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Operação Ifrit: família Haidar está entre os 29 alvos de ação da PF contra esquema de R$ 500 milhões
Publicado 05/11/2026 • 11:22 | Atualizado há 4 minutos
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Publicado 05/11/2026 • 11:22 | Atualizado há 4 minutos
KEY POINTS
Polícia Federal/Divulgação
Agentes da Polícia Federal durante a Operação contra um grupo suspeito de tráfico internacional de drogas e armas.
Integrantes da família Haidar, apontada como responsável pelo comando de uma organização criminosa na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, e um delegado suspeito de participar do desvio de duas toneladas de cocaína apreendida estão entre os 29 alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal na quarta-feira (04).
O grupo é investigado por movimentar mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos.
Segundo a PF, a estrutura criminosa seria comandada por três irmãos da família Haidar, com a participação de filhos e outros parentes. A organização teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), além de contar com policiais que forneciam informações sigilosas e proteção às atividades ilegais.
Um dos principais investigados é o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande. Preso desde setembro, durante a Operação Infiltrados, ele é suspeito de facilitar o acesso de criminosos ao depósito da unidade para substituir cocaína apreendida por uma mistura adulterada. A investigação estima que o esquema tenha rendido pelo menos R$ 15 milhões ao delegado.
A Operação Ifrit teve autorização da Justiça Federal de Campo Grande e foi realizada em sete estados, com 25 mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária e 76 de busca e apreensão. Segundo o portal G1, também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis de suas funções.
Leia também: PF faz operação contra tráfico internacional em sete estados e cumpre 26 mandados de prisão
As investigações identificaram a região entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, como a principal base de atuação do grupo. De acordo com a PF, a organização era estruturada em torno do núcleo familiar e mantinha uma rede de colaboradores envolvidos na compra, no transporte, na distribuição de drogas e na movimentação de recursos financeiros.
Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão um haras de luxo, seis fazendas que somam mais de cinco mil hectares, mansões, veículos de alto padrão, lanchas e cavalos de raça. Um dos nomes relacionados ao grupo é Maroan Fernandes Haidar Ahmed, condenado em janeiro de 2025 a 21 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de Fábio Batista de Jesus. O homicídio ocorreu em 3 de dezembro de 2018, em um posto de combustíveis.
Em 2019, quando estava foragido, Maroan chegou a integrar a lista de procurados da Interpol. Na época do julgamento, ele já estava preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.
A investigação aponta que Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teria utilizado o cargo na Denar para permitir que integrantes da organização entrassem no depósito onde eram armazenados entorpecentes apreendidos por forças de segurança. Segundo a Polícia Federal, o grupo teria retirado aproximadamente duas toneladas de cocaína com alto grau de pureza, substituindo a droga por material adulterado para evitar a descoberta dos desvios.
A mistura utilizada na substituição continha cerca de 10% ou menos de cocaína, além de ingredientes como amido de milho, fermento e substâncias aglutinantes. Para dificultar a identificação da fraude, os envolvidos também teriam reproduzido as características visuais das embalagens originais e realizado testes para verificar se o material adulterado apresentava resultado semelhante ao da cocaína nos exames preliminares.
A suspeita é de que o esquema tenha explorado falhas no controle dos entorpecentes armazenados. Conforme a PF, as verificações realizadas identificavam a presença da substância, mas não avaliavam rigorosamente seu grau de pureza.
Depois da substituição, a droga adulterada era encaminhada para destruição pelo próprio delegado, segundo os investigadores. Conversas, fotografias e vídeos obtidos durante a apuração indicariam a presença de integrantes do grupo nas dependências da unidade policial e a manipulação dos entorpecentes.
Os investigadores estimam que cada quilo de cocaína retirado do depósito tenha sido comercializado por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil. Em aproximadamente dois anos, o esquema teria proporcionado ao delegado ganhos de pelo menos R$ 15 milhões.
A apuração também identificou bens associados a Hoffman, entre eles uma mansão em um condomínio Alphaville, em Campo Grande, um sítio em Pirenópolis, em Goiás, e diversos veículos. A Polícia Federal investiga a origem desse patrimônio e sua possível relação com os recursos obtidos por meio das atividades criminosas.
Além de Hoffman, os policiais civis Andrey Elesbão Silva e Douglas Tobias aparecem entre os investigados.
Conforme a PF, Andrey teria utilizado senhas funcionais para consultar sistemas restritos de segurança pública, obtendo informações sobre veículos, pessoas e a rotina de adversários da organização.
Os dados seriam repassados aos responsáveis pelo esquema para acompanhar deslocamentos e antecipar possíveis riscos. Ele também é suspeito de retardar investigações que poderiam comprometer integrantes da família.
Douglas Tobias, que também está preso desde setembro, é investigado por supostamente participar da rede de proteção ao grupo e à circulação das cargas de drogas. A PF identificou movimentações financeiras associadas ao policial e a possíveis pagamentos destinados à cooptação de agentes públicos.
As suspeitas de participação de servidores se estendem a policiais militares de Mato Grosso do Sul e a um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Segundo a investigação, alguns agentes receberiam dinheiro ou bens em troca de informações estratégicas e apoio às atividades da organização.
A Polícia Federal identificou que a organização adquiria drogas e armamentos principalmente na Bolívia, no Peru e no Paraguai. As cargas entravam no Brasil pela fronteira de Mato Grosso do Sul e eram encaminhadas a diferentes municípios, incluindo destinos em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O grupo também teria utilizado o território brasileiro como ponto de armazenamento e transporte de entorpecentes enviados à Europa, especialmente Espanha e Portugal. Além do comércio ilegal de drogas e armas, os investigados são suspeitos de envolvimento em sequestros, torturas, atentados e homicídios.
Segundo a PF, a organização empregava armamentos pesados, veículos blindados e violência para intimidar adversários e manter o controle de áreas utilizadas nas atividades criminosas.
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Siga o Times | CNBCA movimentação financeira superior a R$ 500 milhões foi identificada a partir da análise de informações bancárias, fiscais e telemáticas obtidas durante a investigação. De acordo com a Receita Federal, os valores teriam circulado por contas de investigados, intermediários financeiros, empresas de fachada e negócios simulados, utilizados para esconder a origem e o destino do dinheiro.
As apurações também encontraram indícios de utilização de terceiros para ocultar bens e dificultar o rastreamento dos recursos.
A investigação teve início após o compartilhamento de provas obtidas em outro procedimento. A partir desse material, foram autorizadas medidas judiciais que permitiram identificar as relações entre os suspeitos, rastrear transferências financeiras e reconstruir o funcionamento da organização.
A relação de investigados divulgada inclui integrantes da família Haidar, policiais e outros suspeitos de participação no esquema:
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