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Caso BRB e Banco Master: como funcionava o suposto esquema de propina de R$ 140 milhões

Publicado 20/04/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master ganhou novos desdobramentos após a quarta fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal.
  • O caso apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo altos executivos e uma transação bilionária entre as instituições.
  • As apurações da PF indicam que a negociação entre os bancos teria sido usada como base para o pagamento de propina, levantando questionamentos sobre governança e uso de recursos públicos.
edifício do BRB em Brasília

Joédson Alves/Agência Brasil

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master ganhou novos desdobramentos após a quarta fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal. O caso apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo altos executivos e uma transação bilionária entre as instituições.

Conforme as apurações da PF, a negociação entre os bancos teria sido usada como base para o pagamento de propina, levantando questionamentos sobre governança e uso de recursos públicos.

Leia também: BRB/Master: caso expõe crise e exige reação regulatória no mercado financeiro, diz especialista

Como funciona o suposto esquema de propina?

Segundo informações da Polícia Federal, a investigação aponta que o caminho do dinheiro teria sido estruturado a partir da venda do Banco Master ao BRB. A propina, que somaria cerca de R$ 140 milhões, teria sido paga ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

De acordo com as investigações, o repasse não aconteceu diretamente com dinheiro em espécie. A estratégia teria envolvido a transferência de seis imóveis de luxo, utilizados como forma de ocultar a origem dos recursos, prática que pode caracterizar lavagem de dinheiro.

Diante disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costas, que foi cumprida em Brasília.

Propina em imóveis

Conforme citado, a Operação Compliance Zero identificou indícios de propina por parte de imóveis de luxo repassados no processo. Os seis imóveis localizados representam, somados, cerca de R$ 140 milhões.

Segundo o ministro André Mendonça, o valor total do esquema deve girar em torno de R$ 146,7 milhões, envolvendo o repasse dos imóveis. Até o momento, cerca de R$ 74,6 milhões foram efetivamente rastreados.

O restante não teria sido transferido após o banqueiro Daniel Vorcaro interromper as operações ao tomar conhecimento de uma investigação sigilosa do Ministério Público Federal. Vale lembrar que o ex-banqueiro atualmente segue preso enquanto existe a expectativa de uma delação premiada.

Negócio bilionário e prejuízo ao BRB

No centro da investigação da Polícia Federal está a operação em que o BRB aportou cerca de R$ 12 bilhões no Banco Master, por meio da aquisição de carteiras de crédito consignado que, segundo a PF, seriam fraudulentas.

O negócio teria gerado um prejuízo bilionário ao Banco de Brasília, que até o momento ainda não divulgou o impacto final nas contas. A situação levou, inclusive, ao adiantamento da divulgação do balanço de 2025.

Leia também: BRB e Banco Master: entenda a ligação entre as duas empresas

Investigação em curso

As investigações seguem em andamento e devem aprofundar a análise sobre a estrutura das operações financeiras e a eventual responsabilização dos envolvidos. 

O caso entre os bancos levanta dúvidas sobre controles internos, transparência e fiscalização em operações de grande porte no sistema financeiro. Vale lembrar que o envolvimento do BRB no caso acontece após a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições financeiras do conglomerado.

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