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Festival de Cannes: vestido com bordados de artesãs caiçaras do RJ estará no tapete vermelho
Publicado 18/05/2026 • 11:24 | Atualizado há 8 minutos
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Publicado 18/05/2026 • 11:24 | Atualizado há 8 minutos
KEY POINTS
Divulgação imprensa
A empresária e modelo Thayná Soares desfilará no tapete vermelho com um vestido de linho bordado artesanalmente por 17 artesãs de Paraty.
A participação brasileira na 79ª edição do Festival de Cannes vai além das produções exibidas nas telas. No próximo sábado (23), a empresária e modelo internacional Thayná Soares desfilará no tapete vermelho com um vestido de linho belga bordado artesanalmente por 17 artesãs de Paraty. A peça transforma elementos da fauna da Mata Atlântica em arte por meio da técnica de pintura de agulha.
O destaque não estará apenas no trabalho manual que ganha espaço na moda contemporânea, mas também nas histórias das artesãs caiçaras envolvidas na criação. O bordado, além de expressão artística, tornou-se fonte de renda, pertencimento e transformação social em uma das cidades históricas e culturais mais emblemáticas do país.
O vestido é uma produção da marca slow fashion Thayná Caiçara, em parceria com a Casa da Cultura de Paraty, que propõe uma ação social ao unir formação, tradição, criação coletiva e valorização do território.“Eu não quero ser a protagonista desse momento”, explica Thayná Soares. “As protagonistas são essas mulheres que estão começando a empreender agora no nosso projeto. O que está sendo costurado ali vai muito além do tecido. É a reconstrução pessoal através da arte”, completa.
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O trabalho começou muito antes de chegar ao tapete vermelho. Desde 2025, a iniciativa vem sendo construída a partir do curso “Bordado em pintura de agulha” que formou 20 mulheres moradoras de Paraty, na Costa Verde do RJ, na primeira turma.
Vindas de diferentes bairros e comunidades, as participantes carregam em seus saberes as referências culturais e afetivas de onde vivem. Ao todo já são 40 bordadeiras formadas.
Depois de passar pelas passarelas de Nova York e Alta Costura de Paris, as criações da marca Thayná Caiçara têm agora o momento mais simbólico desse percurso: o Festival de Cannes. Em vez de priorizar apenas glamour ou assinatura empresarial, Thayná escolheu transformar a peça em vitrine para a turma de mulheres recém-formadas no curso.
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Ela explica que a barra do vestido foi bordada coletivamente. Cada artesã escolheu um pássaro diferente da Mata Atlântica para representar em pintura de agulha. O projeto visa, acima de tudo, dar independência a essas artesãs, que podem atender clientes diretamente, sem intermediários, formando suas próprias redes de conexões e valorização profissional.
A empresária e modelo fala emocionada de um sonho que nasceu durante a pandemia. Enquanto o vírus silenciou o mundo, foi o som delicado da agulha atravessando o tecido que reconectou Thayná Soares às próprias raízes. Longe de Paraty, terra natal, vivendo na Bélgica, começou a procurar mulheres que carregavam nas mãos a memória viva da cidade: a avó da amiga, a professora da escola, a bordadeira do bairro, grupos tradicionais espalhados pelo centro histórico e pelas comunidades caiçaras.
Sem pretensão de criar uma marca ou negócio, Thayná enviava camisetas para serem customizadas e fazia apenas um pedido: “Bordem o que faz parte da vida de vocês”. E foi assim que começaram a nascer cenas do cotidiano de Paraty. Nesse processo Thayná reencontrou o próprio amor pelo bordado. Ela havia aprendido ainda muito jovem, durante a gravidez da filha, quando bordou todo o enxoval à mão. Anos depois, aquela mesma sensação de espera e recolhimento reapareceu na pandemia, trazendo de volta a necessidade de criar com as mãos, dando oportunidade a outras mulheres de fazerem o mesmo.
Agora, o que começou como troca afetiva virou uma verdadeira rede de transformação social. O projeto ligado à marca Thayná Caiçara leva o toque profissional ao trabalho manual que deve manter o padrão minucioso e sofisticado, merecidamente reconhecido pelo mercado de luxo internacional
Em parceria com a Casa da Cultura de Paraty, os cursos gratuitos oferecem material, estrutura e formação técnica para mulheres que muitas vezes nunca imaginaram que poderiam viver da própria arte. Aprendem não apenas a bordar, mas também a precificar, negociar e empreender.
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Modelo, empresária e ativista do fazer artesanal, Thayná Soares vem redesenhando o conceito de luxo na moda contemporânea. Vem transformando agulha e linha em instrumentos de pertencimento, independência e valorização da cultura brasileira. À frente da marca Thayná Caiçara, desenvolve um trabalho alinhado aos princípios da moda sustentável, do tempo desacelerado e da valorização da ancestralidade.
Para ela, o maior desafio não é ensinar técnica. É ensinar valor. Ela conta que, no Brasil, o trabalho artesanal ainda costuma ser diminuído. “É o bordadinho”, “a feirinha”. Um trabalho que leva semanas ou meses para ficar pronto muitas vezes recebe pedidos de desconto automáticos, quase como reflexo cultural. Enquanto isso, no exterior, o feito à mão brasileiro é admirado como arte.
Mais do que ensinar uma profissão, o projeto fortalece autoestima, autonomia e pertencimento. Thayná acredita que Paraty pode se tornar referência mundial em bordado artístico, assim como Paris se consolidou como polo da alta costura. Mas, para isso, diz ser necessário valorizar quem cria, quem borda e quem sustenta a cultura local com as próprias mãos.
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