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Shein: fim de isenção tarifária nos EUA pressiona preços e resultados da varejista

Publicado 30/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Fim da isenção para pequenas encomendas aumenta os custos da Shein nos Estados Unidos.
  • Empresa eleva preços para compensar parte do impacto das tarifas, pressionando seu principal diferencial: os preços baixos.
  • Shein chega ao IPO em Hong Kong com crescimento desacelerado e avaliação muito menor que o pico de 2022.

Foto: Unsplash

Gigantes da moda como Shein e Temu terão que pagar uma multa de 9 euros (R$ 54) por calça jeans vendida na França a partir de 1º de setembro.

A Shein enfrenta um novo desafio no mercado americano: o fim de uma isenção tarifária para pequenas encomendas importadas pelos Estados Unidos elevou os custos da varejista e pressionou tanto os preços cobrados dos consumidores quanto os resultados financeiros da companhia.

O impacto ocorre em um momento delicado para a empresa, que se prepara para abrir o capital em Hong Kong. A Shein pretende levantar até 13,86 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 1,77 bilhão, cerca de R$ 9,2 bilhões) em seu IPO, segundo documento divulgado nesta segunda-feira.

A varejista de moda ultrarrápida colocou à venda cerca de 280 milhões de ações classe B, com preço entre HK$ 47,60 e HK$ 49,50. No topo dessa faixa, a empresa pode alcançar uma avaliação de aproximadamente US$ 27 bilhões (R$ 140 bilhões).

O preço final da oferta deve ser anunciado em 31 de agosto, e as ações devem começar a ser negociadas em 1º de setembro.

Leia também: Shein mira IPO de US$ 27 bilhões em Hong Kong — uma fração de sua avaliação de 2022

Fim da isenção aumenta custos

A mudança nas regras de importação dos EUA afetou diretamente o modelo de negócios da Shein, que depende do envio de grandes volumes de pequenos pedidos diretamente aos consumidores.

Com o fim da isenção tarifária, produtos que antes chegavam ao país sob condições mais favoráveis passaram a sofrer maior incidência de tarifas. Para compensar parte do impacto, a companhia afirmou que precisou repassar custos aos consumidores e elevar preços.

A pressão ocorre justamente em um mercado no qual o preço baixo é um dos principais atrativos da Shein.

Leia também: Unitree x Shein: o que os novos IPOs revelam sobre o futuro da China

Receita cresce menos

O efeito das tarifas se soma à desaceleração do crescimento da empresa. A receita da Shein avançou 8% em 2025, contra crescimento de 20,7% no ano anterior.

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A companhia também registrou um prejuízo de US$ 99 milhões (cerca de R$ 512 milhões) no início de 2026, influenciado pela perda da isenção tarifária e por uma despesa contábil não recorrente.

O cenário representa uma mudança significativa para uma empresa que, nos últimos anos, ganhou mercado justamente por combinar preços baixos, grande variedade de produtos e velocidade na renovação das coleções.

Avaliação cai antes do IPO

A pressão sobre os resultados também aparece na avaliação da companhia. A Shein chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões (cerca de R$ 508 bilhões) em 2022, durante rodadas de captação no mercado privado.

Em 2023 e abril de 2024, a avaliação caiu para US$ 64 bilhões (R$ 331 bilhões). Agora, o IPO em Hong Kong pode atribuir à empresa um valor próximo de US$ 27 bilhões, caso a oferta seja precificada no topo da faixa.

Hong Kong vira alternativa

A abertura de capital em Hong Kong acontece depois de tentativas frustradas de levar a Shein para as bolsas de Londres e Nova York. A companhia recebeu aprovação da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China para a listagem no início de julho.

O IPO, porém, ocorre em um momento de menor entusiasmo de investidores e consumidores em relação à varejista.

Além da pressão tarifária, a Shein enfrenta questionamentos sobre as condições de trabalho de seus fornecedores, perda de força entre consumidores com menos de 35 anos e uma concorrência mais intensa, especialmente com a Temu.

Assim, a companhia chega ao mercado acionário com o desafio de preservar seu principal diferencial, preços baixos, justamente quando as novas regras comerciais dos EUA tornam esse modelo mais caro.

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