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Avanço militar da China gera “preocupação justificada”, diz chefe do Pentágono

Publicado 30/05/2026 • 19:00 | Atualizado há 28 minutos

KEY POINTS

  • O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o fortalecimento militar da China gera preocupação na região do Pacífico, mas ressaltou que a estratégia americana não tem como objetivo ampliar tensões ou promover confrontos.
  • Durante o Diálogo Shangri-La, em Singapura, o integrante do governo de Donald Trump defendeu um equilíbrio de poder na Ásia e voltou a cobrar maior participação dos aliados nos esforços de defesa.
  • As declarações foram respondidas pelo ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, que reiterou a importância da ordem internacional baseada em regras para a estabilidade global.

Ao discursar neste sábado (30) no Diálogo Shangri-La, principal fórum de segurança da Ásia, o secretário de Guerra dos Estados Unidos Pete Hegseth afirmou que há uma “preocupação justificada” diante da expansão militar chinesa e do aumento das atividades de Pequim na região.

Segundo o chefe do Pentágono, a situação exige atenção dos países aliados dos Estados Unidos, mas não deve ser interpretada como uma busca americana por confronto. “Não buscamos um confronto desnecessário na região”, declarou.

Equilíbrio de poder

Hegseth afirmou que o objetivo de Washington é construir um ambiente de estabilidade no Indo-Pacífico, baseado em um equilíbrio duradouro entre as potências da região.

Segundo o secretário, os Estados Unidos defendem “um equilíbrio verdadeiramente estável” que beneficie tanto os americanos quanto seus aliados.

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Na avaliação dele, a região deve operar dentro de um modelo em que “nenhum Estado, incluindo a China, possa impor sua hegemonia e colocar em risco a segurança ou a prosperidade”.

O chefe do Pentágono também afirmou que os Estados Unidos buscam manter um relacionamento “respeitoso” com a China. “Gostaria que meu homólogo estivesse aqui nesta conferência, mas aguardo com interesse outras oportunidades em que possamos nos encontrar”, disse.

Recado aos aliados

Durante o evento, Hegseth voltou a defender que países aliados ampliem seus investimentos militares e elogiou nações asiáticas que vêm aumentando seus gastos com defesa.

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Sem mencionar governos específicos, o secretário criticou o que classificou como “retórica globalista vazia sobre a ordem internacional baseada em regras”.

Segundo ele, os países asiáticos compreendem que parcerias duradouras dependem de interesses concretos. “Nossos parceiros na Ásia entendem há muito tempo que a base de uma parceria duradoura não se sustenta em valores idealistas, mas no alinhamento concreto de interesses nacionais”, afirmou.

Hegseth acrescentou que divergências entre aliados devem ser administradas de forma pragmática. “Quando nossos interesses divergem, nos ajustamos de forma pragmática, sem drama nem moralização. Acho que a Europa Ocidental poderia tomar nota”, declarou.

Taiwan e negociações

Questionado sobre Taiwan, o secretário afirmou que não houve mudança na posição americana em relação à ilha.

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Segundo Hegseth, eventuais decisões sobre futuras vendas de armamentos dependerão do presidente Donald Trump.

As declarações ocorreram após o republicano sugerir recentemente que as vendas de armas para Taiwan poderiam ser utilizadas como elemento de negociação com Pequim.

Resposta australiana

As falas do secretário americano receberam uma resposta indireta do ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles.

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Embora tenha reconhecido a necessidade de aperfeiçoar o sistema internacional, Marles defendeu a manutenção da ordem baseada em regras como elemento fundamental para a estabilidade global. “Quando as regras são aplicadas, os Estados menores têm capacidade de agir”, afirmou.

Segundo ele, substituir regras pela lógica do poder favorece apenas os países mais fortes. “Quando as regras cedem lugar ao poder, a soberania passa a ser domínio dos mais fortes, e nenhum Estado, independentemente de seu tamanho, sai ganhando com esse resultado”, declarou.

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Ao comentar o discurso, o delegado chinês Da Wei, da Universidade Tsinghua, afirmou que a fala de Hegseth foi “muito mais moderada” do que em ocasiões anteriores.

Ainda assim, ele questionou a crítica americana à influência chinesa. “Todos na sala devem ter pensado: quem é realmente hegemônico?”, afirmou.

Da Wei também citou as ações dos Estados Unidos envolvendo o Irã e a Venezuela ao comentar as declarações do secretário americano.

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