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Economia Brasileira

Juros futuros sobem e mercado vê Selic parada em 13,75% após eleição

Publicado 30/10/2026 • 21:53 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Mercado amplia prêmios nos contratos longos diante da falta de anúncios fiscais e de definições sobre a equipe econômica de Lula.
  • Contratos de DI para janeiro de 2028, 2029 e 2031 encerraram a sexta-feira em alta, aprofundando a inclinação da curva de juros.
  • Investidores passaram a atribuir 80% de probabilidade à manutenção da Selic em 13,75% na próxima reunião do Copom.

A ausência de definições sobre a equipe econômica e de medidas para conter as despesas públicas voltou a pressionar os juros futuros nesta sexta-feira (30). Depois da forte reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os investidores ampliaram os prêmios exigidos nos contratos de longo prazo, enquanto as apostas de manutenção da Selic em 13,75% passaram a dominar as expectativas para a próxima reunião do Banco Central.

O movimento reflete duas preocupações: a possibilidade de aumento dos gastos no próximo mandato e os efeitos inflacionários da desvalorização do real. Sem sinais concretos sobre a condução das contas públicas a partir de 2027, o mercado encerrou outubro com uma curva de juros significativamente mais inclinada.

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No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 avançou de 14,368% para 14,485%. O vencimento de janeiro de 2029 passou de 14,805% para 14,935%, enquanto o DI de janeiro de 2031 subiu de 15,155% para 15,210%.

Curva de juros acumula forte alta em outubro

A diferença entre as taxas de curto e longo prazo cresceu ao longo do mês. Na comparação com o fim de setembro, os contratos para janeiro de 2029 e de 2031 acumularam aumentos de aproximadamente 120 e 130 pontos-base, respectivamente, enquanto os vencimentos mais próximos tiveram pouca variação. A maior parte do ajuste ocorreu nesta semana, especialmente na segunda-feira (26), quando o mercado incorporou o resultado eleitoral.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, o governo terá dificuldade para reduzir essa pressão sem apresentar uma estratégia para financiar compromissos assumidos durante a campanha. Pelas contas do economista, as propostas podem acrescentar R$ 60 bilhões a R$ 80 bilhões às despesas de 2027. “Temos um ponto de partida pior da eleição e, sem anúncios, é natural que seja precificado um risco fiscal muito maior”, disse.

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Kautz avalia que as sinalizações da campanha e o discurso após a eleição apontam para um ajuste fiscal gradual. “Assim, o mercado deve seguir pressionando por mais tempo, especialmente na ponta longa”, afirmou. As expectativas de indicação do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para a Fazenda também perderam força durante a sessão, após ele negar conhecimento de uma viagem de Lula ao estado e conversas sobre o cargo.

Apostas de manutenção da Selic ganham força

Na avaliação de William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, Lula ainda não apresentou sinais suficientes para tranquilizar os investidores. Segundo ele, a discussão sobre uma meta de resultado primário mais ambiciosa para 2027 carece de detalhes, e a indefinição sobre o futuro ministro da Fazenda aumenta a incerteza.

Jackson considera que a combinação de risco fiscal e pressão inflacionária decorrente da queda do real deve afastar novos cortes da Selic nas duas últimas reuniões de 2026. “Antes, cortes de 25 pontos-base nessas reuniões pareciam prováveis”, afirmou. Ao fim da tarde, a curva atribuía 80% de chance de manutenção da taxa básica na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), contra 20% de probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual.

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Para os encontros de dezembro e janeiro, os preços dos contratos embutiam, respectivamente, 17 e 31 pontos-base de alta. A mudança de expectativas também levou o Barclays a revisar sua projeção: o economista-chefe para Brasil, Roberto Secemski, passou a prever estabilidade da Selic na próxima quarta-feira (4), em vez do corte de 0,25 ponto anteriormente esperado. A projeção de pausa em dezembro foi mantida.

Inflação e contas públicas orientam próximos passos

Secemski atribuiu a revisão a “um aumento significativo dos riscos inflacionários”. Com a Selic em 13,75%, a atenção dos investidores se volta agora tanto para o comunicado do Copom quanto para eventuais anúncios do governo sobre a composição da equipe econômica e o financiamento das promessas eleitorais. Sem essas definições, a percepção de risco deve continuar influenciando os juros de prazo mais longo.

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