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Super Quarta: Fed mais duro pode pressionar dólar e limitar cortes da Selic, diz economista
Publicado 29/04/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 29/04/2026 • 14:20 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A decisão do Federal Reserve pode fortalecer o dólar global, pressionar o câmbio no Brasil e reduzir o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses. A avaliação é de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, diante da chamada Super Quarta, com anúncios simultâneos de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
Segundo ele, o mercado trabalha com manutenção da taxa americana, mas o foco principal está no comunicado da autoridade monetária. “A expectativa está muito alinhada ao consenso de manutenção. A importância estará no comunicado”, afirmou ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (29).
O economista lembra que a última sinalização do Fed já teve tom mais duro, condicionado aos efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio. “Tudo isso sugere que o comunicado de hoje será ainda mais duro, colocando mais condicionantes às variáveis macroeconômicas e geopolíticas”, destacou.
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Na avaliação de Perri, a alta recente do petróleo amplia a cautela dos bancos centrais. O barril do tipo Brent chegou a US$ 117 (R$ 586,2), enquanto o petróleo acima de US$ 105 (R$ 526,1) já vinha elevando preocupações inflacionárias.
Ele também citou que a inflação de março nos Estados Unidos ficou próxima de 1%, reforçando o cenário de juros altos por mais tempo. “Se os EUA subirem juros ou sinalizarem manutenção por mais tempo, reduz nosso espaço para cortes”, pontuou.
Segundo o especialista, a taxa americana funciona como referência global de risco zero, influenciando diretamente juros, fluxo de capital e câmbio em países emergentes como o Brasil.
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No Brasil, a expectativa predominante é de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, após a taxa básica atingir pico de 15%. No entanto, Perri acredita que a comunicação do Copom será mais conservadora. “O espaço para um comunicado suave se fechou”, frisou.
Ele cita que o IPCA-15 de abril refletiu fortemente o choque nos combustíveis e alimentos, impulsionado também pelos fretes. Além disso, o IGP-M registrou a maior variação em cinco anos. “O corte de 0,25 virá cheio de condições para as próximas reuniões”, explicou.
Para o economista, o horizonte de previsibilidade ficou mais incerto, já que fatores geopolíticos escapam do alcance tradicional da política monetária.
Leia também: Por que os juros no Brasil seguem entre os mais altos do mundo? Entenda os motivos
Apesar do ambiente mais desafiador, Perri avalia que ainda há chance de a Selic encerrar o ano em 13%, como parte do mercado projeta, ou até abaixo disso. “Dá para chegar porque nossa política ainda é muito contracionista”, ressaltou.
Ele argumenta que parte relevante da inflação atual decorre de choques temporários, especialmente ligados à energia. Caso o petróleo recue para a faixa entre US$ 70 e US$ 75 (R$ 350,7 e R$ 375,8), haveria alívio relevante nos índices de preços.
“Se houver uma solução perene para o conflito nos próximos 40 dias, podemos ver a Selic em 13% ou até 12%”, disse.
Outro fator monitorado pelo mercado é o ritmo da economia brasileira. Segundo Perri, alguns sinais já indicam desaceleração da atividade, o que tende a abrir espaço para cortes adicionais de juros. “Já vemos a atividade econômica perdendo fôlego, o que abre espaço para o BC se não houver uma contaminação inflacionária mais ampla”, observou.
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Na visão do economista, o Copom não deve mudar radicalmente sua postura nesta reunião, mas pode reforçar o discurso de prudência adotado nos encontros anteriores. “Não radicalmente diferente, mas ainda mais conservador”, concluiu.
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