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UE compra US$ 1 bi em carne bovina do Brasil; veja o que está em jogo na disputa sanitária
Publicado 12/05/2026 • 22:45 | Atualizado há 36 minutos
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Publicado 12/05/2026 • 22:45 | Atualizado há 36 minutos
KEY POINTS
Foto: Canva
Carne bovina
Em 2025, a União Europeia (UE) comprou US$ 1,06 bilhão em carne bovina brasileira. O valor representou quase 6% da receita total do Brasil com exportações da proteína, apesar do bloco ter respondido por menos de 4% do volume embarcado.
Ao todo, a UE paga cerca de US$ 8.220 por tonelada, ante uma média geral de US$ 5.150 nas exportações brasileiras. Ou seja, o bloco compra menos que China e Estados Unidos, mas paga proporcionalmente mais. É o que o setor chama de mercado premium.
Nesta terça-feira (12), a Comissão Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco a partir de setembro de 2026. A decisão, aprovada pelo Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Rações, foi justificada pelo não cumprimento de exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. As vendas seguem autorizadas até 3 de setembro.

O anúncio veio onze dias depois do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor, em 1º de maio. O tratado havia reduzido a zero a tarifa sobre os cortes nobres da chamada Cota Hilton — que antes era de 20% — e criado uma nova cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do bloco.
Os primeiros embarques brasileiros sob tarifa zero para a Europa acabaram de sair, e a decisão coloca esse acesso em risco justamente quando ele ficou mais barato.
Os dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que as compras europeias cresceram 132,8% em volume de 2024 para 2025, a maior expansão entre os principais destinos da carne brasileira no período. Em 2026, o ritmo seguia positivo: no acumulado de janeiro a abril, a UE comprou 34,7 mil toneladas e US$ 299,7 milhões, alta de 17,7% no volume ante o mesmo período do ano anterior. Ou seja, o fluxo estava em ascensão quando a decisão foi tomada.
No conjunto das exportações brasileiras de carne bovina, a UE ocupa o quarto lugar em volume, atrás de China, Estados Unidos e Chile. Em receita, porém, o bloco sobe para a terceira posição: os US$ 1,06 bilhão pagos pelos europeus superam os US$ 754,5 milhões do mercado chileno, ainda que os chilenos tenham comprado mais toneladas. Essa inversão ajuda a explicar por que o setor trata a Europa como mercado premium.
Os principais compradores dentro do bloco são Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica, mercados que combinam alto poder de compra com exigências sanitárias rígidas. É justamente essa barreira de entrada que sustenta o preço diferenciado, e que agora o Brasil corre o risco de não conseguir mais cruzar.

A Comissão Europeia enquadrou a decisão na política de combate à resistência antimicrobiana. As regras do bloco proíbem o uso de antibióticos para promover crescimento ou aumentar a produtividade de animais destinados à produção de alimentos. Valem para produtores europeus desde 2022 e passarão a se aplicar a exportadores estrangeiros a partir de setembro.
“Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a União, o Brasil deve garantir conformidade com os requisitos da União sobre o uso de antimicrobianos durante toda a vida dos animais dos quais os produtos exportados se originam”, disse a porta-voz da Comissão, Eva Hrnčířová, em nota enviada à imprensa.
O Brasil havia dado um passo na direção certa pouco antes. No dia 24 de abril, menos de três semanas antes da decisão europeia, o Ministério da Agricultura e Pecuária publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe em todo o país o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal, cancelando os registros de substâncias como avoparcina, bacitracina e virginiamicina.
Mas isso não foi suficiente. O embaixador do Brasil junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, explicou por quê. O problema não é só a proibição das substâncias, mas a ausência de sistemas de segregação e controle ao longo de toda a cadeia de produção destinada ao mercado europeu. “Recebo essa notícia como uma surpresa. Eu gostaria que o diálogo com o bloco europeu tivesse sido mais frequente e mais fluido”, disse o diplomata em coletiva de imprensa.
Leia também: União Europeia exclui Brasil de lista de países aptos a exportar carne
O setor rejeita a premissa de que haja um problema sanitário real. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), disse ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC que não existe nenhuma decisão que diga que o setor não cumpre os requerimentos.
“Simplesmente eles disseram que estão estranhando falta de informações — o que não é verdade. A gente mandou as informações.”
Santin afirmou que o Brasil não usa antimicrobianos como promotores de crescimento e que os medicamentos veterinários utilizados seguem os padrões da Organização Mundial de Saúde Animal para garantir que não deixem resíduos no produto final. “Não tem nenhum problema na produção brasileira. Tem, sim, na troca de informações entre o governo e a Europa.”
Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio fundador da BMJ, a narrativa sanitária pode ser contestada, mas o tempo é o fator crítico. “Nas questões sanitárias, cada país pode fazer suas exigências. Quando elas são exageradas ou não têm base científica, podem ser questionadas na OMC. O Brasil ainda pode apresentar documentação mostrando que não tem o risco que a Europa está indicando”, disse.
“O Brasil tem uma estrutura sanitária e exporta para o mundo inteiro. Tem que ter uma rapidez de resposta para evitar que a barreira seja efetivada”, completou.
Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e Pecuária, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram ter recebido a decisão com “surpresa” e disseram que vão adotar “todas as medidas necessárias” para revertê-la.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que reúne 46 empresas responsáveis por 98% da carne bovina exportada pelo Brasil, ressaltou que não há “qualquer proibição das exportações para o bloco” neste momento e que trabalha junto ao Ministério da Agricultura na elaboração de protocolos de conformidade.
A ABPA vai na mesma direção. “Nós vamos melhorar a nossa oferta de protocolo de controle com a fiscalização mais profunda do ministério, mas na verdade apenas vamos mostrar o que a gente já faz”, afirmou Santin. Há previsão de missão técnica europeia ao Brasil no segundo semestre para avançar na certificação.
A decisão não ocorre num vácuo. Produtores rurais europeus e o governo da França têm pressionado contra o acordo Mercosul-UE, argumentando que as regras sanitárias e ambientais dos países sul-americanos são menos rígidas do que as exigidas internamente.
Leia também: Brasil tenta reverter decisão da UE que pode barrar exportações de carne
A publicação da lista atualizada foi lida por analistas do setor como um sinal político de Bruxelas nessa direção. “Pode acontecer isso, sim, porque se trata do comitê de plantas e animais dos países. É um comitê permanente onde são diretores técnicos — e são aqueles países que estão contra o nosso acordo com o Mercosul”, disse Santin.
Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram entre os autorizados, assim como Colômbia e México. Para Santin, a diferença não é sanitária. “Não se trata de condição sanitária. Trata-se de cumprimento ou não cumprimento. A Europa está dizendo que só não está tendo as garantias necessárias.”
O país é o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e fornece ao mercado europeu há mais de 40 anos, segundo o governo brasileiro. O setor projetava ampliar as vendas à UE em até 7% com o novo acordo comercial.
Para Barral, o episódio é menos um acidente do que um aviso sobre o que está por vir com o aprofundamento das relações comerciais entre os dois blocos. “É natural que, na medida em que houver mais comércio, vá haver mais denúncia, mais tentativa de barreiras contra exportações do Mercosul como um todo. A eterna vigilância vai ser parte do negócio”, concluiu.
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