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Bolha de mercado dos remédios emagrecedores coloca setor farmacêutico em risco, aponta relatório

Publicado 04/05/2026 • 15:52 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Pela primeira vez em 16 anos, a oncologia deixou de ser a maior contribuinte para o valor dos projetos em fase final de desenvolvimento, segundo pesquisa da Deloitte.
  • Os retornos de pesquisa e desenvolvimento das 20 maiores farmacêuticas subiram pelo terceiro ano seguido, chegando a 7%, impulsionados por medicamentos como GLP-1 para obesidade e diabetes
  • O impacto é tão forte que mascara um ambiente estruturalmente mais fraco para o restante da indústria
Ozempic Mounjaro Wegovy Eli Lilly Novo Nordisk Hims & Hers semaglutida tirzepatida canetas emagrecedoras

Imagem criada pela Inteligência Artificial Gemini

A disparada na demanda por medicamentos de perda de peso e diabetes está deixando o setor farmacêutico exposto a um “efeito bolha” à medida que a lucratividade cresce, indica um novo relatório da Deloitte.

A procura por remédios como Wegovy e Zepbound elevou os retornos de pesquisa e desenvolvimento aos níveis mais altos em anos. No entanto, o estudo publicado nesta segunda-feira (4) sugere que esse avanço está escondendo pressões enfrentadas pelo restante do setor.

Os retornos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das 20 maiores farmacêuticas do mundo avançaram pelo terceiro ano consecutivo, alcançando 7%, impulsionados quase exclusivamente por um pequeno grupo de ativos com altas projeções de receita, como os agonistas do receptor GLP-1.

O relatório aponta que, pela primeira vez em 16 anos, a oncologia foi superada como principal fonte de valor em estágios avançados de desenvolvimento por tratamentos contra a obesidade.

Segundo a Deloitte, isso aumenta a exposição das empresas a choques específicos de determinadas áreas terapêuticas. “É uma bolha, porque há muita concentração”, disse Hanno Ronte, sócio de Life Sciences and Healthcare da Deloitte, à CNBC.

Medicamentos voltados para obesidade e diabetes já respondem por cerca de 38% de todas as entradas comerciais projetadas a partir do pipeline avançado de 2025.

O impacto é tão significativo que encobre um ambiente mais fraco no restante da indústria. Sem os ativos GLP-1/GIP, a taxa de retorno do setor cairia para apenas 2,9%, abaixo dos 3,8% registrados em 2024.

Os tratamentos para obesidade agora representam cerca de 25% das vendas totais previstas no pipeline avançado, enquanto a oncologia recuou para 20%. A ascensão é expressiva, considerando que, em 2022, a obesidade respondia por apenas 1% do valor projetado.

Embora o boom esteja impulsionando o crescimento geral, ele também concentra riscos. A Deloitte identificou que apenas 54 indicações “mega blockbuster”, equivalentes a 9% do pipeline, devem gerar aproximadamente 70% das vendas máximas ajustadas ao risco.

A dependência de medicamentos de grande sucesso não é nova, mas o nível atual de concentração é. Isso cria um ambiente de alto risco, no qual poucos ativos sustentam os retornos, ao mesmo tempo em que aumentam a concorrência e a sensibilidade a choques nessas áreas específicas.

“Do ponto de vista do paciente, a bolha não vai estourar, e os medicamentos não vão desaparecer, mas estamos em um ponto em que, para os GLP-1, vaidade e saúde colidiram, criando um mercado verdadeiramente transformador”, afirmou Ronte.

Cientistas ainda investigam todo o potencial desses medicamentos. A Novo Nordisk, por exemplo, já obteve aprovação para reduzir riscos cardiovasculares e tratar doenças hepáticas e renais com seus GLP-1, enquanto a Eli Lilly teve aprovação para tratar apneia do sono em pacientes com obesidade com uma combinação GLP-1/GIP.

Ainda há incertezas, especialmente sobre impactos na saúde cerebral e na inflamação. Em um estudo recente, a Novo Nordisk avaliou a semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, na progressão da doença de Alzheimer. Embora não tenha reduzido significativamente o avanço da doença, houve efeitos sobre proteínas associadas ao Alzheimer e marcadores inflamatórios.

Os GLP-1 também demonstraram potencial para ajudar pacientes com dependência química.

“Essa é a esperança. Ainda estamos surfando essa onda, e é por isso que há tanto investimento”, disse Ronte. “Mas, quando muita gente tenta surfar a mesma onda, o espaço fica curto.”

A questão que paira no ar, quase como um verso não resolvido, é direta e incômoda, continuar apostando nessa mesma onda até ela quebrar ou sair em busca do próximo grande salto científico?

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