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Relatório do BC aponta perda potencial de R$ 11,4 bilhões no BRB após operações com Master
Publicado 17/09/2026 • 12:45 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 17/09/2026 • 12:45 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
Fachadas do Banco Master e do BRB; relatório do Banco Central aponta perda potencial de R$ 11,4 bilhões no banco público após operações com ativos ligados ao Master.
Um relatório do Banco Central aponta que o Banco de Brasília (BRB) pode ter perdas de até R$ 11,4 bilhões em ativos adquiridos do Banco Master e de empresas ligadas ao grupo.
O valor supera os R$ 8,8 bilhões que vinham sendo considerados nas discussões sobre a necessidade de capitalização do banco público. Em maio, o BRB aprovou ajustes em um aumento de capital que pode chegar a esse valor.
O relatório, produzido em dezembro de 2025 e obtido pelo UOL, mostra que o BRB comprou R$ 33,9 bilhões em ativos ligados ao Master.
Desse total, R$ 15,7 bilhões em carteiras foram devolvidos após a identificação de problemas e substituídos por outros ativos, como cotas de fundos, empréstimos e títulos.
Leia também: Caso Master: associações de servidores investigadas na Bahia registraram descontos de R$ 1 bilhão em folha
A estimativa do Banco Central considera diferentes tipos de ativos recebidos pelo BRB nas operações com o Master. Cerca de R$ 2,06 bilhões correspondem a créditos consignados Credcesta originados pela Tirreno.
Outros R$ 580 milhões referem-se a créditos que não existiam ou que apresentavam problemas de origem. Segundo o relatório, o BC determinou que esses dois grupos, que somam aproximadamente R$ 2,6 bilhões, fossem integralmente provisionados como perda.
Há ainda R$ 3,5 bilhões em empréstimos concedidos a empresas e títulos repassados pelo Master. Parte desses ativos tinha prazos longos e vencimentos prorrogados. O BC determinou que fossem classificados como problemáticos caso o BRB não comprovasse a capacidade de pagamento dos devedores.
Outros R$ 5,2 bilhões estão concentrados em cotas de fundos de investimento recebidas pelo BRB. O Banco Central apontou falta de auditoria independente, baixa liquidez, possíveis passivos não identificados e falhas nos procedimentos usados para estimar o valor desses ativos.
Os valores não podem ser simplesmente somados a outras perdas já reconhecidas pelo banco, porque parte das provisões pode estar incluída nesses mesmos ativos.
As operações entre BRB e Master são investigadas pela Polícia Federal. Uma perícia apontou que a diretoria do banco público aprovou 25 operações com o Master, totalizando R$ 17,5 bilhões.
Documentos já divulgados mostram que R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário compradas pelo BRB foram consideradas falsas. Uma auditoria citada pela PF estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo relacionado a essas carteiras.
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Siga o Times | CNBCO BRB também desembolsou R$ 7,63 bilhões ao Master em 22 operações antes da assinatura dos pareceres técnicos das áreas responsáveis. Segundo a PF, os pagamentos continuaram mesmo após alertas internos sobre falhas de controle, risco de fraude e problemas nos créditos adquiridos.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram ainda que o BRB já fornecia recursos ao Master desde 2024, meses antes do anúncio da tentativa de aquisição da instituição pelo banco público.
Parte dos ativos questionados pelo Banco Central está ligada à Tirreno Consultoria Promotora de Crédito e Participações S.A., empresa apontada na investigação como originadora de carteiras de crédito consignado repassadas ao BRB.
Antes disso, créditos usados nas operações com o banco público haviam sido associados à Asteba e à Asseba, duas entidades de servidores da Bahia. As associações somavam pouco mais de 103 mil autorizações de desconto em folha em 2025, com carteira estimada em cerca de R$ 1 bilhão.
Esse valor é bem inferior aos R$ 6,7 bilhões em créditos que chegaram a ser vinculados às duas entidades nas operações relacionadas ao Master. Depois de questionamentos sobre a origem desses ativos, o banco passou a indicar a Tirreno como originadora das carteiras.
A Polícia Federal investiga como esses créditos foram formados e repassados ao BRB. Segundo a apuração, Augusto Lima, ex-sócio do Master, teria participado da criação de carteiras consideradas fraudulentas. A defesa dele nega sua participação nas negociações desses ativos com o banco público.
O tamanho das perdas relacionadas às operações com o Master levou o BRB a buscar reforço de capital.
Em abril, o banco aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, com possibilidade de emissão de até 1,6 bilhão de ações. A medida faz parte da reorganização financeira do banco após os impactos do caso Master.
Em maio, o BRB ajustou a operação para permitir que os recursos aportados fossem incorporados gradualmente ao capital. O valor máximo continuou em aproximadamente R$ 8,8 bilhões.
O relatório do BC aponta, porém, uma perda potencial superior a esse valor.
Procurado sobre o documento, o BRB afirmou que as operações fazem parte do conjunto de transações relacionadas ao ecossistema do Banco Master que vêm sendo analisadas e reavaliadas pelo banco e pelos órgãos competentes.
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