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CBF e clubes aprovam redução do limite de estrangeiros a partir de 2027
Publicado 21/09/2026 • 19:55 | Atualizado há 39 minutos
Publicado 21/09/2026 • 19:55 | Atualizado há 39 minutos
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Thiago Ribeiro / Staff Images / CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes das Séries A e B aprovaram, nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, uma mudança gradual no limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida nas competições nacionais. A medida começa a valer em 2027 e prevê a redução dos atuais nove atletas para, no máximo, cinco em 2030.
A decisão foi tomada durante a quarta reunião entre a CBF e os clubes dentro do processo de discussão sobre o futuro do futebol brasileiro e a valorização das competições nacionais. Representantes dos 40 clubes das duas principais divisões e das federações estaduais participaram do encontro. A proposta teve apenas dois votos contrários.
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O número máximo de estrangeiros em súmula por partida seguirá uma redução progressiva:
O objetivo apresentado pela CBF é aumentar o espaço para jogadores mais jovens, especialmente aqueles formados nas categorias de base dos clubes brasileiros. A discussão ganhou força após um estudo elaborado pela CBF Academy, que analisou mudanças no perfil dos elencos da Série A e a participação de atletas jovens e estrangeiros nas partidas.
De acordo com os dados apresentados no encontro, a idade média dos jogadores da Série A aumentou de 27,3 anos, em 2021, para 28,5 anos, em 2026. Entre as seis principais ligas analisadas no estudo — Brasil, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França e Itália — o Campeonato Brasileiro apresentou a maior média de idade.
O levantamento também aponta que os reforços contratados pelos clubes brasileiros chegam, em média, com 26,3 anos. O número também supera o registrado nas principais ligas europeias consideradas na pesquisa. A CBF relaciona esse cenário à redução da participação de atletas mais jovens nos jogos do Campeonato Brasileiro.
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Em 2026, jogadores Sub-23 foram responsáveis por apenas 13,8% dos minutos disputados na Série A. O percentual é inferior ao observado nas cinco ligas europeias analisadas: França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%). O recorte também mostra uma mudança significativa na participação de brasileiros mais jovens.
Entre 2020 e 2026, a presença de estrangeiros com mais de 23 anos nos minutos disputados na Série A aumentou de 7,8% para 25%. No mesmo período, a participação de brasileiros Sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%.
Para a CBF, a alteração no perfil dos elencos também pode ser observada nos indicadores físicos. O estudo aponta que atletas entre 18 e 24 anos apresentam números superiores em corridas de alta velocidade e sprints, enquanto o Brasileirão registra índices inferiores aos das principais ligas europeias nesses quesitos.
O limite de estrangeiros relacionados por partida aumentou significativamente na última década. Em 2013, os clubes podiam relacionar até três estrangeiros. O número passou para cinco em 2014 e permaneceu nesse patamar até 2022. A partir de 2023, o limite subiu para sete atletas e, em 2024, chegou aos atuais nove.
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Siga o Times | CNBCA presença desses jogadores em campo também cresceu. Segundo o levantamento apresentado pela CBF, 95 estrangeiros atuaram na Série A em 2022. O número subiu para 162 em 2025. Em 2026, até o momento da coleta dos dados, 146 estrangeiros já haviam entrado em campo, enquanto outros 13 estavam inscritos e ainda não tinham estreado.
Apesar do aumento, a média atual é de 5,4 estrangeiros relacionados por partida, segundo a análise de 219 jogos da Série A.
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Além da redução dos estrangeiros, a proposta aprovada estabelece mudanças na composição da lista de inscritos dos clubes. O número total continuará limitado a 50 jogadores, mas os atletas serão divididos entre duas listas. A Lista A será destinada ao elenco principal, enquanto a Lista B concentrará jogadores Sub-23, sem a exigência de que tenham sido formados pelo próprio clube.
A distribuição será alterada gradualmente:
A mudança pretende ampliar a presença de jogadores jovens nos elencos sem diminuir o número total de atletas que cada clube poderá inscrever. Segundo os dados apresentados, 33 dos 40 clubes das Séries A e B já possuem atualmente até 30 jogadores acima de 23 anos inscritos, o que, de acordo com a CBF, indica um impacto inicial limitado da nova regra sobre a composição dos grupos.
A CBF também apresentou dados relacionados ao mercado de transferências. Entre 2016 e 2025, jogadores de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas obtidas pelos clubes brasileiros com transferências para o exterior no período analisado.
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O argumento apresentado no encontro é que a redução da minutagem dos jovens pode afetar o desenvolvimento e a valorização desses atletas antes de possíveis negociações internacionais. Em 2026, os jogadores Sub-23 representam 13,8% dos minutos da Série A, enquanto atletas estrangeiros acima de 23 anos já correspondem a 25% da minutagem.
O debate sobre a utilização de estrangeiros também está ligado ao mercado de transferências. Entre 2016 e 2025, os clubes brasileiros arrecadaram cerca de R$ 2,86 bilhões com transferências de jogadores para equipes estrangeiras. No mesmo período, gastaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão na contratação de atletas vindos do exterior.
A proposta defendida pela CBF busca, portanto, alterar gradualmente o equilíbrio entre a contratação de jogadores mais experientes e a utilização de atletas formados ou desenvolvidos no futebol brasileiro.
A medida teve origem em discussões do Movimento dos Clubes Formadores durante os trabalhos do Grupo de Trabalho da Base Brasileira e agora será implementada de forma progressiva até 2030.
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