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Semaglutida perde patente em 2032: por que isso preocupa investidores da Novo
Publicado 26/09/2026 • 12:30 | Atualizado há 34 minutos
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KEY POINTS
Foto: Unsplash
A Novo enfrenta um dos maiores desafios de sua história: preparar o negócio para o fim da exclusividade da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Wegovy e Ozempic. A patente expira nos Estados Unidos em 2032, justamente no principal mercado da farmacêutica, que respondeu por mais da metade das vendas totais da companhia no ano passado.
A perspectiva ajuda a explicar a reação negativa dos investidores nesta segunda-feira (21). As ações da Novo chegaram a cair 7% em Copenhague e recuavam 5,4%.
Durante o Capital Markets Day, realizado em Londres, o CEO Mike Doustdar reconheceu que o fim da exclusividade da semaglutida é uma das principais preocupações do mercado. Segundo ele, a Novo criou um mercado de grande dimensão, mas passou a enfrentar a entrada de empresas farmacêuticas de diferentes portes.
A perda de exclusividade tende a aumentar a pressão sobre os preços e a concorrência pelos pacientes. Por isso, a companhia pretende chegar a 2032 com um portfólio mais amplo e menos dependente de seus principais produtos atuais.
Leia também: Novo Nordisk eleva projeção para 2026, mas ações caem após guidance decepcionar investidores
A estratégia apresentada por Doustdar prevê o lançamento de mais de cinco medicamentos com potencial para se tornarem grandes sucessos comerciais até 2030. A companhia estima que seu portfólio de produtos em desenvolvimento poderá gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, ou cerca de US$ 23 bilhões (R$ 117,8 bilhões), em vendas ajustadas ao risco até 2035.
A Novo também indicou que pretende ampliar sua atuação para além de obesidade e diabetes. As áreas citadas incluem doenças hematológicas e endócrinas, doenças hepáticas e doenças cardiovasculares.
A mudança representa uma inflexão em relação à estratégia adotada anteriormente por Doustdar, que havia reforçado a concentração nos negócios de obesidade e diabetes e reduzido a expansão para outras áreas terapêuticas. Agora, a companhia também pretende ser mais ativa em desenvolvimento de negócios, embora essa iniciativa não esteja incluída na meta de vendas para 2030.
A farmacêutica espera ainda que o crescimento da receita entre 2026 e 2030 fique em linha com o de seus pares do setor. Para parte dos investidores, porém, essa projeção representa uma redução significativa na velocidade de expansão que a Novo vinha apresentando.
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Siga o Times | CNBCLeia também: China aceita pedido da Novo Nordisk para vender Wegovy em comprimido
O problema para a Novo não está apenas no que pode acontecer em 2032. A concorrência no mercado de medicamentos para perda de peso já vem alterando a posição da empresa.
Antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira, as ações da Novo acumulavam queda de 27% em 12 meses. No mesmo período, os papéis da Eli Lilly avançavam 52%.
A concorrente conquistou a maior parcela do mercado de medicamentos injetáveis da classe GLP-1 com Mounjaro e Zepbound, mesmo tendo lançado esses produtos anos depois das opções da Novo.
A companhia dinamarquesa também tenta reagir com a versão em comprimido do Wegovy, lançada nos Estados Unidos no início deste ano e posteriormente em outros mercados. O produto apresentou desempenho forte, mas ainda representa uma parcela pequena das vendas totais da empresa.
Além da disputa comercial, resultados negativos em uma série de testes clínicos e mudanças na liderança ao longo do último ano aumentaram a cautela do mercado. Em agosto, a Novo projetou queda de 6% a zero nas vendas e no lucro operacional ajustados de 2026, considerando taxas de câmbio constantes.
Na semana passada, a farmacêutica também anunciou a mudança de nome de Novo Nordisk para Novo e uma reformulação de sua cultura corporativa. Segundo Doustdar, as duas iniciativas fazem parte da mesma estratégia para enfrentar o aumento da concorrência.
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