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Veja por que companhias aéreas ainda devem repassar novos aumentos nas passagens

Publicado 25/05/2026 • 12:25 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Mesmo após alta próxima de 10% nas tarifas aéreas em abril, companhias ainda enfrentam pressão de custos e podem elevar preços novamente, segundo Maurício França.
  • Especialista afirma que medidas adotadas pelo governo aliviaram apenas parte do impacto provocado pelo avanço do querosene de aviação.
  • Complexidade regulatória e judicialização dificultam expansão de companhias low cost no Brasil, diz executivo da L.E.K. Consulting.

O aumento recente das passagens aéreas ainda não compensou totalmente a pressão de custos enfrentada pelas companhias do setor, afirmou o sócio da L.E.K. Consulting, Maurício França, ao avaliar que as tarifas podem subir novamente nos próximos meses.

Segundo ele, o reajuste de cerca de 9% a 10% registrado em abril ficou abaixo do necessário para equilibrar os impactos provocados principalmente pela alta do combustível de aviação. “Dada a magnitude do aumento de custo, você teria que aumentar pelo menos uns 20% o preço das passagens”, destacou, em entrevista nesta segunda-feira (25) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para tentar preservar rentabilidade, as empresas reduziram voos, cortaram rotas menos lucrativas e diminuíram a oferta de assentos. De acordo com França, o movimento atingiu principalmente algumas operações voltadas ao Nordeste. “Tudo isso é uma tentativa de conseguir equacionar, mas é realmente difícil”, ressaltou.

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Pressão nos custos

O especialista afirmou que o avanço de cerca de 55% no preço do querosene de aviação agravou a situação financeira das companhias aéreas brasileiras, mesmo após medidas de apoio anunciadas pelo governo federal.

Na avaliação dele, iniciativas como a redução de impostos sobre o setor tiveram impacto limitado sobre a estrutura de custos das empresas. “A redução dos impostos equivale a uns 2% dos custos deles. Então é um pedacinho pequeno”, pontuou.

França explicou ainda que parte das medidas adotadas apenas adiou despesas futuras das companhias, sem eliminar efetivamente os custos. Segundo ele, a recente queda do dólar trouxe algum alívio operacional, mas insuficiente para neutralizar totalmente o impacto do combustível.

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Ainda tem uns 10% de aumento por vir. É difícil”, alertou.

Low cost no Brasil

O executivo também avaliou que o ambiente regulatório brasileiro continua sendo um dos principais obstáculos para a entrada mais forte de companhias aéreas de baixo custo no País.

Segundo França, o modelo low cost depende de operações extremamente simplificadas, algo difícil de replicar no mercado brasileiro devido à complexidade operacional e regulatória. “O Brasil não é um mercado muito fácil de operar”, observou.

Ele destacou ainda que regras de proteção ao consumidor e o elevado nível de judicialização aumentam os custos e dificultam a implementação de modelos mais agressivos de redução tarifária. “As empresas low cost de fora olham aqui e tentam replicar o modelo, mas não conseguem”, explicou.

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Experiências extremas

Durante a entrevista, França comentou também propostas experimentais envolvendo passageiros viajando praticamente em pé em voos curtos, ideia que vem sendo discutida no setor como alternativa para reduzir custos e ampliar capacidade.

Segundo ele, a proposta ainda depende de testes de aceitação do público e não possui implementação consolidada. “Você realmente tem que começar a voar e ver como é que é a aceitação”, ponderou.

O especialista afirmou que as empresas tentam atender simultaneamente passageiros dispostos a pagar mais por conforto e consumidores que buscam tarifas mais baratas. “As empresas aéreas vêm tentando ter as duas coisas”, concluiu.

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