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Kátia Abreu: combinação de crises está por trás da disparada da inadimplência no agro

Publicado 25/05/2026 • 13:22 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ex-ministra afirma que supersafra não foi suficiente para compensar queda das commodities, dólar mais baixo, juros elevados e impacto climático sobre produtores rurais.
  • Inadimplência no campo atingiu nível recorde mesmo com avanço da produção agrícola e crescimento expressivo da agropecuária brasileira.
  • Senado e governo negociam ampliação de recursos para renegociação de dívidas antes do lançamento do próximo Plano Safra.

A combinação entre quebra de produtividade provocada pelo clima, queda nos preços internacionais das commodities, dólar mais fraco e custos elevados de produção levou o agronegócio brasileiro a enfrentar uma crise de endividamento mesmo em meio à maior safra da história, afirmou a notável do Times Brasil -Licenciado Exclusivo CNBC, Kátia Abreu, nesta segunda-feira (25), durante sua participação no quadro “Momento Agro”, do jornal Real Time.

Segundo ela, o recorde de produção agrícola não garante, por si só, capacidade de pagamento ao produtor rural. “Supersafra nem sempre paga as contas”, ressaltou Kátia ao comentar o avanço da inadimplência do setor, que atingiu 7,4% entre produtores pessoas físicas, maior patamar da série histórica do Banco Central do Brasil iniciada em 2011.

A ex-ministra destacou que o agronegócio continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira, respondendo por cerca de 25% do PIB, metade das exportações do País e aproximadamente 28,5 milhões de empregos. “A nossa balança comercial não é negativa principalmente pelo agronegócio”, frisou.

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Crise acumulada

Kátia afirmou que o setor vem enfrentando sucessivos problemas climáticos há cerca de cinco anos, incluindo enchentes no Rio Grande do Sul e secas prolongadas no Centro-Oeste e na região do Matopiba. Segundo ela, esses eventos reduziram produtividade e comprometeram a capacidade financeira dos produtores.

Se perde lavoura, não tem como pagar o banco”, pontuou.

Ela explicou que muitos agricultores precisaram complementar o crédito subsidiado do Plano Safra com financiamentos a juros de mercado, hoje próximos de 13,5% ao ano, o que agravou ainda mais o endividamento.

Ao mesmo tempo, o setor sofreu com a queda nos preços da soja e de outras commodities agrícolas no mercado internacional, além da valorização do real frente ao dólar, movimento que reduz a receita em moeda brasileira dos exportadores.

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Nós tivemos uma união de tudo que é ruim nessa vida que podia acontecer com algum setor”, observou.

Fertilizantes e guerras

A ex-ministra também relacionou a piora financeira do agro às tensões geopolíticas internacionais, que elevaram os custos de fertilizantes e insumos agrícolas.

Segundo ela, os conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia e Irã afetaram diretamente o abastecimento de potássio e nitrogenados utilizados pela agricultura brasileira. “Está tudo com os preços pela hora da morte”, destacou.

Kátia afirmou que os pedidos de recuperação judicial no setor cresceram cerca de 50% em relação ao ano passado e que as dívidas em atraso já superam R$ 41 bilhões. “Ninguém pede recuperação judicial à toa. É um martírio”, enfatizou.

Renegociação em debate

A ex-ministra afirmou que o governo federal negocia com o Senado uma proposta de renegociação das dívidas rurais antes do lançamento do próximo Plano Safra, previsto para junho.

Ela citou o Projeto de Lei 5122, relatado pelo senador Renan Calheiros, como uma das principais iniciativas em discussão no Congresso. Segundo Kátia, o governo ofereceu cerca de R$ 81,6 bilhões para renegociar passivos do setor, enquanto parlamentares defendem um volume maior de recursos.

A ex-ministra afirmou que a renegociação é considerada essencial para permitir que produtores tenham acesso ao novo crédito rural. “O produtor precisa estar quite no banco para pegar dinheiro novo”, explicou.

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Ela defendeu ainda que os débitos sejam alongados por prazos maiores, diante da dificuldade dos produtores em conciliar pagamento de dívidas antigas com os custos da nova safra.

Nós precisamos organizar tudo isso para termos outra supersafra, mas que dê conta de pagar as contas”, concluiu.

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