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Economia Brasileira

Queda do petróleo pode aliviar inflação e abrir espaço para cortes graduais da Selic

Publicado 25/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O recuo do petróleo pode reduzir pressões inflacionárias no Brasil e no exterior se os preços permanecerem em níveis mais baixos.
  • Para Carla Beni, o Banco Central pode continuar reduzindo a Selic "no conta-gotas" caso o cenário se mantenha favorável.
  • A economista avalia que o dólar deve permanecer na faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20 e considera improvável uma alta para R$ 6.

A manutenção da queda nos preços do petróleo pode aliviar a inflação global e favorecer um ambiente mais propício para cortes graduais da taxa Selic no Brasil, avaliou Carla Beni, economista e professora da FGV, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (24). Para ela, a melhora do cenário depende da continuidade das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz e da redução das tensões geopolíticas.

Petróleo e inflação

Ao comentar a recente desvalorização do petróleo, Carla Beni observou que o movimento reflete a percepção de avanço nas negociações e destacou a rapidez da queda das cotações. “A velocidade da queda do petróleo está sendo muito interessante. Há pouco tempo atrás estávamos conversando com o barril a US$ 100, e agora essa queda realmente está sinalizando que essas tratativas seguem e talvez sigam num bom caminho”, pontuou.

Na avaliação da economista, um período mais prolongado de preços baixos tende a aliviar a inflação, sobretudo em países que fazem o repasse imediato das oscilações do petróleo aos combustíveis. “Se isso for mantido nesse patamar, sim. Nos Estados Unidos, onde eles trabalham com a paridade do preço internacional, o repasse é muito mais rápido. O combustível já subiu mais de 25%, então, se o petróleo cair e permanecer nesse nível, isso também é um alívio para o mundo todo”, explicou.

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Selic e dólar

Sobre a ata do Copom, a professora da FGV afirmou que o Banco Central segue focado na convergência da inflação para a meta e que um ambiente externo mais favorável pode abrir espaço para novos cortes graduais da taxa básica de juros. “Se essa oscilação se mantiver, ele vai acabar provavelmente fazendo uma manutenção ou continuar reduzindo a taxa Selic no conta-gotas, de 0,25 ponto percentual. O grande problema é que a nossa Selic sobe de elevador e desce de escada”, ressaltou.

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Questionada sobre o comportamento do câmbio, Carla Beni afirmou que não vê espaço para o dólar atingir R$ 6, embora considere possível uma acomodação da moeda em torno dos níveis atuais. “Seis jamais. Não consigo nem pensar nisso porque isso seria um repasse para o processo inflacionário. Acho que podemos ter nos ajustado nesse outro patamar, entre R$ 5,15 e R$ 5,20. Se vier mais estabilidade e essa guerra realmente se finalizar, é capaz que a gente consiga reduzir um pouquinho”, avaliou.

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Fed no radar

Ao analisar a possibilidade de uma alta dos juros nos Estados Unidos, a economista considerou que esse cenário ainda não é o mais provável. Segundo ela, as decisões do Federal Reserve (Fed) continuarão condicionadas ao comportamento da inflação e do mercado de trabalho, além da evolução do cenário geopolítico.

“A chance do juro subir não me parece algo tão crível neste momento, sempre considerando que o acordo vai ser fechado, que o Estreito de Ormuz vai continuar aberto e que não haverá uma nova guerra. Preciso sempre fazer essa consideração”, concluiu.

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