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Aliados do G7 buscam reduzir divergências com Trump durante cúpula na França

Publicado 11/06/2026 • 11:22 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • As principais potências europeias e seus aliados do G7 tentarão reduzir as diferenças com Donald Trump durante uma cúpula que começa nesta segunda-feira (15), na França.
  • O encontro será liderado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, mas deve ser marcado pela presença do líder americano.
  • Os participantes reunidos às margens do Lago Genebra buscarão recuperar o “brilho” das relações com os Estados Unidos.
O presidente norte-americano Donald Trump chega para participar da cerimônia oficial de boas-vindas da 51ª Cúpula do G7 em Kananaskis, no Canadá, nesta segunda-feira, 16 de junho de 2025. O grupo, formado por Canadá, Japão, Alemanha, Estados Unidos, França, Reino Unido e Itália, deve incluir nos principais temas de discussão o confronto no Oriente Médio. O Brasil participa como país convidado

O presidente norte-americano Donald Trump chega para participar da cerimônia oficial de boas-vindas da 51ª Cúpula do G7 em Kananaskis, no Canadá, 16 de junho de 2025.

MARK SCHIEFELBEIN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

As principais potências europeias e seus aliados do G7 tentarão reduzir as diferenças com Donald Trump durante uma cúpula que começa nesta segunda-feira (15), na França. O encontro será liderado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, mas deve ser marcado pela presença do líder americano.

Os participantes reunidos às margens do Lago Genebra buscarão recuperar o “brilho” das relações com os Estados Unidos, no resort francês de Évian-les-Bains, cidade conhecida mundialmente por ser a origem da água mineral Evian.

A cúpula será um dos primeiros grandes encontros internacionais desde que os Estados Unidos e seu aliado, Israel, iniciaram uma guerra contra o Irã no fim de fevereiro, alterando o cenário do Oriente Médio e aumentando as tensões entre Washington e seus parceiros europeus.

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Além de discutir esforços para encerrar o conflito e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, um dos principais corredores marítimos para o transporte de petróleo, os líderes terão uma agenda cheia de temas potencialmente explosivos ao longo de três dias de reuniões.

Com a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, os países buscarão construir uma posição conjunta para pressionar a Rússia a retornar às negociações e encerrar mais de quatro anos de guerra provocada pela invasão em larga escala do território ucraniano por Moscou.

A participação de Zelensky “é muito importante para nós porque precisamos reconstruir o consenso dentro do G7”, incluindo a necessidade de “negociações”, afirmou Macron na quarta-feira (10), em referência às divergências com Trump sobre a Ucrânia ao longo do último ano.

Os demais integrantes do G7 também devem pressionar Trump a aceitar concessões relacionadas aos desequilíbrios comerciais globais, diante das políticas protecionistas adotadas pelo presidente americano. Há ainda pressão para ampliar a regulamentação sobre grandes empresas de tecnologia, especialmente para proteger menores de idade, apesar da resistência dos Estados Unidos.

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Trump chega ao G7 após aniversário

A França tem buscado ampliar a influência do Grupo dos Sete — formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — para além de seus membros tradicionais.

Macron convidou os líderes de Brasil, Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul para participarem do encontro.

OpenAI, representada por seu presidente-executivo Sam Altman, e a empresa europeia de inteligência artificial Mistral AI, liderada por Arthur Mensch, participarão de um almoço na quarta-feira (17) dedicado à proteção de menores no ambiente digital.

Na tentativa de alcançar um consenso regional sobre o Irã, Macron convidou os líderes de países árabes como Egito, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos para uma sessão especial na terça-feira (16).

A China, como ocorre frequentemente em reuniões do G7, ficará de fora. Países ocidentais demonstram preocupação crescente com o domínio de Pequim sobre o mercado de minerais de terras raras, usados na fabricação de equipamentos eletrônicos.

Em uma tentativa de aproximação com a China, Macron realizará na quinta-feira (18) uma videoconferência chamada “Cúpula Mundial da Convergência para o Crescimento”, com participação dos membros do G7, da China e de outros mercados emergentes.

Trump, descrito como uma presença imprevisível no cenário internacional, chegará ao encontro após comemorar seu aniversário de 80 anos, em 14 de junho. Na ocasião, ele deve acompanhar uma luta de MMA no gramado da Casa Branca.

Autoridades francesas querem evitar uma repetição da última cúpula do G7, realizada no Canadá, quando Trump deixou o encontro antes do fim. A expectativa é que o presidente americano seja convencido a estender sua permanência na França para uma reunião bilateral com Macron em Paris ou outro local.

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“Comportamento agressivo” dos EUA preocupa europeus

Uma grande operação de segurança envolvendo milhares de policiais e militares está em andamento, incluindo áreas da vizinha Suíça, do outro lado do lago. O aeroporto de Genebra receberá delegações internacionais, enquanto algumas lojas já reforçaram a proteção de suas vitrines.

Para Macron, cujo país ocupa a presidência rotativa do G7, a cúpula será uma das últimas oportunidades de ampliar sua influência internacional. Com menos de um ano restante em seu mandato final, o presidente francês pretende reforçar sua defesa de uma maior soberania europeia.

As discussões também servirão como preparação para a cúpula ampliada do G20, grupo que inclui a China e será sediada em dezembro por Trump, em um resort de golfe de sua propriedade em Miami.

Antes do encontro, o Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) divulgou uma pesquisa com cidadãos de mais de uma dúzia de países europeus mostrando queda na confiança nos Estados Unidos: apenas 11% dos entrevistados consideram o governo Trump um “aliado”.

Diante das “críticas e do comportamento agressivo” dos Estados Unidos, os líderes europeus têm uma janela de oportunidade para avançar “mais longe e mais rápido” na construção de sistemas comuns de segurança, afirmou Pawel Zerka, pesquisador sênior do ECFR.

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