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Economia Brasileira

Entenda por que o petróleo mais caro eleva arrecadação, mas não cobre pressão fiscal no Brasil

Publicado 21/05/2026 • 13:00 | Atualizado há 10 minutos

KEY POINTS

  • Alta do petróleo aumenta receitas com exportações, royalties e combustíveis, mas não resolve o desequilíbrio fiscal criado por novos estímulos do governo.
  • Marco Saravalle afirma que a política fiscal expansionista pressiona inflação, juros e endividamento, mesmo com ganho adicional de arrecadação.
  • Juros altos desestimulam investimentos produtivos, favorecem renda fixa e podem reduzir o crescimento econômico do Brasil em 2026.

O aumento da arrecadação com petróleo ajuda o caixa do governo, mas não é suficiente para compensar a expansão dos gastos e dos estímulos fiscais, avalia Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital. Segundo ele, a alta da commodity coloca o Brasil em uma posição ambígua: o país se beneficia por ser exportador líquido, mas também sofre com inflação, combustíveis mais caros e juros elevados.

Para Saravalle, o problema fiscal brasileiro é anterior à guerra no Oriente Médio e está ligado ao avanço do endividamento nos últimos anos. “Nossa política fiscal nesse governo é muito expansionista, o que acaba sobreaquecendo a economia, levando ao endividamento maior, e os investidores acabam exigindo um prêmio maior”, afirmou, em entrevista nesta quinta-feira (21) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O estrategista disse que o endividamento bruto do país cresceu cerca de 10 pontos percentuais, ampliando a percepção de risco do Brasil. “A gente está aumentando o déficit, crescendo cada vez mais o nosso endividamento aqui no Brasil”, ressaltou.

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Segundo ele, mesmo com a arrecadação adicional gerada pelo petróleo, o governo ainda terá dificuldade para cobrir o aumento dos gastos. “Os estímulos fiscais neste ano estão somando R$ 140 bilhões, R$ 150 bilhões, já chegando a quase R$ 200 bilhões”, observou.

Na avaliação de Saravalle, o avanço das receitas com exportações de petróleo não cobre todo o pacote de estímulos. “Infelizmente, o governo vai ter que procurar outras alternativas, subir mais impostos para tentar cobrir todo esse estímulo fiscal”, apontou.

Juros sob pressão

A combinação entre petróleo mais caro, política fiscal expansionista e inflação acima da meta aumenta a pressão sobre o Banco Central, afirmou Marco Saravalle. Para ele, a autoridade monetária fica com pouco espaço para reduzir juros diante da deterioração das expectativas.

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O Banco Central não tem outra alternativa a não ser manter os juros altos”, destacou o estrategista, ao lembrar que as projeções de inflação já estão acima do limite superior da meta.

Segundo Saravalle, antes da escalada no Oriente Médio, parte do mercado esperava a Selic em 12% no fim do ano, mas as estimativas já passaram para 13% ou 13,25%. Na curva de juros, o investidor encontra retornos prefixados próximos de 14% para prazos longos.

Esse cenário, afirmou o estrategista, reduz o apetite por risco e trava decisões empresariais. “O investidor começa a ficar até de certa forma preguiçoso, ele não quer mais fazer negócio no Brasil, porque prefere deixar o dinheiro parado”, explicou.

Investimento perde força

Com juros elevados, empresários e investidores passam a exigir retornos muito maiores para justificar novos projetos, disse Saravalle. Segundo ele, isso afeta decisões como abrir uma empresa, comprar máquinas ou ampliar operações.“O empreendedor está tomando 2, 5, 10 decisões antes de investir, antes de abrir um negócio, antes de comprar uma máquina”, ressaltou.

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O estrategista afirmou que esse ambiente também ajuda a explicar o aumento de casos de recuperação judicial e extrajudicial entre empresas brasileiras. Ele citou a fabricante de brinquedos Estrela e o GPA como exemplos de companhias pressionadas por dívida e juros altos.

Para Saravalle, o efeito final é uma economia menos dinâmica. “Essa decisão acaba reduzindo o nosso PIB potencial, acaba reduzindo o nosso crescimento econômico”, afirmou.

Petrobras e combustíveis

O petróleo mais caro tende a beneficiar a Petrobras e seus acionistas, mas a estatal não consegue absorver sozinha toda a defasagem dos combustíveis, avaliou Marco Saravalle. Segundo ele, a empresa tenta segurar parte do impacto, mas há limite para esse subsídio. “Não dá para o acionista da Petrobras pagar toda essa conta sozinho, seja governo, seja você minoritário que está comprando ações em bolsa”, frisou.

O estrategista afirmou que, pelos cálculos da própria Petrobras, cada US$ 10 (R$ 50,3) a mais no preço do petróleo gera US$ 5 bilhões (R$ 25,2 bilhões) adicionais de fluxo de caixa operacional. “O petróleo mais alto é positivo para o acionista da Petrobras”, disse.

Segundo ele, esse caixa maior pode ampliar dividendos e também beneficiar o governo, que é acionista da companhia e arrecada com royalties e exportações. “O próprio país tende a ser beneficiado por conta do aumento da arrecadação com royalties e exportação de petróleo”, destacou.

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Ainda assim, Saravalle alertou que o ganho fiscal não elimina o efeito negativo sobre a população. “A população, infelizmente, vai ficando mais pobre, porque se o produto está ficando mais caro, ou você compra menos ou acaba consumindo menos”, afirmou.

Na avaliação do estrategista, o Brasil caminha para um cenário especialmente difícil neste ano. “A grande discussão de 2026 é uma inflação mais alta com uma desaceleração econômica”, concluiu.

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