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ONU amplia exposição de Lula em momento de tensão com Trump
Publicado 18/09/2026 • 18:21 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 18/09/2026 • 18:21 | Atualizado há 1 hora
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A Assembleia Geral da ONU ganha importância especial para Lula diante das tensões entre Brasil e Estados Unidos e da característica personalista da diplomacia de Donald Trump, afirmou Carlos Gustavo Poggio, doutor em Relações Internacionais e especialista em política dos EUA, em entrevista nesta sexta-feira (18) ao programa Fast Money, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Embora não exista uma reunião bilateral confirmada, um contato informal entre Lula e Trump pode ter efeitos concretos sobre a relação entre os dois países, segundo Poggio. Ele lembrou que uma aproximação ocorrida na Assembleia Geral do ano passado ajudou a reduzir temporariamente as tensões entre os governos.
“Na era Trump, nós temos uma situação muito distinta, que é um tipo de diplomacia muito personalista, muito cercada em torno do presidente da República. Inclusive, há indicativos de diversos países que estão começando a se adaptar a essa realidade e buscando contatos no entorno do presidente”, explicou Poggio.
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Para o especialista, essa concentração das decisões em Trump faz com que a interação pessoal do presidente americano com outros líderes adquira um peso incomum na condução da política externa.
“Não há nenhum tipo de encontro marcado entre o Lula e o Trump, mas é possível, de fato, que eles se encontrem rapidamente. E, se esse encontro rapidamente se der de maneira amistosa, é possível que isso, de alguma forma, reflita no comportamento do Trump com relação ao Brasil”, afirmou.
Poggio avalia que a eleição brasileira passou a ocupar uma posição relevante na estratégia dos Estados Unidos para a América Latina, em meio a mudanças políticas recentes em outros países da região.
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“Se você olha o mapa da América Latina, o mapa da América do Sul, os governos que eram governos contrários ao Donald Trump estão saindo do poder. E não por conta do Trump, é um momento de pêndulo natural que a gente vê acontecer na América Latina”, ressaltou.
Nesse cenário, o Brasil teria adquirido uma importância maior por representar, segundo Poggio, um dos principais governos sul-americanos que mantêm resistência à orientação política da atual administração americana.
“A eleição brasileira torna-se uma peça importante nessa estratégia de política externa americana”, afirmou. Para o especialista, há uma convergência entre Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, em torno de uma política externa que busca reforçar a posição hegemônica dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
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Siga o Times | CNBCOutro foco da entrevista foi o conflito com o Irã. Poggio destacou uma diferença importante em relação a outras guerras protagonizadas pelos Estados Unidos: o atual conflito já começou com baixa aprovação entre os americanos.
“Nós estamos com uma guerra que começa já muito impopular. Ao contrário, por exemplo, do que a gente viu no Iraque em 2003, a administração Bush fez um processo de convencimento da população para entrar naquela guerra”, comparou.
Segundo Poggio, Trump passou a justificar o conflito principalmente pela necessidade de impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, mas ainda permanece a questão sobre como esse objetivo poderá ser sustentado no longo prazo. “Se for o plano dos Estados Unidos periodicamente bombardear o Irã, isto é muito caro de se manter”, advertiu.
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O especialista apontou ainda que o custo da guerra ultrapassa as despesas militares e chega à economia americana, especialmente por meio dos preços do petróleo, da gasolina e da inflação.
“Politicamente, é uma situação muito delicada e, no momento, como o Favale colocou, prestes a encarar uma eleição de meio de mandato. Então, isso é um cenário que coloca no Donald Trump uma pressão muito maior do que a pressão que os líderes iranianos têm”, avaliou.
Para Poggio, a tradição de o Brasil abrir os discursos da Assembleia Geral aumenta significativamente a exposição internacional do presidente brasileiro, algo que tem peso diferente para Lula e Trump.
“O presidente brasileiro sempre tem menos exposição internacional do que tem o presidente americano. Então, a Assembleia Geral da ONU é uma oportunidade. O Brasil tem essa postura de ser o primeiro a discursar, então gera muito mais atenção do que qualquer outro discurso”, explicou.
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Na avaliação do especialista, Trump já ocupa permanentemente o centro das atenções internacionais, enquanto o encontro da ONU oferece ao Brasil uma vitrine que dificilmente se repete com a mesma dimensão ao longo do ano.
“O Brasil, anualmente, tem esse palco internacional para si, que é raro para um país das dimensões do Brasil. O Donald Trump está o tempo inteiro na mídia, a gente está o tempo inteiro falando dele. Então, para ele é menos relevante, para ele é o momento para dar alguns recados específicos e tentar faturar politicamente alguma coisa”, concluiu.
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