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Acordo com UE pode acelerar migração de empresas brasileiras para o Paraguai, avalia especialista
Publicado 06/05/2026 • 11:37 | Atualizado há 26 minutos
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Publicado 06/05/2026 • 11:37 | Atualizado há 26 minutos
KEY POINTS
A combinação entre o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia e os incentivos fiscais do Paraguai pode intensificar o movimento de empresas brasileiras em direção ao país vizinho, segundo Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Unifesp. Em entrevista ao Pré-Market, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quarta-feira (6), ela afirmou que o Paraguai vem se consolidando como uma plataforma estratégica de exportação para o mercado europeu.
“O Brasil já tem um histórico de aproveitar os vizinhos para internacionalização, especialmente o Paraguai pela baixa carga tributária”, afirmou a especialista.
Segundo ela, a chamada Lei de Maquila tornou o ambiente paraguaio especialmente competitivo para empresas brasileiras. Pelo modelo, insumos e máquinas entram no país sem tarifas, desde que o produto final seja exportado. “Se exportado, o imposto é de apenas 1%”, destacou.
Regiane lembrou ainda que a legislação foi recentemente ampliada para novos segmentos econômicos. “Em abril, essa lei passou também a contemplar empresas de serviços e tecnologia”, explicou.
Leia também: Acordo Mercosul-UE exige adaptação a padrões ambientais e técnicos
Na avaliação da professora, o movimento tende a ganhar força não apenas na indústria tradicional, mas também em áreas ligadas à economia digital. “O setor de serviços deve usar o Paraguai como plataforma para o mercado europeu e para matrizes no Brasil”, pontuou.
Ao comentar a migração de operações de empresas como Lupo, Riachuelo e Estrela para o Paraguai, Regiane Bressan afirmou que a diferença de custos entre os países ajuda a explicar o avanço desse processo. “Sim, a diferença tributária é gritante”, disse.
Segundo ela, enquanto determinados setores enfrentam carga tributária entre 40% e 46% no Brasil, o Paraguai opera com níveis significativamente inferiores. “O Paraguai se posiciona de forma estratégica com a Lei de Maquila”, ressaltou.
Leia também: Mercosul: impasse com Paraguai atrasa divisão de cotas de acesso preferencial à UE
Para a especialista, o país vizinho deixou de ser apenas um pequeno mercado consumidor para assumir um papel mais relevante na cadeia produtiva regional. “O Paraguai passa a ser um polo de produção competitiva voltado para exportação, aproveitando custos operacionais e impostos drasticamente menores que os brasileiros e argentinos”, afirmou.
Apesar do avanço competitivo do Paraguai, Regiane destacou que o acordo com a União Europeia também traz desafios importantes relacionados às exigências ambientais e regulatórias impostas pelo bloco europeu.
“Esse é um contraponto fundamental”, frisou.
Segundo ela, o Brasil ainda possui vantagens relevantes em infraestrutura e adaptação às normas exigidas pelos europeus. “O Brasil tem maior capacidade de cumprir legislações ambientais e de sustentabilidade exigidas pela União Europeia”, observou.
Na avaliação da professora, o Paraguai ainda está atrás dos demais países do Mercosul nesse aspecto. “O Paraguai está mais defasado em termos de legislação ambiental dentro do Mercosul”, apontou.
Ela acredita que o novo cenário comercial pode gerar pressão para uma harmonização regulatória no bloco. “Haverá uma pressão sobre o Paraguai para se adequar”, destacou.
Leia também: Mercosul-UE: 5 pontos para entender o impacto imediato do acordo
Regiane Bressan afirmou que o avanço da integração regional dependerá menos da competição entre países e mais da capacidade de construção de cadeias produtivas compartilhadas.
“O ideal seria o Mercosul padronizar suas normativas e buscar complementaridade produtiva”, defendeu.
Segundo ela, o fortalecimento do bloco passa pela criação de uma lógica mais integrada de produção. “Em vez de apenas competirem entre si, os países deveriam criar cadeias em que cada um contribui com uma parte, resultando em um produto 100% Mercosul”, concluiu.
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