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Política monetária não gera estímulo imediato, afirma docente da FGV
Publicado 19/06/2026 • 13:12 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 19/06/2026 • 13:12 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A redução da Selic para 14,25% ao ano não deve ser interpretada como um estímulo à atividade econômica, mas apenas como uma diminuição parcial do aperto monetário ainda existente no país, afirmou o professor de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta sexta-feira (19), ele avaliou que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza cautela e não permite concluir se o ciclo de cortes dos juros chegou ao fim.
Segundo Pessoa, o tom adotado pelo Banco Central reflete as incertezas provocadas pelo cenário político e econômico global. “Pelo tom da comunicação do Banco Central, parece mostrar que eles estão muito atentos ao desenrolar deste ano, que é um ano eleitoral tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Nós temos problemas de várias guerras ao redor do mundo. Então, é difícil precisar se vai haver mais cortes ou não”, afirmou.
O economista destacou que a redução anunciada pelo Copom não altera significativamente as condições financeiras da economia brasileira. “Essa redução de 0,25 também não é um estímulo para a economia. É apenas a diminuição de um excesso de aperto monetário. A gente sabe que 14,25% é uma taxa muito contracionista ainda”, observou.
Leia também: Copom abre espaço para novos cortes da Selic, mas inflação ainda limita ritmo
Ao comentar a atuação da autoridade monetária, Pessoa ressaltou que a autonomia do Banco Central é fundamental para garantir decisões técnicas e alinhadas à meta de inflação. “O Banco Central aplica uma política de Estado, não uma política de governo. É muito importante que eles tenham autonomia para fazer o seu trabalho totalmente técnico, sem depender nem do mercado nem do governo, e perseguir a sua meta de inflação”, ressaltou.
Segundo ele, a legislação que garantiu a independência operacional da instituição também ajuda a reduzir pressões externas sobre as decisões de política monetária. “Isso blinda o Banco Central não só do governo como do mercado”, acrescentou.
Pessoa também comentou a mudança na metodologia utilizada para acompanhar o cumprimento da meta inflacionária. De acordo com ele, a adoção do sistema de meta contínua exige uma análise mais ampla dos indicadores antes de concluir que houve descumprimento do objetivo estabelecido.
Leia também: Copom reduz juros básicos em 0,25 ponto e leva Selic a 14,25% ao ano
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Siga o Times | CNBC“Só é considerado que a inflação está fora quando nós temos seis meses consecutivos fora dessa meta. E nós ainda não temos”, explicou.
Na avaliação do economista, a mudança reduz o risco de reações precipitadas diante de oscilações temporárias dos índices de preços. “Toda essa alteração da forma de contabilizar a meta contínua de inflação é para corrigir e blindar contra overreaction do próprio mercado, porque o mercado antecipa, ele é muito rápido”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de o Brasil conviver com juros elevados por um período prolongado, Pessoa afirmou que o fenômeno está ligado a uma conjuntura internacional mais ampla e não apenas a fatores domésticos.
“Essa taxa de juros realmente elevada afeta o país e parece que isso se estende no horizonte não por questões brasileiras, não por questão fiscal, mas por conta de uma coisa mundial”, avaliou.
Leia também: Preocupação fiscal pesa sobre Bolsa e pode limitar novos cortes da Selic
Segundo ele, economias desenvolvidas enfrentam desafios semelhantes. “Nós estamos vendo nos Estados Unidos essa taxa de juros mais alta e mais alongada. Estamos vendo no mercado europeu também. São momentos de instabilidades globais, não só por aqui”, destacou.
Para o professor, as incertezas refletem transformações mais profundas na economia internacional e na distribuição de poder entre as principais regiões do planeta. “Nós estamos em um momento realmente de mudanças estruturais. É difícil saber até quando isso vai durar, mas isso afeta indiscriminadamente todos os países”, concluiu.
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