Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Startup ligada à família Trump quer levar robôs humanoides para operações militares
Publicado 30/05/2026 • 08:55 | Atualizado há 7 minutos
Ações da SentinelOne caem após empresa cortar empregos para ampliar investimentos em IA
Com IPO da SpaceX se aproximando, mercado vê Elon Musk como forte candidato a se tornar o primeiro trilionário
Ações da Dell disparam 32% e caminham para melhor dia da história
EXCLUSIVO CNBC: os clubes de futebol mais valiosos do mundo em 2026
Anthropic supera a OpenAI como a startup de IA mais valiosa
Publicado 30/05/2026 • 08:55 | Atualizado há 7 minutos
KEY POINTS
Foundation Future Industries
A Foundation Future Industries, uma startup fundada em 2024, tem como objetivo utilizar robôs humanoides para trabalhos militares e industriais, em vez de tarefas domésticas e no setor de serviços
Enquanto o Vale do Silício corre para desenvolver robôs humanoides capazes de dobrar roupas e preparar um café, pelo menos uma startup enxerga um uso muito diferente para a tecnologia: a guerra ou outras atividades potencialmente perigosas e letais.
Trata-se da Foundation Future Industries, empresa de robótica sediada em São Francisco e ligada à família Trump, que desenvolve robôs humanoides autônomos de “uso dual” para ambientes industriais pesados e aplicações militares.
Embora os robôs pareçam saídos de um filme de ficção científica ao estilo de “O Exterminador do Futuro”, eles estão cada vez mais próximos da realidade. As primeiras versões já passaram por testes na Ucrânia para possível utilização na guerra de Kiev contra a Rússia.
Leia também: Como fábricas e centros de treinamento estão simulando ambientes reais para ensinar robôs humanoides
Segundo o CEO da Foundation, Sankaet Pathak, a missão da empresa é direcionar a robótica humanoide para os maiores desafios da humanidade, e não para tarefas domésticas ou funções de atendimento.
“Estou convencido de que a tecnologia está alcançando um nível em que pode substituir trabalhos perigosos para seres humanos. E, se isso for possível, será o maior benefício que a robótica pode gerar entre todas as suas aplicações”, afirmou Pathak à CNBC.
Embora atue em um mercado cada vez mais concorrido de robôs humanoides, a Foundation se destaca por defender abertamente o potencial uso militar de sua tecnologia.
Leia também: Alvaro Machado: robôs humanoides esbarram no mundo real e ainda não conseguem “abrir qualquer porta”
A startup estabeleceu metas agressivas. Pathak pretende ampliar a produção para milhares de unidades ainda neste ano e iniciar testes em operações de linha de frente com os militares dos Estados Unidos nos próximos 18 meses.
Os planos da empresa e sua aproximação com Washington representam mais um exemplo de como a inteligência artificial e a robótica estão transformando os conflitos modernos e se tornando um tema de segurança nacional.
Pathak ficou conhecido anteriormente por comandar a plataforma financeira Synapse, que entrou em falência em 2024. Pouco depois, fundou a Foundation ao lado de Arjun Sethi, ex-CEO da Tribe Capital, e Mike LeBlanc, cofundador da Cobalt Robotics.
A nova empresa também enfrentou questionamentos após sugerir que mantinha relações próximas com a General Motors e poderia receber investimentos da montadora. Posteriormente, a GM rejeitou essas alegações.
Leia também: Robôs humanoides da China passam de tropeços virais a saltos de kung fu em um ano
A Foundation ganhou projeção internacional no início deste ano ao enviar duas unidades do robô Phantom MK-1 para a Ucrânia, no que descreveu como o primeiro uso conhecido de robôs humanoides em um teatro de combate.
Os testes, apoiados pelo governo dos Estados Unidos e conduzidos em parceria com autoridades ucranianas, concentraram-se em atividades logísticas em áreas perigosas.
A Ucrânia tornou-se um ambiente natural para a estreia da tecnologia. O conflito com a Rússia, agora em seu quinto ano, já serviu de laboratório para o uso de robôs terrestres destinados ao transporte de suprimentos, além de drones autônomos e sistemas de inteligência artificial aplicados a ataques de precisão e missões de reconhecimento.
Segundo Pathak, os testes do MK-1 já demonstraram a capacidade do robô para realizar a coleta de suprimentos, tarefa que frequentemente expõe soldados a riscos.
Leia também: Robôs humanoides viram destaque no espetáculo de Ano Novo Chinês; vídeo
Mesmo assim, os modelos atuais ainda estão longe da imagem de “super soldados”. Eles transportam apenas cerca de 20 quilos, não são à prova d’água e possuem autonomia de bateria insuficiente para operações em larga escala.
A empresa pretende enviar versões aprimoradas para a Ucrânia ainda neste ano. O modelo Phantom 2, segundo Pathak, contará com “habilidades sobre-humanas” e capacidade de carga duas vezes superior à do Phantom 1.
O Ministério da Defesa da Ucrânia recusou-se a comentar o assunto, enquanto o Departamento de Defesa dos EUA não respondeu aos questionamentos.
A Foundation espera utilizar os testes na Ucrânia como base para futuros projetos com as forças armadas americanas.
Leia também: Hyundai vê projeto de robôs humanoides sob risco após disputa trabalhista
A startup já recebeu contratos de pesquisa do governo que somam US$ 24 milhões (R$ 121,0 milhões) para testes de viabilidade em atividades de inspeção, logística e manuseio de armas junto ao Exército, à Marinha e à Força Aérea dos Estados Unidos.
Segundo Pathak, as conversas com autoridades governamentais deixaram de focar apenas em pesquisa e passaram a tratar da ampliação do uso dos robôs.
O executivo pretende que a tecnologia da Foundation seja utilizada pelas forças armadas americanas – e, se necessário, em linhas de frente de conflitos – dentro dos próximos 12 a 18 meses.
Parte desse esforço contará com a participação de Eric Trump, segundo filho do atual presidente dos EUA, que recentemente assumiu o cargo de conselheiro-chefe de estratégia da empresa.
Leia também: Tesla encerra produção dos modelos S e X para desenvolver robôs humanoides
A nomeação chamou a atenção da senadora democrata Elizabeth Warren, que classificou os contratos governamentais da companhia como “corrupção à vista de todos”.
Um porta-voz da Foundation afirmou à CNBC que Eric Trump já era investidor da empresa antes de assumir a função de conselheiro e que ambas as partes compartilham a visão de fortalecer a indústria manufatureira nos Estados Unidos.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no GoogleA empresa também tem destacado o alinhamento de sua tecnologia aos interesses estratégicos de Washington, especialmente no contexto da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.
O objetivo é entregar “os melhores robôs que conseguirmos construir” para os militares americanos, superiores aos desenvolvidos pela China, afirmou Pathak.
Leia também: Robôs humanoides fabricados na China miram mercados do Oriente Médio e dos Estados Unidos
Apesar do entusiasmo da empresa, especialistas questionam se robôs humanoides podem ser mais práticos e econômicos para fins militares do que outras alternativas já disponíveis.
“Fazer robôs parecerem humanos é um desafio de engenharia complexo e caro. O que a Ucrânia nos ensinou é justamente o oposto: precisamos de capacidade para adaptação rápida e produção barata e em grande escala”, afirmou Melanie Sisson, pesquisadora sênior do programa de Política Externa da Brookings Institution.
Ainda assim, muitos especialistas concordam que a presença de robôs movidos por inteligência artificial nos conflitos está cada vez mais próxima.
Leia também: Investidora diz que robôs humanoides serão a “maior de todas” as oportunidades em inteligência artificial
“Espero que robôs terrestres, aéreos e submarinos substituam forças humanas”, disse Toby Walsh, cientista-chefe do Instituto de Inteligência Artificial da Universidade de New South Wales.
Por outro lado, Walsh ponderou que imaginar robôs humanoides no estilo “Exterminador do Futuro” pode ser apenas um clichê da ficção científica.
Embora diversas empresas americanas estejam desenvolvendo robôs autônomos para aplicações militares em parceria com o governo dos Estados Unidos, o Pentágono ainda não divulgou o uso operacional de robôs humanoides para esse fim.
A China, que abriga várias fabricantes de destaque no setor, também financia iniciativas voltadas à tecnologia, principalmente para aplicações industriais e econômicas. Pesquisadores militares chineses já divulgaram estudos sobre o potencial dos robôs humanoides para uso militar, mas o alcance real desses testes permanece incerto.
Leia também: Chinesa Unitree planeja IPO avaliado em US$ 7 bilhões em meio à corrida por robôs humanoides
As forças armadas chinesas já apresentaram versões iniciais de cães robóticos com inteligência artificial voltados para combate, além de soldados humanoides controlados por movimento.
Defensores da tecnologia afirmam que robôs humanoides são mais adequados para operar em canteiros de obras, centros logísticos e zonas de guerra projetados originalmente para seres humanos.
Segundo Kateryna Bondar, pesquisadora sênior do Wadhwani AI Center, do CSIS, robôs humanoides podem oferecer vantagens específicas em cenários de combate devido à sua autonomia e destreza semelhante à humana.
“Os ambientes modernos de combate urbano – com escadas, porões, corredores estreitos e outros obstáculos – foram criados para a movimentação humana, o que pode dar vantagem aos sistemas humanoides em comparação com robôs sobre esteiras ou quadrúpedes em determinadas situações”, afirmou.
Leia também: Alibaba lidera investimento de US$ 100 milhões em startup chinesa de robôs humanoides
Mesmo assim, permanecem dúvidas sobre a complexidade e os custos de fabricação desses equipamentos.
À medida que os robôs humanoides se aproximam dos campos de batalha, crescem também as preocupações éticas, especialmente em relação à tomada autônoma de decisões em cenários onde vidas humanas estão em jogo.
Embora a maioria das aplicações armadas dos robôs Phantom mantenha algum nível de supervisão humana, Pathak afirmou que, em determinadas situações críticas, os equipamentos precisarão tomar decisões de forma totalmente autônoma.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
Mais lidas
1
Sob pressão, Inter vê remuneração de executivos virar alvo de investidores
2
Inverno curto por conta do El Niño deve antecipar vendas de verão no e-commerce
3
Enquadramento de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA pode afetar PIB e dólar no Brasil
4
Anthropic lança Opus 4.8 com workflows dinâmicos e modo rápido mais barato
5
Classificação do PCC e CV como terroristas coloca sistema financeiro brasileiro na mira da Justiça americana