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Bancos podem lucrar (ainda) mais com Desenrola 2.0, mas novo ciclo de inadimplência preocupa

Publicado 05/05/2026 • 13:36 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Quase R$ 108 bilhões de lucro. Esse foi o resultado dos quatro maiores bancos do país em 2025.
  • O resultado histórico aconteceu mesmo com a inadimplência galopante, que passa dos 70 milhões de negativados e suja o balanço dos bancos.
  • Agora, com o Desenrola 2.0, há espaço para novos ganhos para as instituições financeiras com a expectativa de muita gente voltar a demandar crédito.
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Foto: Freepik

Quase R$ 108 bilhões de lucro. Esse foi o resultado dos quatro maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) em 2025. O resultado histórico aconteceu mesmo com a inadimplência galopante, que passa dos 70 milhões de negativados e suja o balanço dos bancos. Agora, com o Desenrola 2.0, há espaço para novos ganhos para as instituições financeiras com a expectativa de muita gente voltar a demandar crédito.

Segundo o Citi Bank, a medida pode beneficiar até 20 milhões de famílias. “O programa busca reduzir o superendividamento das famílias, diminuir a inadimplência e restaurar a capacidade de crédito dos consumidores”.

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Além disso, o banco diz que o programa deve atacar um estoque relevante de inadimplência – potencialmente entre R$ 43 bilhões e R$ 64 bilhões – com impacto direto sobre crédito de alto custo, especialmente cartão e cheque especial.

Para Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo, o impacto será “levemente positivo” para as instituições financeiras. “Essas dívidas já estavam inadimplentes. E ainda tem um incentivo do governo para ajudar a subsidiar o desconto e também possibilidade de usar FGTS”, avalia.

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Professor da Hayek Global College e mestre em economia, Maurício Bento, ressalta “o impacto contábil positivo” da medida, para para as instituições financeiras, especialmente “no curto prazo”.

“Como a maior parte das dívidas renegociadas já foi considerada como perda nos balanços, com provisões que chegam a 100% do valor devido, qualquer montante recuperado entra diretamente como lucro nas demonstrações financeiras” destaca Bento.

Impacto sobre a classe média

Com a medida, o governo espera dar um novo salto na direção da classe média, depois da isenção do Imposto de Renda. Na visão de Tulio Liechtestein, economista da Express Securitizadora, o programa “amplia o alcance da política de renegociação de dívidas ao elevar o limite de renda para até R$ 8.105, incluindo uma parcela maior da classe média já pressionada pelo alto custo do crédito”.

Isso pode favorecer outros setores da economia e empresas da bolsa de valores, especialmente aquelas ligadas a varejo e consumo e construção civil, que dependem diretamente da renda disponível e da melhora da qualidade do crédito.

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Juros no rotativo, no cheque especial e no crédito pessoal

  • Rotativo de cartão e cheque especial
    91 a 120 dias: 40%
    121 a 150 dias: 45%
    151 a 180 dias: 50%
    181 a 240 dias: 55%
    241 a 300 dias: 70%
    301 a 360 dias: 85%
    1 a 2 anos: 90%
  • Crédito pessoal (CDC e parcelado)
    91 a 120 dias: 30%
    121 a 150 dias: 35%
    151 a 180 dias: 40%
    181 a 240 dias: 45%
    241 a 300 dias: 60%
    301 a 360 dias: 75%
    1 a 2 anos: 80%

Fonte: Express Securitizadora

Alerta para o longo prazo

O Desenrola – primeira edição – não surtiu o efeito esperado e a inadimplência aumentou desde então, afetando diretamente a qualidade da carteira. E, nesse ambiente, se houver uma nova piora da qualidade do crédito, os bancos menores podem sofrer mais.

“Os bancos grandes conseguem diluir essa inadimplência que pode ser gerada por esses antigos devedores que podem não ter uma mudança de hábito e continuar endividados. É muito mais fácil (para os grandes bancos) jogar (as novas dívidas em atrasado) para a previsão de devedores duvidosos (PDD). Por outro lado, pode piorar um pouco a inadimplência nessas instituições menores”, diz Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos.

Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, reforça a preocupação “à frente” com a “possibilidade de retorno do endividamento daqui 18 meses”. Além disso, se o Desenrola 2.0 não conseguir de fato convencer as pessoas a pagarem suas dívidas, parte da conta recairá sobre o Tesouro Nacional, que entrou assumindo parte importante do risco.

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

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