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Crise diplomática amplia incertezas para relação entre Brasil e EUA
Publicado 05/08/2026 • 18:12 | Atualizado há 53 minutos
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Publicado 05/08/2026 • 18:12 | Atualizado há 53 minutos
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A escalada da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos faz parte de uma estratégia mais ampla de pressão adotada pelo governo norte-americano, avalia João Alfredo Nyegray, professor de Geopolítica da PUCPR. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (5), o especialista afirmou que a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington se soma ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e aprofunda o desgaste da relação bilateral.
Segundo Nyegray, embora as duas medidas estejam relacionadas, elas pertencem a esferas diferentes da política externa.
“O tarifaço e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti fazem parte de uma mesma estratégia de pressão adotada pelo governo Trump contra o Brasil, utilizando instrumentos diferentes para atingir objetivos distintos. Um está no campo da política comercial, enquanto o outro pertence ao campo diplomático”, afirmou.
Na avaliação do professor, ainda existe espaço para negociações, mas os canais diplomáticos entre os dois governos estão enfraquecidos.
Leia também: Brasil repudia mudança no visto de embaixadora e acusa EUA de escalada nas tensões
“Não me parece que nem o Palácio do Planalto nem o Itamaraty tenham canais abertos com a Casa Branca e com o Departamento de Estado. As últimas conversas entre Trump e Lula sequer ocorreram pelos canais diplomáticos tradicionais”, disse.
Questionado sobre a condução da política externa brasileira, Nyegray afirmou que a deterioração da relação bilateral não decorre de um único episódio, mas de uma sequência de decisões dos dois países.
“Não houve apenas um erro. Houve uma cadeia de erros. Os Estados Unidos romperam protocolos diplomáticos ao divulgar antecipadamente a indicação do embaixador, depois vieram as negativas de vistos por parte do Brasil, o tarifaço e uma sucessão de declarações que agravaram ainda mais o ambiente”, afirmou.
Para o professor, o momento representa um dos períodos mais delicados da história recente da relação entre os dois países.
“Estamos vivendo talvez o pior momento da história diplomática entre Brasil e Estados Unidos, dois países que mantiveram boas relações ao longo de praticamente dois séculos”, disse.
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Siga o Times | CNBCAo comentar a estratégia adotada pelo governo brasileiro, Nyegray afirmou que Brasília associa a crise diplomática às suspeitas de interferência norte-americana na política interna do país.
Segundo ele, existe preocupação com o perfil político de representantes ligados ao governo Trump, mas o uso recorrente do discurso da soberania pode trazer riscos para a diplomacia brasileira.
Leia também: Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos
“O governo parece ter aprendido recentemente o termo soberania e tenta utilizá-lo o tempo todo. Em alguns momentos, isso acaba sendo mais conveniente do que enfrentar questões estruturais que exigem respostas mais complexas”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a atuação recente do governo está distante da tradição diplomática construída historicamente pelo Itamaraty.
Para Nyegray, a tensão entre Brasil e Estados Unidos continuará influenciando o cenário político brasileiro até as eleições. Ele avalia que o governo deverá utilizar o episódio como argumento eleitoral, enquanto a oposição fará o mesmo a partir de uma perspectiva diferente.
Leia também: Ex-embaixador alerta para o impacto da crise diplomática nas eleições brasileiras
“Essa crise possui várias camadas. Existe uma dimensão ideológica, uma eleitoral, uma econômica e outra institucional. Não se trata apenas de Trump contra Lula, mas de uma disputa sobre quem define os limites da influência dos Estados Unidos no Brasil”, afirmou.
Segundo o professor, a revogação do visto da embaixadora é um episódio grave, embora ainda menos severo do que uma expulsão formal de representante diplomático. “Certamente esse episódio será utilizado como moeda na eleição brasileira, tanto pelo governo quanto pela oposição, na disputa pelo Palácio do Planalto”, concluiu.
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