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Mercado reage com cautela à nova fase da Berkshire sem Buffett e aguarda uso de caixa bilionário, diz economista
Publicado 04/05/2026 • 13:41 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/05/2026 • 13:41 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A postura cautelosa do mercado diante da sucessão na Berkshire Hathaway, agora sob comando de Greg Abel, reflete a expectativa sobre como será conduzida a gestão sem Warren Buffett, especialmente em relação ao uso do caixa bilionário da companhia. A avaliação é do economista Eduardo Velho, sócio e economista-chefe da Equador Investimentos, que acompanhou a repercussão da primeira reunião anual da empresa sem o megainvestidor à frente.
Segundo ele, a transição naturalmente gera incertezas. “É natural que, numa fase inicial da mudança do CEO, analistas e investidores sejam mais céticos e cautelosos”, afirmou em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (4). Ainda assim, há um fator de confiança relevante. “O próprio Warren Buffett tem reafirmado que foi a melhor escolha no melhor momento para a empresa”, destacou.
Velho chama atenção para o comportamento recente da companhia nos mercados. “Há mais de 12 meses, a empresa está mais vendida do que comprada”, disse. Ele cita números que reforçam essa leitura. “No último trimestre, vendeu US$ 24 bilhões (R$ 119,5 bilhões) em ações e comprou US$ 16 bilhões (R$ 79,7 bilhões)”, apontou.
Leia também: Ações da Berkshire Hathaway sobem após sucessor de Buffett ser bem avaliado em reunião anual
A decisão reflete uma visão mais conservadora sobre o mercado. “Eles apostam que os índices, como S&P 500 e Dow Jones, estavam inflados e poderiam corrigir”, explicou. Apesar disso, os resultados seguem fortes. “O lucro chegou a crescer 120% ao ano”, ressaltou.
O grande ponto de atenção agora é o destino dos recursos disponíveis. “Eles têm cerca de US$ 400 bilhões (R$ 1,9 trilhão) em caixa e aplicações em Treasuries”, destacou. Para o economista, esse volume amplia a responsabilidade da nova gestão. “A dúvida é como esse caixa será direcionado nas mãos do Greg Abel”, pontuou.
A concentração dos investimentos também entra no radar. “Cerca de 61% das ações estão em cinco empresas: Apple, Bank of America, Coca-Cola, Chevron e American Express”, explicou. Nesse contexto, a avaliação exige paciência. “É dar tempo ao tempo e observar a performance nos próximos trimestres”, afirmou.
Mesmo com a transição em curso, a reação dos investidores permanece contida. “O mercado ainda não é um grande comprador do papel, está esperando”, disse. A incerteza gira em torno da capacidade de replicar o histórico de Buffett. “Não há consenso se ele terá uma performance tão boa quanto a do Buffett”, ressaltou.
Leia também: Berkshire Hathaway tem a primeira reunião anual após troca de CEO
Velho também observa diferenças no estilo de gestão. “Pelo tom da primeira reunião, ele parece mais detalhista em questões técnicas, como seguros e transporte”, explicou. Ainda assim, a estratégia central deve ser mantida. “Ele tende a preservar a visão de longo prazo, mas com cautela na alocação”, afirmou.
O ambiente macroeconômico também influencia a postura da empresa. “Vivemos uma ‘Era Trump’, com intervenções tarifárias e conflitos geopolíticos”, destacou. Esse contexto reforça a estratégia conservadora. “Eles preferem preservar o caixa e buscar rentabilidade de forma seletiva”, apontou.
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Seguir no GoogleApesar das incertezas, a avaliação é moderadamente positiva. “Estou moderadamente otimista, foi uma escolha técnica e consistente”, concluiu.
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