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Momento Agro: Etanol de milho brasileiro pode transformar transporte marítimo global, diz Kátia Abreu

Publicado 18/05/2026 • 13:32 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • IMO aprovou pegada de carbono do etanol de milho brasileiro para uso no transporte marítimo internacional.
  • Kátia Abreu afirma que demanda global pode exigir até 50 bilhões de litros de etanol entre 2030 e 2040.
  • Ela destaca vantagem da “safrona” brasileira, que reduz emissões e amplia competitividade frente aos Estados Unidos.

A aprovação da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro pela IMO, a Organização Marítima Internacional da ONU, abriu espaço para que o Brasil se torne protagonista na descarbonização do transporte marítimo global. Para Kátia Abreu, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a decisão representa uma oportunidade estratégica inédita para o agronegócio e para a indústria nacional de biocombustíveis diante da futura obrigatoriedade de mistura de combustíveis renováveis nos navios.

Em sua participação no quadro “Momento Agro”, do jornal Real Time desta segunda-feira (18), ela lembrou que o diferencial brasileiro está justamente na chamada “safrinha”, que agora virou “safrona” devido à expansão da produção de milho após a colheita da soja. “Hoje todos colhem a soja em fevereiro e já plantam milho na sequência. Virou um plantio gigantesco”, afirmou ao destacar o crescimento acelerado do setor impulsionado pelo avanço do etanol de milho.

Kátia explicou que o Brasil possui uma vantagem competitiva em relação aos Estados Unidos porque consegue realizar uma segunda safra utilizando umidade residual do solo, com menor necessidade de irrigação, fertilizantes e emissão de carbono. “Nos Estados Unidos não existe segunda safra como a nossa. Essa é a grande vantagem do Brasil”, ressaltou.

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Certificação inédita

A ex-ministra destacou que a aprovação concedida pela IMO é resultado de um trabalho técnico e diplomático desenvolvido ao longo dos últimos dois anos envolvendo governo, setor produtivo e instituições brasileiras.

Nós lutamos dois anos por esse papel”, afirmou ao citar a atuação do BNDES, da Marinha do Brasil e do almirante Ilques Barbosa Junior nas negociações internacionais.

Segundo Kátia Abreu, o etanol de milho brasileiro se tornou o primeiro biocombustível compatível com o transporte marítimo internacional a ter sua pegada de carbono oficialmente reconhecida pela IMO. “O etanol de milho brasileiro tem uma pegada de carbono muito pequena”, destacou.

Ela explicou que o combustível apresenta emissões menores justamente porque o cultivo da segunda safra utiliza menos máquinas agrícolas e menos fertilizantes. “A safrinha emite menos carbono e isso virou uma vantagem tecnológica para o Brasil”, observou.

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Pressão sobre navios

Kátia afirmou que a decisão da IMO marca uma mudança importante nas regras ambientais do transporte marítimo mundial, setor que havia ficado fora das metas do Acordo de Paris.

Segundo ela, cerca de 70 mil navios cargueiros operam continuamente nos oceanos e emitem aproximadamente 1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, volume semelhante ao total emitido pela Alemanha. “Os navios emitem o equivalente a toda a emissão da Alemanha”, ressaltou.

Diante desse cenário, a IMO passou a exigir medidas de descarbonização no setor marítimo, incluindo a mistura obrigatória de biocombustíveis no bunker, combustível utilizado pelos navios. “Agora os navios terão que misturar um percentual de biocombustível no bunker para começar a descarbonizar o mar”, explicou.

Segundo Kátia, especialistas internacionais consideram o etanol, tanto de milho quanto de cana, como uma das alternativas mais eficientes para reduzir emissões no transporte marítimo. Ela lembrou ainda que o setor aéreo também deverá ampliar mistura de biocombustíveis no querosene de aviação.

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Demanda bilionária

Na avaliação da ex-ministra, o potencial de crescimento do setor é gigantesco e pode provocar uma expansão histórica da produção brasileira de etanol.

Se entre 2030 e 2040 houver mistura de apenas 10% de etanol no bunker dos navios, serão necessários 50 bilhões de litros de etanol”, afirmou.

Ela destacou que o Brasil atualmente produz cerca de 40 bilhões de litros, somando etanol de cana e de milho. “É praticamente um Brasil inteiro de etanol que o mundo vai precisar”, observou.

Segundo Kátia, a expansão da produção poderá ocorrer sem necessidade de abertura de novas áreas agrícolas. “Temos capacidade de ampliar a safrinha sem desmatar um palmo de terra”, frisou.

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Ela afirmou ainda que o crescimento da produção não deve comprometer o abastecimento de milho para alimentação humana e animal. “A chance de faltar milho para alimentação ou para os animais é zero”, destacou.

Obstáculos e infraestrutura

Apesar do potencial de crescimento, Kátia Abreu reconheceu que ainda existem obstáculos econômicos e logísticos importantes para consolidar o uso do etanol no transporte marítimo.

Segundo ela, o custo do etanol ainda é entre duas e três vezes maior que o bunker tradicional utilizado pelos navios. “O bunker é muito barato e o etanol ainda é mais caro”, afirmou.

Outro desafio apontado é a ausência de infraestrutura global de abastecimento nos portos internacionais. “Ainda não existem postos de abastecimento espalhados pelo mundo”, explicou.

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Kátia afirmou que o avanço da nova matriz energética abrirá espaço para investimentos em redes internacionais de distribuição de etanol para abastecimento marítimo em rotas de longa distância, como viagens entre Brasil e China.

Ela citou ainda que a Vale já encomendou dois navios movidos totalmente a etanol, com operação prevista para começar em 2029. “A Vale está dando exemplo para o mundo de que é possível utilizar esse biocombustível”, ressaltou.

Para a ex-ministra, o Brasil chega ao novo cenário global em posição privilegiada. “Somos o grande campeão mundial dos biocombustíveis”, concluiu ao afirmar que o país já possui vantagem competitiva para liderar a nova demanda global por combustíveis renováveis.

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