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Shein vale US$ 26 bilhões após estreia fraca em Hong Kong

Publicado 04/09/2026 • 20:00 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • Ações da Shein chegaram a recuar 10% durante a estreia na Bolsa de Hong Kong, mas fecharam o pregão com queda de apenas 0,10%.
  • A companhia levantou HK$ 13,6 bilhões no IPO, cerca de US$ 1,7 bilhão, com a venda de 280 milhões de ações a HK$ 48,56 cada.
  • O valor de mercado de US$ 26 bilhões representa uma queda de mais de 70% em relação à avaliação de quase US$ 100 bilhões atingida em 2022.
Shein vale US$ 26 bilhões após estreia fraca em Hong Kong

Foto: unsplash

Shein vale US$ 26 bilhões após estreia fraca em Hong Kong

A Shein terminou sua estreia na Bolsa de Hong Kong com queda de 0,10%, depois de recuar até 10% durante o pregão. A companhia agora tem valor de mercado de US$ 26 bilhões (cerca de R$ 133,03 bilhões), mais de 70% abaixo do pico de quase US$ 100 bilhões (R$ 512 bilhões) alcançado em 2022.

A abertura de capital ocorre em um momento de maior preocupação dos investidores com o ritmo de crescimento da empresa e com os impactos das mudanças no comércio internacional, de acordo com a Forbes.

Dessa forma, a companhia de moda rápida, que tem sede em Singapura, chegou ao mercado de Hong Kong depois de tentativas frustradas de listar suas ações em Londres e Nova York.

Leia também: Chris Xu: quem é o fundador bilionário da Shein?

Shein levanta US$ 1,7 bilhão com IPO

Apesar do desempenho fraco das ações no primeiro dia, a oferta pública inicial permitiu que a Shein levantasse HK$ 13,6 bilhões (R$ 8,70 bilhões). A companhia vendeu 280 milhões de ações por HK$ 48,56 (R$ 31,73) cada. Além disso, o valor corresponde ao ponto médio da faixa indicativa de preços estabelecida para o IPO.

Segundo o prospecto da operação, a Shein pretende utilizar os recursos para ampliar o reconhecimento da marca e modernizar sua infraestrutura tecnológica. A abertura de capital também representa um marco para Sky Xu, cofundador bilionário da empresa. Depois de buscar uma listagem em outros mercados, a companhia finalmente chegou à Bolsa de Hong Kong.

Valor da Shein cai mais de 70%

A reação dos investidores contrasta com a trajetória da empresa no mercado privado. Em 2022, após uma rodada de financiamento Série D, a Shein chegou a uma avaliação próxima de US$ 100 bilhões (R$ 512,26 bilhões).

Agora, a capitalização de mercado está em HK$ 205 bilhões (R$ 133,18 bilhões). Dessa forma, na prática, a companhia perdeu mais de 70% do valor que chegou a atingir naquele período. O resultado reflete, entre outros fatores, as dúvidas sobre a capacidade da Shein de manter o ritmo de expansão registrado nos anos anteriores.

Crescimento desacelera

Os resultados financeiros mais recentes ajudam a explicar a cautela do mercado. No ano passado, as vendas da Shein cresceram 8%, para US$ 41,8 bilhões (R$ 214,1 bilhões). Ao mesmo tempo, o lucro líquido recuou quase 40% e ficou em US$ 2,1 bilhões (R$ 10,76 bilhões). Dessa forma, o aumento dos custos de logística pressionou o resultado da companhia.

Para Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações da Morningstar em Singapura, a receita da Shein deve continuar crescendo em ritmo anual de um dígito durante algum tempo. A avaliação consta de uma nota publicada antes da estreia na Bolsa.

Além disso, Ke Yan, analista da Shenton Research, também em Singapura, avalia que a preferência dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial reduziu o interesse por ações do setor de consumo, como a Shein.

Leia também: Os retalhos de um IPO da Shein

Tarifas pressionam negócios da Shein

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A desaceleração ocorre paralelamente a mudanças nas regras de comércio internacional. Nos Estados Unidos, o governo Trump revogou em 2025 a regra de minimis, que permitia o envio de pequenos pacotes com valor inferior a US$ 800 (R$ 4.097) sem cobrança de impostos.

Com a mudança, a Shein passou a enfrentar impostos mais elevados. Segundo o prospecto do IPO, as taxas podem variar de 10% a 87,5%. O impacto é relevante porque Estados Unidos e Europa concentram uma parcela significativa das vendas da companhia. No ano passado, os dois mercados responderam por quase dois terços da receita total da Shein.

Kenny Ng, estrategista de valores mobiliários da Everbright Securities International, afirmou que a empresa enfrenta desafios operacionais diante de um cenário de comércio internacional mais incerto e do avanço do protecionismo local.

Europa também muda regra para pequenos pacotes

A pressão sobre o modelo de negócios da Shein também chegou à Europa. Em julho, autoridades europeias revogaram uma regra que permitia o envio de pequenos pacotes para o bloco sem cobrança de impostos.

As mudanças aumentam os custos para empresas que dependem de remessas internacionais de baixo valor. Para a Shein, o cenário ocorre justamente quando o crescimento da receita já apresenta sinais de desaceleração.

Dessa forma, a companhia precisa lidar simultaneamente com custos maiores, mudanças nas regras de importação e um ambiente internacional menos favorável ao comércio.

Shein terá de compensar antigos investidores

A operação em Hong Kong também envolve compromissos com investidores que participaram das rodadas anteriores de financiamento da empresa.

Leia também: Shein fracassa em sua estreia em Hong Kong, enfrentando dificuldades globais

A Shein concordou em pagar até US$ 3,5 bilhões a investidores que participaram das rodadas Série D e D+. Entre eles estão Boyu Capital, HSG, antiga Sequoia China, e Tiger Global Management. O montante supera em mais de duas vezes os US$ 1,7 bilhão levantados com a oferta pública inicial.

Assim, embora a chegada à Bolsa de Hong Kong tenha permitido à Shein captar novos recursos para tecnologia e expansão da marca, a estreia também expôs a diferença entre a avaliação atual da empresa e o valor que ela alcançou no auge de sua trajetória no mercado privado.

Com valor de mercado de US$ 26 bilhões, a Shein começa sua fase como companhia listada sob maior pressão para recuperar o crescimento e demonstrar aos investidores que ainda consegue expandir seus negócios em um ambiente comercial mais restritivo.

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