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Berkshire sem Buffett deve manter estratégia, mas será cobrada por performance
Publicado 05/05/2026 • 22:48 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 05/05/2026 • 22:48 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A primeira reunião anual da Berkshire Hathaway sem Warren Buffett no comando ocorre em um momento de incerteza geopolítica, rearranjo das cadeias globais e disputa por energia e commodities. Ainda assim, o mercado vê a transição de liderança como um processo planejado e com baixo risco de mudança brusca na estratégia da companhia. É o que afirmou Maurício Moura, professor de economia da Universidade George Washington.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Moura disse que substituir Buffett é um desafio “monstruoso”, mas destacou que a Berkshire preparou o processo de sucessão ao longo do tempo.
“Você pode até debater quem foi o melhor jogador de basquete, Michael Jordan, Kobe Bryant, LeBron James, mas ninguém debate quem foi o investidor mais icônico”, afirmou. “Substituir Warren Buffett é monstruoso.”
Segundo Moura, investidores americanos com quem ele acompanha o mercado entendem que houve planejamento e governança na troca de comando. Para ele, a idade de Buffett e o processo gradual de transição ajudaram a reduzir a ansiedade dos investidores.
“O mercado percebe que há uma governança estabelecida”, disse. “Existe uma percepção inicial de que pouca coisa vai mudar.”
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O professor afirmou que a geopolítica afeta os mercados de forma transversal, mas disse que a Berkshire conseguiu comunicar bem a sucessão. A grande dúvida, segundo ele, será a performance da companhia sob a nova liderança.
“No fundo, o mercado financeiro é medido por performance”, afirmou.
Moura também avaliou que o rearranjo das cadeias globais já altera a forma como investidores analisam empresas. Segundo ele, depois de três décadas de globalização, cresce a cobrança por planos de contingência e redução de riscos ligados a fornecedores, logística e dependência de regiões específicas.
“Uma das demandas é: qual é o plano de contingência que o teu negócio tem?”, disse. “Quais são os riscos associados de você ter uma cadeia global?”
Para o professor, esse movimento de “decoupling”, ou separação parcial de cadeias produtivas, faz com que investidores passem a exigir das empresas uma visão mais clara sobre risco e retorno em um ambiente de menor integração global.
A disputa por energia e commodities, somada à escalada de conflitos no Oriente Médio, também pode criar oportunidades para companhias com caixa e capacidade de alocação de capital, como a Berkshire.
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Siga o Times | CNBCMoura lembrou que alguns dos principais saltos da trajetória de Buffett ocorreram em momentos de crise, quando o investidor conseguiu se posicionar em ativos depreciados.
“Os melhores momentos de maior alavancagem, de maior mudança de patamar do negócio dele, foram justamente em momentos de crise”, afirmou.
Ele ponderou, porém, que o mercado atual é mais sofisticado e torna mais difícil identificar oportunidades que ainda não estejam precificadas.
“O mercado hoje é muito mais sofisticado e é muito mais difícil identificar uma oportunidade que ninguém está vendo”, disse.
A inteligência artificial também apareceu como tema relevante na reunião da Berkshire. Para Moura, a IA já começa a transformar processos no mercado financeiro, especialmente em trading, análise de crédito e gestão de investimentos.
“O mercado financeiro hoje está sendo invadido de processos em que a IA está entrando diretamente no trading e na análise de crédito”, afirmou. “A gente vai ver daqui para frente cada vez mais o mercado operar com IA.”
Ele disse, porém, que ainda há uma grande dúvida sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, diante do volume de capital direcionado a infraestrutura, energia e capacidade computacional.
Para investidores brasileiros, Moura afirmou que o Brasil tem sido visto no exterior como uma alternativa relativamente estável entre mercados emergentes. Segundo ele, a crise global tem levado parte do capital estrangeiro a buscar destinos como o Brasil.
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“O Brasil lá fora é visto como uma boa alternativa de mercado emergente, o mercado emergente mais estável”, afirmou.
Na avaliação do professor, o país pode atravessar o período de turbulência internacional em condição relativamente melhor do que outros emergentes, por causa da estabilidade econômica e do peso das commodities. Ainda assim, ele alertou que os efeitos não serão nulos.
“Não é de graça. A gente vai sofrer”, disse. “Pode ter impacto no custo de vida, nos produtos que a gente compra e no consumidor.”
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