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Entenda como investigação do Banco Master pode ter impacto relevante nas eleições
Publicado 18/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/06/2026 • 14:20 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As investigações envolvendo o Banco Master têm potencial para produzir efeitos significativos no cenário político brasileiro, especialmente em um período pré-eleitoral, segundo Carlos Eduardo Delmondi, advogado especializado em Direito Penal Econômico e sócio do escritório Oliveira e Olivi Advogados. Na avaliação dele, operações dessa magnitude costumam ultrapassar o campo jurídico e gerar consequências institucionais e eleitorais.
Segundo Delmondi, que concedeu entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (18), o histórico recente do país demonstra que investigações envolvendo agentes públicos e estruturas de poder podem influenciar diretamente o debate político e a percepção da sociedade sobre seus representantes.
“Nós já vivemos essa experiência em passado recente e sabemos como operações dessa natureza, envolvendo núcleos da política nacional e servidores públicos, podem influenciar de modo bastante severo no resultado das eleições”, afirmou.
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O advogado explicou que a delação premiada continua sendo um instrumento relevante para investigações complexas, mas destacou que seu peso diminui à medida que as autoridades acumulam provas por outros meios.
Segundo ele, as apreensões realizadas pela Polícia Federal já teriam permitido acesso a uma grande quantidade de informações sobre a estrutura investigada.
“Com a apreensão de vários celulares e o acesso ao conteúdo desses aparelhos, me parece que a Polícia Federal já obteve muitos elementos sobre a estrutura financeira, patrimonial e política que está sob investigação”, observou.
Leia também: O que está por trás da nova fase do caso que envolve o Banco Master?
Por esse motivo, Delmondi acredita que eventuais colaboradores precisarão apresentar fatos novos para que seus depoimentos tenham utilidade prática. “Para que a delação seja importante, os delatores precisam trazer algo a mais, algo que fuja desse núcleo de informações que já foi acessado pela Polícia Federal”, ressaltou.
Na avaliação do advogado, as tentativas de colaboração feitas até agora não convenceram os investigadores de sua relevância. “Conforme a investigação vai se desenvolvendo e o acesso às informações aumenta, cada vez mais uma delação deixa de ser relevante”, acrescentou.
Questionado sobre como esquemas de grande porte conseguem se desenvolver mesmo diante de mecanismos de transparência e controle, Delmondi afirmou que a resposta vai além do campo jurídico.
Segundo ele, embora o sistema penal desempenhe papel importante no combate a irregularidades, não é capaz de resolver sozinho problemas estruturais relacionados à ética pública.
“O Direito Penal faz o que pode. Ele pune as pessoas e as instituições cumprem um papel importantíssimo, mas me parece que aquilo que a população clama é maior do que isso”, afirmou.
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Seguir no GoogleO advogado destacou que o Brasil já passou por grandes operações de combate à corrupção e, ainda assim, continua enfrentando casos semelhantes. “Se nós olharmos para a história, veremos sempre um aumento de penas e uma busca por mais punição, mas essa mudança de comportamento não acontece na mesma proporção”, observou.
Para Delmondi, o enfrentamento duradouro desse tipo de problema depende de transformações mais amplas na sociedade, especialmente na educação e na formação de valores coletivos.
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“A gente precisa ter uma mudança cultural plena. O Direito Penal pode pouco diante desse desafio. É preciso um processo que envolva educação, formação cidadã e uma reflexão coletiva sobre ética e responsabilidade pública”, argumentou.
Ele ressaltou que o trabalho de instituições como Polícia Federal e Ministério Público permanece essencial, mas defendeu que a construção de uma cultura de integridade exige participação de toda a sociedade. “Se a gente, enquanto cidadão, não olhar para dentro de si e pensar nessas questões, não vai conseguir alcançar o resultado que todos nós desejamos”, concluiu.
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