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Por André Amadeus
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Publicado 01/06/2026 • 02:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Canva
SpaceX pode abrir capital em 2026; veja como brasileiros podem investir no IPO
A possível abertura de capital da SpaceX, prevista para ocorrer ainda em 2026 na Nasdaq, já movimenta investidores e bancos em todo o mundo.
A expectativa de que a empresa de Elon Musk possa alcançar valuation próximo de US$ 2 trilhões transformou o IPO em um dos eventos mais aguardados do mercado financeiro global.
Além da dimensão bilionária, a operação reacendeu dúvidas entre investidores brasileiros sobre como participar de IPOs nos Estados Unidos, quais riscos existem nesse tipo de investimento e por que o setor espacial passou a chamar tanta atenção do mercado.
Especialistas ouvidos afirmam que a listagem da SpaceX pode mudar a forma como investidores enxergam empresas de tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura espacial.
Para Guilherme Bruschini, sócio do BBC Advogados, a abertura de capital da SpaceX teria impacto direto no mercado financeiro global e poderia acelerar uma nova onda de investimentos em empresas espaciais.
“A eventual abertura de capital da SpaceX seria um dos eventos mais relevantes da história recente do mercado financeiro global. Estamos falando de uma companhia que não apenas lidera o setor aeroespacial privado, mas que também concentra um enorme simbolismo em torno de inovação, inteligência artificial, satélites, defesa e exploração espacial”, afirmou.
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Segundo ele, a operação também ampliaria o acesso de investidores comuns a um setor ainda concentrado em grandes fundos privados.
“Isso poderia desencadear uma nova onda de interesse em empresas ligadas à chamada nova economia espacial”, disse.
O avanço das plataformas internacionais ampliou o acesso dos brasileiros ao mercado americano nos últimos anos. Ainda assim, participar diretamente de um IPO continua sendo algo restrito em muitas operações.
Segundo o advogado Marcus Valverde, investidores brasileiros conseguem operar no exterior por meio de corretoras com acesso às bolsas americanas.
“Os investidores brasileiros podem acessar o mercado americano e, em alguns casos, participar de IPOs nos EUA por meio de corretoras com operação internacional, como Avenue, Nomad, Inter Global e XP International”, explicou.
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Ele afirma que, em grandes ofertas, o acesso costuma ser limitado. “Embora o acesso ao preço de oferta seja limitado em grandes IPOs, essas plataformas permitem negociar ações diretamente nas bolsas americanas”, disse.
O advogado também destaca que ETFs e BDRs podem funcionar como alternativas para investidores iniciantes.
“Há também ETFs focados em empresas recém-listadas, como o Renaissance IPO ETF e o First Trust US Equity Opportunities ETF, que proporcionam exposição diversificada ao segmento”, afirmou.
Para Fabio Guerra, diretor de novos negócios e estruturação da Hurst Capital, a SpaceX já deixou de ser vista apenas como uma empresa de foguetes.
“O mercado passou a olhar a companhia não apenas como fabricante de foguetes, mas como uma empresa de infraestrutura de internet, dados e IA”, afirmou.
Segundo ele, um IPO bem-sucedido pode aproximar o setor espacial das grandes teses atuais de tecnologia.
Leia também: Elon Musk acelera ida da SpaceX à bolsa; o que está por trás do timing?
“Na prática, isso pode aproximar o setor espacial das grandes teses de tecnologia, como conectividade, computação, defesa, IA, telecomunicações e infraestrutura crítica”, disse.
Fabio Guerra afirma que a percepção dos investidores sobre empresas espaciais tende a mudar caso a SpaceX apresente resultados sólidos após a listagem.
Apesar da expectativa em torno da SpaceX, especialistas alertam que IPOs também envolvem riscos relevantes, principalmente para investidores iniciantes.
Marco Aurélio Gonzaga da Cunha, sócio da Guarnera Advogados, afirma que um dos principais problemas está na assimetria de informações.
“Embora o prospecto traga diversas informações, inclusive os riscos da tese de investimento, o investidor não possui tantas informações a respeito da empresa que está em processo de IPO”, afirmou.
Segundo ele, companhias fechadas ainda possuem histórico público limitado quando comparadas às empresas já listadas em bolsa.
Leia mais
Marco Aurélio também destaca que o investimento em IPO depende de fatores como valuation, momento do mercado, endividamento e capacidade de execução da companhia.
Guilherme Bruschini afirma que o investidor precisa olhar além da empolgação inicial antes de entrar em um IPO.
“O principal risco é a volatilidade. IPOs costumam gerar enorme expectativa e, muitas vezes, o preço inicial das ações reflete mais o entusiasmo do mercado do que os fundamentos reais da empresa”, explicou.
Segundo ele, indicadores como geração de caixa, endividamento, crescimento sustentável e valuation precisam ser analisados com atenção.
Leia também: Tudo que sabemos sobre o maior IPO da história; SpaceX, uma empresa de I.A. com máscara de fogueteira
“Empresas que usam os recursos para expansão produtiva costumam transmitir sinal mais positivo do que aquelas que abrem capital apenas para permitir saída de investidores antigos”, afirmou.
A expectativa do mercado é de retomada mais forte das ofertas públicas nos próximos meses, principalmente nos Estados Unidos.
Fabio Guerra afirma que empresas ligadas à inteligência artificial, infraestrutura digital e tecnologia espacial devem liderar esse movimento.
“A possível fila de grandes empresas privadas, como SpaceX, OpenAI, Anthropic e Databricks, pode reacender o interesse por IPOs de crescimento”, disse.
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Segundo ele, setores como IA, computação em nuvem, defesa, saúde digital, fintechs e energia limpa aparecem entre os mais promissores para os próximos anos.
IPO é a sigla para Initial Public Offering, expressão usada para definir a primeira oferta pública de ações de uma empresa.
Na prática, a companhia deixa de ser fechada e passa a negociar ações em bolsa. O processo envolve auditoria financeira, elaboração de prospecto, apresentações para investidores e definição do preço das ações junto aos bancos coordenadores.
Após a estreia, qualquer investidor pode negociar ações da empresa no mercado secundário.
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Especialistas afirmam que, apesar do potencial de valorização, investir em IPO exige análise cuidadosa, principalmente em operações cercadas de forte expectativa, como o possível caso da SpaceX.
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