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Conflito no Oriente Médio

Incerteza geopolítica deve pesar mais que preço do petróleo?

Publicado 13/07/2026 • 18:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã reforça ambiente de volatilidade para mercados e empresas.
  • Especialista afirma que investidores precisam incorporar cenários mais incertos nas decisões de alocação de recursos.
  • Dependência do petróleo do Oriente Médio dificulta substituição rápida por outros fornecedores.

A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã reforça um ambiente de elevada incerteza para a economia global e exige que investidores passem a considerar cenários mais voláteis na tomada de decisões, afirmou o pesquisador do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, Lívio Ribeiro, em entrevista nesta segunda-feira (13) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a instabilidade geopolítica deve permanecer como um dos principais fatores de risco para os mercados nos próximos meses.

“O mundo é hoje um lugar mais difícil e que demanda mais proteção. Muito mais do que tentar prever uma trajetória específica, é preciso entender a distribuição de riscos em torno dos cenários”, disse Ribeiro.

Na avaliação do economista, o cessar-fogo firmado anteriormente já apresentava baixa probabilidade de durar por muito tempo, o que fazia da retomada das hostilidades um cenário esperado, ainda que indesejado pelos mercados. Ele ressaltou que a dificuldade não está apenas na ausência de um acordo, mas na imprevisibilidade dos principais atores envolvidos no conflito.

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Mercado continua dependente do Oriente Médio

Segundo Ribeiro, apesar das discussões sobre diversificação das fontes de petróleo, o mercado internacional ainda depende fortemente da produção do Oriente Médio.

“Não é possível substituir no curto prazo o fornecimento daquela região. As refinarias são projetadas para processar tipos específicos de petróleo, e o petróleo venezuelano, por exemplo, não substitui automaticamente o petróleo produzido no Oriente Médio”, afirmou.

O pesquisador explicou que as diferenças nas características físico-químicas do petróleo limitam a troca imediata de fornecedores, tornando inevitável uma pressão sobre os preços sempre que houver risco para o abastecimento da região.

Ele acrescentou que, no longo prazo, a tendência é de maior investimento em alternativas energéticas, como a eletrificação da frota e combustíveis renováveis, mas esse processo ocorre de forma gradual e não resolve o problema de curto prazo.

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China amplia vantagem estratégica

Ao analisar os impactos sobre o comércio internacional, Ribeiro destacou que a aproximação energética entre China e Rússia ganha relevância em momentos de maior instabilidade no Oriente Médio.

Segundo ele, o fornecimento de petróleo por oleodutos reduz a dependência das rotas marítimas e oferece maior previsibilidade para os compradores. “Os atores que conseguem comprar petróleo por oleoduto acabam sendo beneficiados. Nesse contexto, a relação entre Rússia e China ganha destaque”, disse.

Na avaliação do pesquisador, os países asiáticos continuam entre os principais consumidores do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, mas a diversificação logística passa a representar uma vantagem estratégica diante do aumento das tensões.

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Volatilidade deve orientar investidores

Para Ribeiro, o principal indicador a ser observado pelos agentes econômicos não é apenas o preço do petróleo, mas a intensidade das oscilações do mercado.

Ele explicou que a volatilidade dificulta a celebração de contratos de longo prazo, aumenta os custos de proteção financeira e reduz a previsibilidade para empresas e investidores.

“Mais importante do que o nível do preço é a volatilidade. É ela que determina a capacidade de planejar investimentos, contratos e custos de produção em um ambiente cada vez mais incerto”, concluiu.

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