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Novo vice da Chilli Beans já comandou empresa que entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 428 milhões

Publicado 06/09/2026 • 21:30 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • André Dela Togna assume a vice-presidência da Chilli Beans em outubro para apoiar Caito Maia na operação.
  • O executivo já comandou a Paquetá, que entrou em recuperação judicial em 2019 com dívida de R$ 428 milhões.
  • Chilli Beans negocia com bancos para alongar dívidas e reduzir juros, mas nega discutir recuperação judicial.
O que aconteceu com a Chilli Beans? Entenda a crise da empresa

Foto: divulgação

Novo vice da Chilli Beans já comandou empresa que entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 428 milhões

A Chilli Beans anunciou na última segunda-feira (31) a chegada de André Dela Togna à vice-presidência da companhia, em meio às negociações com bancos para alongar prazos de pagamento e reduzir juros. O executivo assume em outubro para apoiar operacionalmente o fundador e CEO Caito Maia, enquanto a varejista enfrenta pressão sobre sua estrutura financeira e nega estar preparando um pedido de recuperação judicial.

Dela Togna chega à empresa com experiência em reestruturação e transformação de negócios. Entre 2022 e 2023, comandou a Paquetá The Shoes Company, fabricante de calçados que entrou em recuperação judicial em 2019 com uma dívida de R$ 428 milhões.

Na Chilli Beans, o executivo terá como uma de suas funções dar suporte à operação enquanto Caito Maia passa a dedicar mais tempo ao relacionamento com clientes e franqueados. A empresa afirma que a mudança faz parte de uma reorganização em andamento e que Maia continuará como CEO.

Leia também: Em meio a dívidas, Chilli Beans anuncia novo vice-presidente; quem é André Dela Togna

Quem é André Dela Togna?

Dela Togna tem mais de 20 anos de experiência em gestão, transformação e reestruturação de empresas. Ao longo da carreira, ocupou posições como CEO, COO e CRO e participou de projetos relacionados a crescimento, reorganização empresarial, fusões e aquisições e recuperação de desempenho.

Sua trajetória inclui empresas dos setores de varejo, moda, calçados, indústria, bens de consumo, têxtil e telecomunicações. Atualmente, ele é CEO da Ledervin Indústria e Comércio e conselheiro da Klin Produtos Infantis. Também fundou a SelUP, aceleradora voltada à reestruturação e ao desenvolvimento de negócios.

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Antes disso, entre 2017 e 2022, foi sócio da Galeazzi & Associados, consultoria conhecida por atuar em projetos de reestruturação empresarial.

Passagem pela Paquetá

Um dos episódios mais relevantes da carreira de Dela Togna foi sua atuação na Paquetá The Shoes Company.

A fabricante de calçados havia entrado em recuperação judicial em 2019, após acumular uma dívida de R$ 428 milhões. Dela Togna começou a atuar como consultor da companhia naquele ano e posteriormente assumiu o cargo de CEO, que ocupou entre 2022 e 2023.

A experiência colocou o executivo diretamente à frente de uma empresa que enfrentava dificuldades financeiras e precisava reorganizar sua operação e seus compromissos com credores.

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É esse histórico que agora ganha destaque com sua chegada à Chilli Beans, justamente em um momento em que a varejista busca renegociar suas dívidas com instituições financeiras.

Chilli Beans negocia com bancos

A empresa confirmou que mantém negociações avançadas com bancos credores para alongar os prazos de pagamento e reduzir os juros.

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A Chilli Beans, porém, afirma que não existe discussão sobre um eventual pedido de recuperação judicial. A declaração foi dada após informações de que a companhia avaliava essa possibilidade e teria preparado documentos para um eventual pedido.

A empresa contesta essa informação e diz que a negociação com os credores ocorre de forma amigável. O valor atualmente discutido com os bancos não foi informado, assim como os nomes das instituições envolvidas.

Dívida já havia aumentado

A pressão financeira da companhia vinha sendo acompanhada antes do anúncio do novo executivo. Documentos obtidos pelo Times Brasil apontaram que a dívida bruta da empresa passou de R$ 216 milhões no fim de 2023 para R$ 290 milhões em 2024. O balanço referente a 2024, porém, não era auditado.

A estrutura financeira do grupo também envolve a Mustang 25 Participações, holding que concentra as operações da Chilli Beans. Em fevereiro de 2025, a empresa realizou uma emissão de R$ 100 milhões em debêntures.

Leia também: Juros altos empurram empresas menores para recuperação judicial

Em abril deste ano, a Vert Companhia Securitizadora convocou os debenturistas para discutir um eventual vencimento antecipado da emissão depois que a Mustang não apresentou as demonstrações financeiras auditadas de 2025. Posteriormente, a holding também foi notificada por falta de pagamento de uma parcela da dívida. A Chilli Beans não apresentou um número atualizado de seu endividamento.

Caito Maia continua como CEO

Apesar da mudança na estrutura de gestão, Caito Maia permanece no comando da companhia.

Segundo a Chilli Beans, a chegada de Dela Togna permitirá que o fundador concentre mais esforços na relação com clientes e franqueados, enquanto o novo vice-presidente dará suporte às atividades operacionais.

A mudança ocorre em um momento de reorganização financeira e operacional, mas a empresa reforça que não considera a recuperação judicial uma alternativa em discussão.

Empresa mantém projeção de crescimento

Mesmo diante das negociações financeiras, a Chilli Beans afirma que mantém uma perspectiva positiva para o desempenho comercial.

A companhia projeta crescimento de 10% em 2026 e diz ter registrado resultados recordes no último Dia dos Pais. Para os próximos meses, a varejista prepara lançamentos ligados a artistas, novas parcerias com marcas de moda e iniciativas voltadas a diferentes regiões do país.

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A Chilli Beans afirma que as negociações com os bancos têm como objetivo melhorar as condições de pagamento e reduzir o custo da dívida, enquanto mantém o plano de expansão dos negócios.

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