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B3 falhou com investidores que acreditaram em IPOs na última década
Publicado 06/05/2026 • 14:59 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 06/05/2026 • 14:59 | Atualizado há 42 minutos
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Foto: reprodução/B3.
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A bolsa de valores tem um problema sério com seus IPOs. Dos 92 processos de abertura de capital realizados na B3 desde 2016, a maioria resultou em perdas para os investidores que entraram nas ofertas. E os números são difíceis de ignorar.
Um levantamento realizado pela assessoria financeira Seneca Evercore, com dados apurados até 24 de abril de 2026, mostra que, das 72 empresas que ainda mantêm capital aberto na bolsa, 56 valem hoje menos do que valiam no preço fixado em seus respectivos IPOs. Isso significa que 78% das companhias listadas perderam valor para quem investiu nelas desde o primeiro dia.
Apenas 16 empresas registram desempenho positivo em relação ao preço do IPO e somente cinco superaram o Ibovespa no período. Ou seja, num universo de 72 companhias, apenas uma em cada 14 entregou retorno melhor do que simplesmente acompanhar o índice da bolsa.
Leia também: Gol encerra negociações na B3 e reforça movimento de esvaziamento da bolsa brasileira
A concentração dos IPOs no tempo ajuda a entender o resultado, mas não o justifica. Mais de 80% das ofertas das companhias ainda listadas se concentraram em 2020 e 2021, período marcado pela Selic no piso histórico de 2% ao ano e por um otimismo que, em retrospecto, se mostrou excessivo.
A partir de 2022, o cenário mudou. A taxa básica de juros subiu de forma agressiva, chegando a 15% em meados de 2025, o nível mais alto em quase duas décadas. Com a renda fixa pagando bem e sem o risco da bolsa, os investidores passaram a exigir mais das empresas listadas. Muitas não tinham como entregar.
O resultado é que 85% das 72 companhias ainda listadas fizeram seus IPOs há apenas cinco ou seis anos. Em vez de maturidade, o que o mercado viu foi uma sucessão de empresas que acessaram a bolsa num momento de euforia, captaram recursos a valuations elevados e não conseguiram sustentar o crescimento prometido quando o ambiente ficou mais hostil.
O grupo das 18 empresas com pior desempenho desde o IPO registra uma taxa média de retorno anual negativa de 43%. Para quem entrou nessas ofertas e segurou os papéis, o prejuízo é grande.
E o dado fica ainda mais grave quando se considera o custo de oportunidade. Quem deixou o dinheiro no CDI ao longo desse período — especialmente entre 2022 e 2025, com juros nas alturas — teria obtido retorno muito superior ao de qualquer aplicação em ações das empresas do grupo mais fraco.
A B3, como gestora do mercado, se beneficia financeiramente de cada nova listagem. Mas o acúmulo de ofertas mal-sucedidas em períodos de euforia levanta questionamentos sobre o rigor nos critérios de acesso ao mercado e sobre a responsabilidade da bolsa com os investidores de varejo que compram ações nessas estreias.
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A escassez de IPOs desde 2022 é o termômetro mais claro da crise de credibilidade. A bolsa que prometia democratizar o investimento em empresas brasileiras hoje patina para convencer companhias a abrir capital e investidores a embarcar em novas ofertas.
A única operação esperada para breve é a da Compass Gás e Energia, do grupo Cosan, com precificação prevista para 7 de maio. O mercado acompanha com cautela.
Procurada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a B3 não se manifestou até a publicação desta reportagem.
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