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Criptomoedas, cambistas e Logan Paul: como as cartas de Pokémon viraram um mercado milionário
Publicado 22/05/2026 • 06:52 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 22/05/2026 • 06:52 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Foto por MARTIN LELIEVRE / AFP
Esta fotografia mostra cartas colecionáveis do Jogo de Cartas Colecionáveis Pokémon (TCG) expostas no apartamento de um colecionador amador em Paris, em 11 de março de 2026.
Quando eu era criança, no fim dos anos 1990, colecionar cartas de Pokémon era um hobby divertido. Eu comprava pacotes na esperança de conseguir as “shinies” mais raras, ou seja, cartas holográficas. Trocávamos cartas com amigos e até participávamos de encontros para negociar cartas tentando “capturar todas” — frase que definiu a franquia, que saiu do Nintendo Game Boy para virar um anime de televisão.
Quando voltei a colecionar, há dois anos, as coisas haviam mudado. Já fiquei em uma fila com 100 pessoas em um estacionamento em frente a uma loja de brinquedos esperando o reabastecimento mais recente de cartas. Também vi quatro homens reunidos ao redor de um carro discutindo quanto poderiam ganhar revendendo o porta-malas cheio de cartas compradas em várias lojas durante a manhã.
Novas cartas podem se esgotar em minutos. Pessoas se organizam no X e no Discord para saber onde ir.
Leia também: Pokémon vale mais que a Bolsa? Cartas viram investimento bilionário e nostalgia redefine o mercado
Há cenas parecidas nos Estados Unidos. Vídeos circulam nas redes sociais mostrando pessoas se atropelando para conseguir pacotes de cartas. Também houve relatos de furtos relâmpago em lojas que mantêm estoques de cartas. Cartas mais cobiçadas são revendidas por múltiplos do preço original. As mais raras podem valer milhões de dólares.
É um contraste marcante em relação à época em que eu podia entrar em qualquer loja e comprar quantas cartas quisesse.

De 2004 a 2020, os preços das cartas Pokémon subiram 282%, segundo um índice compilado pela Collectors, dona da empresa de autenticação de cartas Professional Sports Authenticator (PSA). Desde 2020, os preços dispararam impressionantes 1.350%, de acordo com o índice.
Os preços subiram tanto que passaram a superar classes tradicionais de investimento, atraindo pessoas em busca de lucro rápido e indivíduos de altíssimo patrimônio interessados em ativos capazes de proteger ou ampliar riqueza.
Pessoas que ganharam dinheiro com criptomoedas estão entrando em peso nesse mercado, disseram analistas ouvidos pela CNBC, à medida que os preços atingem níveis sem precedentes.

Pokémon chamou a atenção do público em 1996, quando os primeiros jogos foram lançados para o Nintendo Game Boy. As cartas colecionáveis vieram logo depois.
Embora a Pokémon tenha continuado produzindo cartas, a popularidade diminuiu nos anos 2000. Tudo mudou com o lançamento de “Pokémon Go”, em 2016, jogo para smartphones que levou pessoas às ruas para “capturar” Pokémon no mundo real.
O lançamento do Nintendo Switch, em 2017, e de novos jogos da franquia para o console trouxe millennials nostálgicos e novos jogadores para esse universo.
Leia também: Japão inaugura primeiro parque permanente de Pokémon e cria novo fenômeno turístico
As cartas ganharam popularidade especialmente nos últimos três anos, à medida que a The Pokémon Company, dona da franquia, passou a lançar coleções com personagens originais apresentados no fim dos anos 1990.
“É como uma espécie de renascimento do Pokémon”, disse Stephanie Farnsworth, professora de mídia e comunicação da Universidade de Sunderland, à CNBC.
A The Pokémon Company continua lançando novas coleções de cartas a cada poucos meses, com o entusiasmo do público sendo impulsionado neste ano por produtos especiais de 30º aniversário.
Além da alta nos preços, vendas de grande repercussão ajudaram a alimentar o entusiasmo nos últimos anos.
Em fevereiro, o influenciador Logan Paul vendeu uma rara carta Pikachu Illustrator por mais de US$ 16 milhões, após tê-la comprado por pouco mais de US$ 5 milhões em 2021.
Outras cartas raras foram vendidas por centenas de milhares de dólares. Segundo Roy Raftery, especialista em cartas colecionáveis da casa de leilões londrina Stanley Gibbons Baldwin’s, o segmento de alto padrão está sendo impulsionado por pessoas que enriqueceram com criptomoedas.
“As pessoas me dizem que estão colocando dinheiro nisso porque não têm mais nada para fazer com ele. Ganharam muito dinheiro com cripto e estão despejando tudo em Pokémon”, afirmou Raftery à CNBC.
Uma rápida análise de redes sociais como o X mostra usuários ligados ao universo cripto falando sobre cartas Pokémon como se fossem ações, debatendo o mercado e discutindo se as quedas recentes representam apenas uma correção.
Raftery disse que a maior parte dos compradores em sua empresa “não são colecionadores genuínos”, mas pessoas “em busca de ativos de alto padrão” ou empresas globais interessadas em comprar estoques de cartas Pokémon para revenda “por causa de quão lucrativo é o mercado dessas cartas vintage”.
Não são apenas cartas antigas que estão sendo revendidas com grandes margens de lucro.
No Reino Unido, uma caixa Mega Evolution Ascended Heroes Elite Trainer Box é vendida no site oficial do Pokémon Centre por 54,99 libras (US$ 74,50). Encontrei o produto no eBay sendo revendido por mais de 100 libras e, em alguns casos, acima de 300 libras.
Algumas das Elite Trainer Boxes mais populares, como a Scarlet & Violet 151 ETB Elite Trainer Box, aparecem no eBay por mais de 450 libras.
Leia também: Empresa do Pokémon reprova uso de personagem da marca em vídeo anti-imigração do governo dos EUA
Segundo Raftery, vendas de grande repercussão incentivam outras pessoas a acreditarem que também podem ganhar dinheiro com cartas Pokémon mais comuns.
“Agora você tem jovens de 19 a 22 anos pensando: ‘eu não posso comprar uma carta de 500 mil libras, mas posso adquirir uma elite trainer box de 50 libras e revendê-la por 100’”, afirmou.
Os fãs de Pokémon têm um termo para definir quem não é fã, mas compra cartas para revendê-las por várias vezes o preço original: “scalpers”.
Independentemente do que os fãs verdadeiros pensem deles, os consumidores precisam competir com esses revendedores, que frequentemente esgotam rapidamente os estoques. Varejistas online não conseguem lidar com o tráfego, enquanto softwares automatizados compram produtos em nome dos scalpers.
Já tentei acessar sites de grandes varejistas britânicos, como Argos e John Lewis, e vi as páginas caírem ou apresentarem problemas no checkout durante lançamentos de novos produtos. A CNBC procurou Argos e John Lewis para comentar o assunto.
Isso cria um aperto na oferta que empurra consumidores para a compra de cartas no mercado de revenda por preços mais altos, disse Farnsworth, da Universidade de Sunderland.
Segundo ela, os scalpers criam “volatilidade” e “pânico”, fazendo com que as pessoas vejam cartas online e pensem: “meu Deus, preciso comprar isso porque não vou encontrar em nenhum outro lugar”.
David Bellinger, analista sênior de ações do banco Mizuho, afirmou que o mercado de cartas mudou “de maneira tão intensa e rápida” que acabou ganhando “um aspecto de bolha especulativa”.
Apesar de tudo isso, ainda existem colecionadores que compram cartas apenas para completar coleções ou conseguir cartas de seus personagens favoritos.
Em 2023, Johannes Heck, farmacologista clínico, encontrou sua antiga coleção de cartas Pokémon dos anos 1990 na casa da avó. Entre maio de 2024 e 2025, ele colocou algumas à venda no eBay e publicou um estudo sobre o que a experiência revelava sobre o mercado de cartas colecionáveis.
Embora Heck nunca tenha conversado com os compradores sobre suas motivações, ele percebeu que cartas “incomuns” — uma das três categorias dos conjuntos antigos, ao lado de “comuns” e “raras” — eram vendidas “surpreendentemente rápido”.
Heck disse à CNBC que pode haver dois tipos de compradores: pessoas tentando completar coleções e aquelas que acreditam que até mesmo cartas “incomuns” vão subir de preço o suficiente para gerar lucro.
Bellinger, do Mizuho, que cobre o mercado de consumo, incluindo itens colecionáveis, afirmou que, embora a venda milionária de cartas por Logan Paul tenha acrescentado “um novo elemento de entusiasmo”, os colecionadores continuam tendo papel importante no mercado.
“Há cada vez mais feiras locais de cartas surgindo. Acho que existe, sim, uma base de colecionadores que não está interessada em comprar e revender rapidamente para ganhar dinheiro”, afirmou Bellinger à CNBC.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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