Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Bancos podem lucrar (ainda) mais com Desenrola 2.0, mas novo ciclo de inadimplência preocupa
Publicado 05/05/2026 • 13:36 | Atualizado há 1 hora
Anthropic se une a Goldman Sachs e Blackstone em investimento de US$ 1,5 bi para levar IA a centenas de empresas
CEO da Amazon, Andy Jassy diz que investidores serão recompensados por gastos com IA
Petróleo recua com investidores avaliando tensões no Oriente Médio e ataques do Irã mantêm mercados em alerta
CVM americana e Musk chegam a acordo para fim processo sobre compra do Twitter
Pinterest dispara 17% após superar estimativas e projetar receita acima do esperado
Publicado 05/05/2026 • 13:36 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Freepik
Quase R$ 108 bilhões de lucro. Esse foi o resultado dos quatro maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) em 2025. O resultado histórico aconteceu mesmo com a inadimplência galopante, que passa dos 70 milhões de negativados e suja o balanço dos bancos. Agora, com o Desenrola 2.0, há espaço para novos ganhos para as instituições financeiras com a expectativa de muita gente voltar a demandar crédito.
Segundo o Citi Bank, a medida pode beneficiar até 20 milhões de famílias. “O programa busca reduzir o superendividamento das famílias, diminuir a inadimplência e restaurar a capacidade de crédito dos consumidores”.
Leia também: Itaú aprova incorporação do Itaucard e absorverá patrimônio de R$ 51,9 milhões
Além disso, o banco diz que o programa deve atacar um estoque relevante de inadimplência – potencialmente entre R$ 43 bilhões e R$ 64 bilhões – com impacto direto sobre crédito de alto custo, especialmente cartão e cheque especial.
Para Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo, o impacto será “levemente positivo” para as instituições financeiras. “Essas dívidas já estavam inadimplentes. E ainda tem um incentivo do governo para ajudar a subsidiar o desconto e também possibilidade de usar FGTS”, avalia.
Leia também: A estratégia de Bradesco e Itaú por trás das compras de carteiras do BRB
Professor da Hayek Global College e mestre em economia, Maurício Bento, ressalta “o impacto contábil positivo” da medida, para para as instituições financeiras, especialmente “no curto prazo”.
“Como a maior parte das dívidas renegociadas já foi considerada como perda nos balanços, com provisões que chegam a 100% do valor devido, qualquer montante recuperado entra diretamente como lucro nas demonstrações financeiras” destaca Bento.
Com a medida, o governo espera dar um novo salto na direção da classe média, depois da isenção do Imposto de Renda. Na visão de Tulio Liechtestein, economista da Express Securitizadora, o programa “amplia o alcance da política de renegociação de dívidas ao elevar o limite de renda para até R$ 8.105, incluindo uma parcela maior da classe média já pressionada pelo alto custo do crédito”.
Isso pode favorecer outros setores da economia e empresas da bolsa de valores, especialmente aquelas ligadas a varejo e consumo e construção civil, que dependem diretamente da renda disponível e da melhora da qualidade do crédito.
Leia também: Bradesco eleva participação na Bradsaúde para mais de 91% após incorporação de ações
Fonte: Express Securitizadora
O Desenrola – primeira edição – não surtiu o efeito esperado e a inadimplência aumentou desde então, afetando diretamente a qualidade da carteira. E, nesse ambiente, se houver uma nova piora da qualidade do crédito, os bancos menores podem sofrer mais.
“Os bancos grandes conseguem diluir essa inadimplência que pode ser gerada por esses antigos devedores que podem não ter uma mudança de hábito e continuar endividados. É muito mais fácil (para os grandes bancos) jogar (as novas dívidas em atrasado) para a previsão de devedores duvidosos (PDD). Por outro lado, pode piorar um pouco a inadimplência nessas instituições menores”, diz Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos.
Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, reforça a preocupação “à frente” com a “possibilidade de retorno do endividamento daqui 18 meses”. Além disso, se o Desenrola 2.0 não conseguir de fato convencer as pessoas a pagarem suas dívidas, parte da conta recairá sobre o Tesouro Nacional, que entrou assumindo parte importante do risco.
Leia mais: Fim da disputa: Itaú, Santander e Citi firmam acordo bilionário e reforçam caixa federal
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.
Mais lidas
1
Genial tem R$ 176 milhões bloqueados em investigação que liga banco ao esquema do PCC
2
Qual é a ligação entre Genial, Reag e Banco Master?
3
Genial Investimentos: entenda o que levou ao bloqueio de R$ 176 mi em ação da Fazenda de SP
4
Oncoclínicas tem nova virada: fundo próximo à Latache conquista maioria no conselho
5
Carbono Oculto: bloqueio milionário do Grupo Genial revela mecanismo sofisticado com PCC na economia formal, diz advogado