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Tarifaço: com protecionismo se tornando regra, diversificação e acordos bilaterais devem ser priorizados, dizem especialistas
Publicado 21/07/2026 • 07:18 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 21/07/2026 • 07:18 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
As novas sobretaxas dos Estados Unidos a produtos brasileiros começam a valer nesta quarta-feira, 22, após o governo norte-americano aprovar a investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Longe de ser uma prática isolada, a guerra tarifária vem sendo uma estratégia usada pelo presidente Donald Trump desde 2020. No seu primeiro mandato, o arsenal estava mais voltado aos produtos chineses que entravam nos Estados Unidos. Já no segundo pleito, o presidente norte-americano resolveu atirar contra outros países, como o Brasil.
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O tarifaço entrou de vez no vocabulário da relação comercial entre os países desde julho de 2025, a primeira vez que produtos brasileiros foram citados como uma ameaça à indústria norte-americana. Entre o vai-e-vem sobre a constitucionalidade das políticas, o debate chegou até a Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as tarifas globais impostas pelo governo.
Mesmo assim, o governo Trump voltou suas forças ao mercado brasileiro novamente, com a implantação das tarifas de 25% baseadas na seção 301 da lei de 1974 e que podem se juntar a uma nova sobretaxa, de 12,5%, com base em investigações sobre trabalho escravo em determinadas cadeias produtivas.
Especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC apontam que essa nova postura norte-americana pode ser considerada “o novo normal” na diplomacia comercial e que provavelmente vai perdurar mesmo após o fim do governo Trump.
“Faz mais sentido os países considerarem que essa tensão comercial é o novo normal nas relações com os EUA, e não um episódio passageiro ligado a uma única gestão. O motivo é estrutural, pois uma vez que o Congresso e a burocracia americana incorporam esse tipo de mecanismo como ferramenta padrão de negociação, desmontar tudo de uma vez tem custo político e prático alto para quem assumir depois”, apontou o advogado especialista em direito internacional, Dilson Higasi Sales.
Qual seria a resposta para países exportadores diante dessa nova postura norte-americana? Ela pode passar tanto por uma postura defensiva, onde países podem buscar a resposta com reciprocidade em relação aos Estados Unidos, quanto por uma resposta mais pragmática, buscando a saída pelo diálogo diplomático e por uma diversificação maior nos mercados consumidores.
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Siga o Times | CNBCNesse sentido, acordos como o do Mercosul com a União Europeia e com o Canadá podem significar uma saída para uma menor dependência do mercado norte-americano.
“Os países precisam responder com pragmatismo: diversificar mercados, fortalecer acordos regionais, reduzir dependências críticas e evitar retaliações meramente políticas. Para economias exportadoras, o principal risco é continuar tratando os Estados Unidos como destino insubstituível. O cenário pode se estabilizar com a saída de Trump, mas dificilmente voltará ao modelo de globalização aberta que conhecemos nas últimas décadas”, afirmou o economista e CEO da Energy Group, Fabio Ongaro.
A principal defesa do governo brasileiro contra o novo tarifaço é que a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos é favorável ao país norte-americano. Dados oficiais dão conta de que o superávit dos EUA em relação ao Brasil foi de US$ 41,8 bilhões no setor de bens e serviços em 2025.
No entanto, só olhar para esses dados não basta para entender a nova dinâmica do comércio internacional. Para Wilson Mendonça, professor de economia na Skema Business School, a visão antiga de que eficiência econômica deve ser a principal medida para a implantação de uma política comercial foi substituída por um cenário mais amplo.
“A investigação ultrapassa questões tradicionais de acesso a mercados ou equilíbrio comercial. Ela incorpora temas como comércio digital, propriedade intelectual, sistemas de pagamento, minerais críticos, política ambiental e segurança das cadeias de suprimentos. O objeto da discussão não é apenas o fluxo comercial entre dois países, mas o posicionamento estratégico dos Estados Unidos em uma economia internacional cada vez mais marcada pela competição tecnológica e geopolítica”, afirmou.
“Nesse ambiente, tarifas assumem uma função distinta daquela observada no passado. Elas deixam de representar apenas mecanismos de proteção à indústria doméstica e passam a atuar como instrumentos de política externa, política industrial e segurança econômica. A lógica deixa de ser exclusivamente arrecadatória ou comercial e passa a refletir objetivos estratégicos mais amplos”, encerrou o professor.
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