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Vulcabras enfrenta pressão de petróleo e reoneração da folha, mas amplia margem no 1T26
Publicado 06/05/2026 • 13:33 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 06/05/2026 • 13:33 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
Imagem da fábrica da Vulcabras.
Divulgação Vulcabras
A Vulcabras divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026 em um cenário marcado por pressões relevantes sobre a estrutura de custos. A companhia, dona das marcas Olympikus, Mizuno e Under Armour no Brasil, enfrentou simultaneamente o impacto da segunda etapa da reoneração da folha de pagamento, do reajuste do salário mínimo, dos elevados índices de absenteísmo e da alta nos preços dos derivados de petróleo provocada pelos ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã.
Mesmo nesse contexto, a empresa conseguiu reduzir em 0,2 ponto percentual a participação do custo dos produtos vendidos sobre a receita líquida. O CPV passou de 59,8% no primeiro trimestre de 2025 para 59,6% no 1T26, indicador que a companhia atribuiu a ganhos de produtividade industrial e à disciplina na gestão de custos.
A pressão sobre os custos veio por dois canais principais. No primeiro, a mão de obra operacional foi impactada pelo aumento dos encargos trabalhistas, reflexo da segunda etapa da reoneração gradual da folha de pagamento, somado ao reajuste do salário mínimo com ganho real expressivo e ao absenteísmo elevado.
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No segundo canal, os insumos utilizados na produção também ficaram mais caros. “Em relação aos insumos utilizados na produção, como matérias-primas e materiais de embalagem, também foi observada elevação de custos”, afirma a companhia no relatório enviado ao mercado.
A pressão tem dupla origem. A primeira vem dos mesmos efeitos sobre mão de obra que se propagaram pela cadeia de fornecedores. A segunda, segundo o documento, foi intensificada pela alta nos preços dos derivados de petróleo em um contexto de tensões geopolíticas, ambiente que segue pesando sobre a indústria calçadista por impactar borrachas sintéticas, EVAs, plásticos e materiais de embalagem.
A leitura da Vulcabras conecta diretamente o resultado da operação ao quadro internacional. O conflito no Oriente Médio mantém o petróleo perto dos US$ 80 o barril, com efeitos em cascata sobre toda a cadeia petroquímica que alimenta a indústria de calçados.
Apesar do cenário adverso, o lucro bruto da companhia cresceu 11,2% e atingiu R$ 313,5 milhões. A margem bruta avançou 0,2 ponto percentual, para 40,4%. O movimento foi sustentado pelo aumento do volume produzido e comercializado, pela elevação da produtividade operacional e pelo crescimento do preço médio dos produtos.
As plantas industriais retomaram a operação plena após o período de férias coletivas. Com a estabilização do quadro de funcionários, os indicadores de eficiência evoluíram até atingir os níveis planejados, e os custos de produção ficaram dentro do esperado.
A receita líquida da Vulcabras totalizou R$ 776,4 milhões no 1T26, alta de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado configura o 23º trimestre consecutivo de crescimento da companhia. O volume bruto faturado foi de 7,6 milhões de pares e peças, avanço de 6,8% na comparação anual.
A categoria de calçados esportivos foi o principal motor do trimestre, com receita de R$ 653,2 milhões e crescimento de 11,3%. A Olympikus manteve forte desempenho na linha de corrida de performance, com destaque para o lançamento do Corre Pace, primeiro ultratênis de corrida desenvolvido no Brasil. A Under Armour apresentou o maior crescimento relativo entre as marcas, apoiada por novos lançamentos em running. A Mizuno seguiu em expansão, com a coleção Hyperwarp e o naming rights do Circuito Mizuno Athenas.
O EBITDA recorrente alcançou R$ 156,9 milhões, alta de 11,8% sobre o 1T25. A margem EBITDA recorrente subiu para 20,2%, ante 20,0% no mesmo trimestre do ano anterior.
O lucro líquido contábil da companhia ficou em R$ 80,1 milhões no 1T26, queda de 24,5% em relação aos R$ 106,1 milhões registrados um ano antes. O movimento reflete o aumento das despesas financeiras, que passaram de R$ 26,9 milhões para R$ 50,1 milhões, em decorrência do novo perfil de endividamento alcançado no fim de 2025.
A dívida líquida da Vulcabras encerrou março em R$ 658,9 milhões, com redução de R$ 110,5 milhões em relação ao saldo de dezembro de 2025. A elevação do passivo no ano passado foi associada à necessidade de suportar o aumento do capital de giro, à ampliação dos investimentos em capex e à aceleração da distribuição de dividendos, que somaram R$ 1,541 bilhão em 2025.
A estratégia para 2026, segundo o relatório, é de desalavancagem financeira, com prioridade para a redução da dívida ao longo do ano. A companhia não anunciou novos pagamentos de dividendos no primeiro trimestre.
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