação das mercadorias.

“A grande questão, os desafios que nós temos, são as conexões. Então, chegada para porto, as estradas são pequenas, ponto de parada para caminhoneiro”, explicou. Para o executivo, a integração entre o transporte marítimo e o rodoviário é um dos pontos decisivos para aumentar a eficiência logística.

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“A carga vem nesse transporte marítimo. Quando chega no porto, você precisa tirar essa carga do porto no modal rodoviário”, afirmou. O problema é que, embora alguns terminais tenham acessos melhores, a maioria ainda enfrenta dificuldades para dar vazão ao fluxo de cargas.

Balbino também apontou problemas relacionados aos sistemas utilizados nas operações. “A gente tem um problema muito grande sistêmico com agendamento de carga, chegada, saída, horários de operação”, disse. Segundo ele, superar essas dificuldades exigirá tanto investimentos em infraestrutura quanto aportes do setor privado em sistemas.

Integração documental também é desafio

Outro obstáculo está na comunicação entre os documentos utilizados nos diferentes modais. Balbino explicou que os documentos das operações marítimas são diferentes daqueles utilizados no transporte rodoviário, o que dificulta a continuidade da mesma carga ao longo de toda a viagem.

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“Como você faz para integrar a mesma carga que ela inicia no modal marítimo e vai terminar no modal rodoviário ou vice-versa? Então hoje, nesse momento, esse é o desafio”, ressaltou.

Na avaliação do diretor, o Plano Nacional de Logística 2050 pode ajudar a estabelecer maior clareza para autoridades federais e estaduais sobre como essa integração deverá funcionar, tanto nos sistemas quanto na documentação.

“Com a chegada do PNL, nós acreditamos que vai ter clareza, por parte das autoridades federais e estaduais, de como ficarão o sistema, a documentação”, afirmou. Para Balbino, essa definição poderá criar condições para investimentos simultâneos em infraestrutura e em sistemas, permitindo uma integração mais eficiente entre os diferentes modais de transporte.

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