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Ciências e Saúde

Álvaro Machado: Peptídeos ganham espaço como ‘drogas civilizatórias’, mas avanço levanta riscos e debate regulatório

Publicado 05/05/2026 • 14:22 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Moléculas atuam em mecanismos básicos do corpo e já mostram efeitos em obesidade, vícios e doenças metabólicas.
  • Expansão do uso ocorre antes de regulação completa, com mercado paralelo e riscos associados a dosagem e pureza.
  • Avanço pode mudar percepção sobre autocontrole e saúde, deslocando debate do moral para o acesso à tecnologia.

Os peptídeos vêm se consolidando como uma nova fronteira farmacológica ao atuar diretamente em mecanismos essenciais do organismo, com potencial para tratar doenças associadas a excessos comportamentais, segundo Álvaro Machado, neurocientista, professor da Unifesp e notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao analisar a crescente popularização dessas moléculas.

Na avaliação do especialista, a relevância dos peptídeos está na sua própria natureza biológica. “Eles são pequenas cadeias de aminoácidos, base da construção do corpo e do funcionamento das proteínas”, explicou, ao destacar que essas substâncias já fazem parte do organismo humano.

Ele ressalta que essa característica diferencia os peptídeos de medicamentos tradicionais. “Não estamos falando de uma molécula externa que o corpo precisa metabolizar, mas de algo inerente ao funcionamento da vida”, afirmou nesta terça-feira (5), durante sua participação no Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

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Nova classe de drogas para “patologias da civilização”

O sucesso de medicamentos como o Ozempic reforça o potencial dessa categoria para tratar doenças modernas. “Esses peptídeos atuam sobre excessos, como compulsão alimentar e vícios, que estão ligados a circuitos de recompensa do cérebro”, pontuou Machado.

Segundo ele, esse mecanismo explica a atuação em múltiplas condições. “A mesma lógica pode ser aplicada a alcoolismo e até abuso de drogas, com resultados promissores em estudos iniciais”, disse.

Para o neurocientista, isso representa uma mudança relevante na medicina. “Estamos diante de drogas civilizatórias, que ajudam a controlar desequilíbrios típicos da vida moderna”, destacou.

Mudança cultural no conceito de autocontrole

O avanço desses tratamentos também pode alterar a forma como a sociedade enxerga disciplina e mérito. “Historicamente, o controle do corpo foi visto como virtude, associado à força de vontade”, lembrou Machado.

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Com a introdução dessas moléculas, essa percepção tende a mudar. “A leitura deixa de ser moral e passa a considerar o acesso à tecnologia como fator determinante”, afirmou.

Segundo ele, essa mudança desloca o debate social. “Não se trata mais apenas de autocontrole, mas de quem tem acesso aos recursos para regular esses comportamentos”, ressaltou.

Mercado cresce antes da regulação

Apesar do avanço científico, o mercado de peptídeos ainda opera em parte fora de uma regulação consolidada. “Estamos vivendo um momento de reversão de proibições, especialmente nos Estados Unidos”, explicou o especialista.

Ele aponta que a tendência é de maior liberação no futuro. “É provável que, em alguns anos, essas substâncias saiam da zona cinzenta e entrem na indústria formal”, disse.

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No entanto, o cenário atual traz riscos relevantes. “Muitos produtos disponíveis hoje têm impurezas ou dosagens imprecisas, o que pode ser perigoso”, alertou.

Riscos ainda são ponto crítico

Machado destaca que um dos principais desafios está na segurança de longo prazo. “Há estudos indicando que alguns peptídeos podem acelerar o crescimento de tumores em formação”, afirmou.

Segundo ele, esse fator será determinante para o futuro do setor. “A definição sobre quais moléculas são seguras vai orientar o avanço desse mercado”, pontuou.

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Ele acrescenta que a liberação deve ocorrer de forma controlada. “O caminho mais provável é a utilização em clínicas e farmácias de manipulação, e não necessariamente em larga escala nas farmácias comuns”, explicou.

Tecno-otimismo impulsiona adoção precoce

O uso experimental por parte de grupos mais avançados também chama atenção. “Existe um tecno-otimismo entre entusiastas da tecnologia, que veem nesses compostos uma forma de ampliar capacidades humanas”, disse Machado.

Para ele, esse comportamento antecipa tendências, mas também envolve riscos. “Essas pessoas estão testando limites antes que a ciência tenha todas as respostas”, destacou.

O especialista conclui que o avanço dos peptídeos deve continuar, mas com maior escrutínio. “O futuro dessa área depende do equilíbrio entre inovação e segurança”, concluiu.

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