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Fabricantes veem avanço chinês na Agrishow, mas apontam barreiras para consolidação no Brasil
Publicado 09/05/2026 • 17:39 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 09/05/2026 • 17:39 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O crescimento das fabricantes chinesas de máquinas agrícolas ganhou força na 31ª Agrishow 2026 e passou a mobilizar a atenção de empresas tradicionais instaladas há décadas no Brasil. Neste ano, o grupo asiático reuniu mais de 50 expositores, número superior aos 18 participantes da edição anterior, em um espaço organizado pela Rhino Agri, associação que representa mais de 500 fabricantes chineses interessados em ampliar operações no mercado brasileiro.
O CEO da plataforma, Neeson Cheng, afirmou ao Estadão, em 30 de abril, que a estratégia envolve apresentar o portfólio tecnológico das empresas chinesas ao agronegócio brasileiro e preparar a instalação de um “balcão de negócios permanente” no País para facilitar a importação de máquinas e equipamentos.
Apesar do avanço asiático, fabricantes já consolidados no Brasil afirmam que a disputa vai além do preço das máquinas. O CEO da Baldan, Fernando Capra, classificou o movimento como uma “concorrência saudável”, mas ressaltou que a consolidação das marcas chinesas ainda depende de etapas importantes.
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“Tropicalização, rede de assistência técnica e construção de marca levam tempo. Tudo tem seu ciclo”, afirmou Capra ao Broadcast Agro. O executivo destacou ainda que a Baldan, sediada em Matão (SP), levará 98 anos de atuação no mercado brasileiro neste ano.
A avaliação é compartilhada por executivos de multinacionais do setor. Para o head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da AGCO, Luis Felli, o principal desafio para novos concorrentes é estruturar uma rede sólida de concessionárias e suporte técnico.
“O agricultor brasileiro não compra apenas um equipamento, mas um pacote de confiança que inclui peças, assistência técnica e previsibilidade ao longo de muitos anos de uso”, afirmou.
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Outro ponto apontado por executivos do setor envolve o valor de revenda das máquinas. Segundo Felli, esse fator ainda favorece fabricantes com presença consolidada no País e mercado secundário estruturado.
“Uma coisa é comprar uma máquina mais barata. Outra é saber por quanto você vai vender essa máquina no fim da vida útil e quem vai comprar”, afirmou o executivo.
A adaptação das máquinas ao ambiente brasileiro também aparece como obstáculo para empresas estrangeiras. Felli afirmou que os equipamentos operam em condições severas no Brasil, muitas vezes durante 24 horas por dia, o que exige processos extensos de tropicalização e testes de engenharia.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o desenvolvimento necessário para atingir os padrões exigidos pelos produtores rurais pode levar anos.
O COO da Indústrias Colombo, Neto Colombo, afirmou que a expansão chinesa também reflete mudanças na cadeia global de suprimentos. Segundo ele, parte da indústria já depende de componentes asiáticos, inclusive no Brasil.
“O que a gente busca é capturar valor dessa nova dinâmica, oferecendo soluções mais próximas, com menos risco logístico e mais previsibilidade”, afirmou. A estratégia da empresa inclui fabricar localmente componentes atualmente importados da China, como redutores planetários.
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Para Colombo, há espaço para diferentes modelos de negócio, mas fatores como proximidade e relacionamento continuam relevantes. “O produtor busca eficiência, mas também segurança”, afirmou.
O vice-presidente da Fendt e Valtra e gerente-geral da AGCO América Latina, Marcelo Traldi, afirmou que o pós-venda tende a ganhar ainda mais importância em um cenário de margens apertadas no campo.
“A máquina agrícola é uma ferramenta de trabalho. O produtor não pode correr riscos”, declarou durante coletiva na Agrishow. Segundo ele, a disponibilidade de peças, a rapidez no atendimento e a capilaridade das concessionárias são fatores decisivos na escolha dos fornecedores.
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Traldi também ressaltou o histórico das empresas já instaladas no Brasil. “São décadas investindo, desenvolvendo produto, testando em campo. Isso constrói uma base que não se replica de um dia para o outro”, afirmou. O executivo acrescentou que nenhum equipamento chega ao mercado sem passar por 15 mil a 20 mil horas de testes.
Apesar da preocupação com a chegada de novos concorrentes, executivos do setor avaliam que o diferencial competitivo no agronegócio brasileiro ainda está ligado ao suporte oferecido ao produtor.
“Não é só colocar a máquina no campo. É provar, ao longo dos anos, que ela vai continuar lá, funcionando”, resumiu Luis Felli.
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