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Banco da Inglaterra aceita inflação acima da meta no curto prazo, diz presidente

Publicado 29/05/2026 • 09:35 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou que a instituição pode tolerar que a inflação fique temporariamente acima da meta por um curto período diante da fragilidade da economia.
  • "Tolerar uma inflação acima da meta por algum tempo, para oferecer algum suporte à economia real, é uma forma apropriada de lidar com esse trade-off", afirmou Bailey.
  • A inflação do Reino Unido desacelerou para 2,8% em abril, ante 3 3% em março.
BoE

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Banco da Inglaterra (BoE)

O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, afirmou que a instituição pode tolerar que a inflação fique temporariamente acima da meta oficial de 2% por um curto período diante da fragilidade da economia.

Em discurso na Islândia, Bailey disse também que, ao descartar os cortes de juros que o mercado esperava antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no fim de fevereiro, o BoE já promoveu um aperto relevante nas condições monetárias, evidenciado pela alta das taxas cobradas em novos empréstimos hipotecários.

Leia também: Bolsas da Europa fecham em alta com alívio do petróleo e ponderações de manutenção do BCE e BoE

A disparada dos custos de energia desde o início do conflito no Oriente Médio elevou a inflação no Reino Unido, mas também tende a desacelerar a atividade, o que impõe ao BoE um difícil equilíbrio entre controlar preços e sustentar o crescimento.

“Tolerar uma inflação acima da meta por algum tempo, para oferecer algum suporte à economia real, é uma forma apropriada de lidar com esse trade-off”, afirmou Bailey. “Mas essa tolerância diminuiria caso comecem a aparecer sinais de efeitos de segunda rodada.”

A inflação do Reino Unido desacelerou para 2,8% em abril, ante 3 3% em março. Ainda assim, a queda refletiu em grande parte medidas pontuais anunciadas pelo governo em novembro, e o BoE espera que a inflação volte a ganhar força nos próximos meses.

Há indícios de que a alta da energia já está esfriando a economia. Dados recentes apontam para maior folga no mercado de trabalho, enquanto dados de atividade (PMIs) divulgados neste mês mostram que a atividade empresarial perdeu fôlego após um início de ano forte.

Leia também: Banco da Inglaterra vê desaceleração econômica e sinaliza cautela com juros diante de tensão no Oriente Médio

Antes do conflito, investidores projetavam que o BoE reduziria a taxa básica em 0,5 ponto porcentual, em dois cortes ao longo do ano. Agora, eles passaram a precificar uma alta de magnitude semelhante.

Essa reprecificação elevou significativamente os rendimentos dos títulos do governo britânico (Gilts), encarecendo o crédito para famílias e empresas. Esse aperto financeiro já atua como freio para a atividade e deve contribuir para conter a inflação.

“Ao retirar, por ora, os cortes esperados do radar, já apertamos consideravelmente a política monetária em resposta ao choque, em relação ao que os mercados projetavam”, disse Bailey. “E isso já está afetando a economia.”

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