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O que está à venda na negociação da Raízen na Argentina?
Publicado 11/05/2026 • 11:08 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 11/05/2026 • 11:08 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Foto: Unsplash
O que está à venda na negociação da Raízen na Argentina
A negociação envolvendo a Raízen na Argentina inclui alguns dos principais ativos da companhia no país e pode redesenhar parte do mercado argentino de combustíveis.
O pacote colocado à venda reúne cerca de mil postos da marca Shell, a refinaria Dock Sud, uma das maiores da Argentina, além de estruturas ligadas à logística, transporte e distribuição de combustíveis.
O negócio, avaliado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, deve ser fechado pela multinacional suíça Mercuria Energy Group em parceria com os empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila.
Leia também: Raízen: entenda por que a empresa está vendendo ativos na Argentina
Entre os principais ativos negociados está a refinaria Dock Sud, localizada na província de Buenos Aires. Além disso, a unidade possui capacidade para processar aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia e, atualmente, ocupa posição estratégica no setor de refino argentino, ficando atrás apenas de duas refinarias da estatal YPF.
A venda também envolve uma ampla rede de postos Shell espalhados pelo país, fortalecendo a atuação da futura compradora também no varejo de combustíveis.
Com isso, o grupo interessado na aquisição poderá ampliar presença em diferentes etapas da cadeia do petróleo, reunindo produção, refino, transporte e comercialização.
Segundo informações do Estadão, as diligências já foram concluídas e resta apenas a formalização do contrato. As propostas vinculantes foram apresentadas ainda em novembro do ano passado.
A aquisição pode ampliar de forma relevante a presença da Mercuria no mercado argentino de petróleo. Isso porque a companhia suíça já mantém parceria com Manzano e Vila na Phoenix Global Resources, produtora argentina de petróleo.
Com a compra dos ativos da Raízen, o grupo poderá verticalizar ainda mais as operações, integrando produção, refino, transporte e venda de combustíveis.
Os empresários argentinos envolvidos na negociação também possuem participação em outros setores estratégicos do país. Manzano e Vila controlam o Grupo América, um dos maiores conglomerados de mídia da Argentina, e ainda possuem participação nas distribuidoras de energia Edenor e Edemsa.
Além disso, eles mantêm negócios em mineração ao lado da Mercuria, incluindo projetos ligados à prata, lítio e urânio.
José Luis Manzano também teve forte atuação política antes de migrar para o setor empresarial. Durante o governo de Carlos Menem, nos anos 1990, ele ocupou o cargo de ministro do Interior da Argentina e também atuou como deputado nacional.
Já Daniel Vila iniciou sua trajetória como funcionário de Manzano antes de se tornar sócio em diferentes áreas de negócios.
A venda das operações argentinas integra o plano de reorganização financeira da Raízen, considerado atualmente um dos principais desafios do Grupo Cosan.
A empresa negocia um plano de recuperação extrajudicial com bancos e detentores de títulos de dívida no Brasil e no exterior. Parte dos recursos obtidos com a venda deve seguir para o pagamento de credores.
A expectativa da companhia é concluir um acordo nas próximas semanas e encaminhar o plano para homologação judicial em junho.
Antes de abrir o processo competitivo, a Raízen também chegou a negociar os ativos com a Saudi Aramco, estatal de energia da Arábia Saudita, mas as conversas não avançaram.
Leia também: Venda bilionária da Raízen na Argentina entra na reta final; anúncio pode sair em maio
A Raízen adquiriu os ativos da Shell na Argentina em 2018. Na época, a refinaria Dock Sud, considerada a segunda maior do país, recebeu avaliação próxima de US$ 1 bilhão.
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