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Caso Master: investigação específica sobre Moraes é o caminho mais adequado, avalia Ivar Hartmann

Publicado 05/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Professor do Insper afirma que decisão de Edson Fachin de separar o caso do inquérito das fake news evita que a discussão fique sob relatoria de ministros diretamente envolvidos no embate.
  • Hartmann vê excesso de decisões monocráticas no STF como problema antigo que afeta governança, legitimidade e qualidade das decisões.
  • Segundo o especialista, relatório da Polícia Federal pode servir de base para avaliar indícios, mas não basta sozinho para concluir pela responsabilidade de um ministro.

Os elementos conhecidos até agora no caso Master justificam a abertura de uma investigação específica sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes, avaliou Ivar Hartmann, professor associado do Insper. Para ele, ainda há perguntas sem resposta e a prioridade deveria ser ampliar a coleta de informações antes de qualquer conclusão.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Hartmann comentou a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de retirar do inquérito das fake news a discussão envolvendo um pedido de investigação contra André Mendonça e fazer o tema tramitar separadamente.

“Daquilo que nós conhecemos até agora, a conclusão que me parece mais óbvia é: é preciso investigar, é preciso obter mais informações, é preciso levantar mais informações”, afirmou.

Segundo ele, o caminho mais adequado seria a abertura de uma apuração específica sobre Moraes.

“Me parece que o melhor procedimento é a continuidade da abertura de uma investigação especificamente sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes”, disse.

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Decisão de Fachin tem efeito processual e institucional

Hartmann afirmou que a decisão de Fachin atua em duas frentes. A primeira é processual: impedir que a discussão permaneça em um procedimento sob responsabilidade de um dos ministros diretamente envolvidos na controvérsia.

“Essa discussão, esse embate entre o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça, não poderia ficar dentro de um processo do qual qualquer um dos dois é relator”, afirmou.

A segunda frente é permitir que novas informações sejam reunidas antes de uma decisão.

Segundo o professor, assim como as informações apresentadas anteriormente sobre Moraes precisam ser aprofundadas, também será necessário analisar as alegações feitas contra Mendonça.

“É necessário produzir mais informações sobre as alegações e seu contexto feitas pelo ministro Alexandre de Moraes”, disse.

Excesso de decisões monocráticas é problema antigo, diz professor

Hartmann afirmou que o caso Master voltou a expor uma característica do funcionamento do Supremo que já vinha sendo apontada há anos: o peso elevado das decisões individuais dos ministros.

“Há um excesso de monocratização no Supremo”, afirmou. Segundo ele, essa concentração de poder não surgiu com o atual episódio.

“Eu publiquei há dez anos uma pesquisa e, na época, outros pesquisadores também estavam identificando esse fenômeno”, disse.

Para Hartmann, a prática produz efeitos que vão além de casos específicos.

“Esse excesso de monocratização tem trazido efeitos muito ruins para a governança do tribunal e até para a legitimidade do tribunal. Tem trazido efeitos muito ruins para o conteúdo das decisões”, afirmou.

Inquérito das fake news “cristalizou” problema

O professor afirmou que o inquérito das fake news tornou mais evidente a discussão sobre decisões monocráticas no STF.

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Segundo ele, o procedimento não criou o problema, mas ampliou sua visibilidade.

“O inquérito das fake news talvez tenha cristalizado o problema que já era mais antigo e deixou mais claro, serve como um exemplo muito evidente dos problemas dessa monocratização”, disse.

Relatório da PF pode embasar análise de indícios

Hartmann também comentou o papel de relatórios da Polícia Federal em eventuais investigações envolvendo ministros do STF.

Segundo ele, esse tipo de documento não determina automaticamente a abertura de um inquérito, mas pode ser utilizado para avaliar se existem indícios suficientes.

“O relatório da PF é um documento útil para se avaliar a existência de indícios que autorizariam o início de uma investigação específica sobre determinado ministro”, afirmou.

O professor ressaltou, porém, que a sociedade ainda pode não conhecer todo o material reunido no caso.

“É muito difícil mencionar se o que a gente conhece e teve acesso é uma parte do todo, uma parte pequena do todo, uma parte grande do todo”, disse.

Hartmann também criticou o uso excessivo de sigilo pelo Supremo nos últimos anos, o que, segundo ele, dificulta avaliar a extensão das informações disponíveis.

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Fachin tem mais de um caminho

Segundo Hartmann, Fachin poderia submeter ao plenário uma eventual investigação de Alexandre de Moraes ou até discutir uma apuração relacionada a André Mendonça.

No caso de Mendonça, porém, o professor afirmou não enxergar, a partir do que veio a público, elementos suficientes neste momento.

“Não parece que existam indícios ou evidências minimamente suficientes para isso”, avaliou.

Já em relação a Moraes, Hartmann afirmou que o plenário poderia discutir se deve autorizar formalmente uma investigação.

Outra possibilidade, segundo ele, seria Fachin permitir a continuidade da coleta de provas dentro do procedimento já existente, seguindo entendimento anteriormente adotado pelo próprio Supremo.

“Seria juridicamente defensável se assim fizesse”, afirmou.

O professor, entretanto, demonstrou ceticismo sobre essa alternativa.

“Não me parece que é isso que ele fará. Eu acho improvável que ele faça isso”, disse.

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