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Atacarejo perde espaço com consumidor comprando menos e em menor volume
Publicado 10/08/2026 • 15:53 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/08/2026 • 15:53 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A combinação de juros elevados, endividamento das famílias e perda de poder de compra está mudando a forma como o brasileiro faz compras e reduzindo uma das principais vantagens competitivas do atacarejo: a venda de volumes maiores por preços unitários mais baixos, avalia Rose Tonizzo, empresária e executiva com experiência em gestão e desenvolvimento de negócios.
Em entrevista nesta segunda-feira (10) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Tonizzo afirmou que o fechamento de lojas pelo Grupo Mateus é um sinal relevante da pressão enfrentada pelo consumidor, mas não deve ser interpretado isoladamente como prova de uma desaceleração de todo o segmento.
Para a executiva, o ponto central está no dinheiro efetivamente disponível para as famílias. Diante de um orçamento mais apertado, alimentos continuam sendo consumidos, mas o cliente passa a substituir marcas, diminuir quantidades e cortar itens considerados menos necessários.
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“Quando o consumidor está lá no supermercado com um carrinho, ele não sabe como está exatamente a inflação, quais são os números da Selic. O que ele sabe é o que está sobrando de dinheiro para ele no final do mês”, afirmou.
Essa restrição pesa especialmente sobre o atacarejo porque parte da economia oferecida pelo modelo depende da aquisição de quantidades maiores. Com menos dinheiro disponível para desembolsar de uma só vez, o consumidor tende a reduzir o tamanho das compras.
“As pessoas não estão querendo apertar o seu caixa daquele mês para comprar em quantidades maiores. Então, como estão reduzindo o volume de compras por conta do poder de consumo, o atacarejo acaba perdendo espaço nesse ponto”, explicou.
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Tonizzo avalia que o consumidor não apenas passou a distribuir as compras ao longo do mês, mas também efetivamente reduziu o consumo de determinados produtos.
“Com aumento de juros e endividamento, sobra menos dinheiro no final do mês. Então, aquele item que não é tão relevante, que não faz parte do básico, da cesta básica, acaba deixando de ser consumido, deixando de ser comprado”, disse.
Na avaliação da executiva, o atual ambiente também impõe limites, ao menos no curto prazo, às estratégias de expansão acelerada adotadas por empresas do setor. Ela pondera, porém, que o momento não necessariamente determina uma tendência permanente para o atacarejo.
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Tonizzo considera que a inflação, isoladamente, não explica as dificuldades enfrentadas pelo Grupo Mateus. Crédito mais restrito, endividamento e o efeito acumulado da alta dos preços sobre o orçamento doméstico também precisam ser considerados.
“Eu acho que o problema não foi só a inflação do mês, foi o efeito acumulado dos preços sobre o orçamento familiar. Então, realmente, o ponto que pega é afetar o caixa e comprar em grandes quantidades”, afirmou.
Ao mesmo tempo, supermercados tradicionais e outros formatos de varejo vêm reagindo à disputa pelo consumidor com promoções e estratégias capazes de reduzir a diferença de preços em relação ao atacarejo.
Com mais ferramentas para pesquisar preços e um orçamento mais restrito, o cliente tende a comparar diferentes redes, buscar promoções e alternar marcas antes de decidir onde e quanto comprar.
“O consumidor, quando fica mais pressionado, não necessariamente deixa de consumir, mas reduz e muda a forma de comprar. Ele passa a comparar preços, buscar promoções, trocar marcas e reduzir os volumes”, afirmou Tonizzo.
Esse comportamento, segundo a executiva, exige mudanças que vão além dos preços cobrados nas prateleiras. As empresas precisam adaptar sua operação à preferência por compras menores e mais frequentes.
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“Isso obriga o varejo a rever o sortimento, tamanho das embalagens, política promocional, estoque e até tamanho e localização das lojas”, concluiu.
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