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Espaço para acordo entre Irã e EUA segue reduzido em meio à escalada militar
Publicado 26/05/2026 • 13:27 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 26/05/2026 • 13:27 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
As perspectivas de um acordo duradouro entre Estados Unidos e Irã continuam frágeis, apesar das recentes sinalizações diplomáticas envolvendo o Estreito de Ormuz e uma possível redução das tensões no Oriente Médio, segundo avaliação da especialista em geopolítica da região, Helena Cherem. Em entrevista nesta terça-feira (26) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ela afirmou que o cenário atual aponta mais para uma escalada de pressão militar do que para uma solução negociada efetiva.
Segundo a analista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra dificuldade em consolidar uma estratégia clara para o conflito. “Parece que um pouco perdido”, afirmou Helena, ao comentar as declarações contraditórias do republicano sobre um possível acordo com Teerã.
Ela destacou que, desde o início das negociações, o Irã praticamente não cedeu às exigências americanas. “O Irã segue firme, forte, e pouquíssimas palavras eles aceitaram mudar”, disse. Para a especialista, diante da resistência iraniana, Washington passou a apostar em pressão militar para tentar forçar concessões.
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Ainda assim, Helena avalia que a estratégia pode produzir o efeito contrário. “Está meio que com cara de que vai ser um tiro no pé”, afirmou, ao alertar para o risco de o endurecimento americano fortalecer ainda mais a posição do regime iraniano.
A especialista afirmou que um dos principais obstáculos para um acordo é justamente a mudança constante dos objetivos declarados pelos Estados Unidos ao longo do conflito. Segundo ela, Washington alterou diversas vezes a justificativa central para sua atuação na região.
Inicialmente, explicou Helena, o discurso americano estava concentrado no desmantelamento do programa nuclear iraniano. Depois, o foco passou para uma possível mudança de regime em Teerã, antes de migrar novamente para temas ligados ao controle do Estreito de Ormuz e à segurança marítima.
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“Fica muito complicado saber qual seria um bom ponto final se a gente não faz ideia de para onde está indo”, afirmou. Na visão dela, o Irã pode até discutir temas ligados à navegação em Ormuz, mas dificilmente aceitará abrir mão de questões consideradas estratégicas em sua relação com os EUA.
Apesar da retórica agressiva dos dois lados, Helena Cherem afirmou que nem Estados Unidos nem Irã possuem interesse real em prolongar indefinidamente a guerra. Segundo ela, o conflito já produz perdas econômicas, militares e políticas relevantes para ambos os países.
“Está todo mundo perdendo”, resumiu a especialista. Ela destacou os custos bilionários da guerra, a destruição de infraestrutura iraniana e os ataques envolvendo navios, submarinos e bases militares americanas na região.
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No caso dos Estados Unidos, Helena afirmou que a pressão interna sobre Trump cresce à medida que aumentam os preços do petróleo e diminui o apoio popular à continuidade do conflito. Segundo ela, a população americana já demonstra cansaço diante dos custos financeiros da guerra.
Ainda assim, a especialista acredita que Trump tentará construir algum tipo de vitória política antes de encerrar sua participação mais direta no confronto. “Ele não vai deixar isso acontecer”, afirmou ao comentar o risco de o presidente sair da guerra sem apresentar resultados concretos ao eleitorado.
Helena Cherem destacou que qualquer tentativa de acordo entre Washington e Teerã necessariamente passa também por Israel, que continua exercendo forte influência sobre os rumos da crise regional.
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Seguir no GoogleSegundo ela, os bombardeios israelenses e a ampliação das tensões com aliados do Irã dificultam avanços diplomáticos mais consistentes. Ao mesmo tempo, Trump tenta ampliar o apoio regional a Israel por meio dos chamados Acordos de Abraão, firmados entre Israel e países árabes nos últimos anos.
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A especialista citou a tentativa americana de aproximar países como Arábia Saudita e Turquia de novos acordos diplomáticos com Israel, movimento que poderia isolar ainda mais o Irã geopoliticamente.
Mesmo assim, Helena considera improvável uma consolidação rápida desse cenário. “Enquanto isso não acontece, a gente ainda vê essa corda sendo puxada dos dois lados”, afirmou.
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